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“Mesma velha história”: Liverpool tropeça de novo, e Wolves mantém a fé viva na Premier League

Se alguém ainda tinha dúvida de que a temporada do Liverpool virou um teste de paciência para o torcedor, a noite em Molineux tratou de deixar tudo bem claro. Derrota por 2 a 1 para o lanterna Wolves, gol sofrido nos acréscimos (de novo!) e aquela sensação de déjà vu que já está virando rotina em 2026, tudo o que Arne Slot não gostaria de ver ocorrendo nesta campanha.

O técnico holandês começou a semana dizendo que muitos jogos da Premier League já não eram tão prazerosos de assistir. Depois do que viu contra o Wolves, é provável que tenha reforçado essa tese. O Liverpool até tentou controlar o jogo, mas produziu pouco, foi previsível e, no fim, castigado por mais um detalhe, ou melhor, por mais um vacilo.

Gol no fim? Virou pesadelo pro Liverpool

Historicamente, os Reds sempre foram aquele time que decidia no apagar das luzes. Virada épica, pressão sufocante, gol aos 92… Só que, nesta temporada, o roteiro simplesmente inverteu, apesar do time de Anfield ter contado com algumas vitórias nos últimos minutos no começo desta campanha. Contra o Wolves, saiu o gol da vitória aos 94 minutos, marcado por André, após desvio em Joe Gomez. E não foi caso isolado.

Com esse resultado, os Reds chegaram à marca nada honrosa de cinco derrotas na Premier League com gols sofridos nos acréscimos, o maior número já registrado por um time em uma única edição do campeonato. É o tipo de estatística que dói mais que a própria tabela.

Capitão e referência do elenco, Virgil van Dijk foi direto ao ponto: atuação lenta, previsível, posse de bola mal aproveitada e decisões erradas. Não é sobre azar. É sobre desempenho.

Champions League em risco? Sim, é real

Faltam oito rodadas para o fim do campeonato e o Liverpool está oficialmente em modo alerta. A briga por vaga na próxima Champions League virou uma preocupação concreta. E não é só pelo prestígio esportivo. Ficar fora da principal competição europeia significa impacto financeiro pesado, menos receita, menos poder de investimento e, possivelmente, menos capacidade de atrair reforços.

E vale ressaltar, esse elenco do Liverpool foi montado para grandes conquistas, dar mais profundidade ao atual campeão da Premier League. Entretanto, as contratações não responderam da melhor forma possível, restando apenas as lamentações.

Slot sabe disso. E também sabe que deixar pontos pelo caminho contra equipes da parte de baixo da tabela virou um padrão incômodo. Ele mesmo resumiu após o jogo: “Mesma velha história”. A expectativa mudou ao longo da temporada. O que parecia disputa por título virou luta por G4.

E o mais frustrante? Sempre que o Liverpool dá sinais de recuperação, vem um tropeço que freia qualquer embalo.

Enquanto isso, o Wolves joga como se ainda houvesse milagre

Do outro lado, o clima era completamente diferente. O técnico Rob Edwards saiu correndo pela beira do campo no melhor estilo José Mourinho versão 2010, comemorando o gol da vitória como se valesse permanência antecipada.

E, convenhamos, para o Wolves, cada vitória agora é quase isso. Estamos falando de um jogo em que não se esperava um empate pro lado dos donos da casa, seria até um ponto fora da curva, algo digno de comemoração já, imagina a vitória.

O Molineux não via dois triunfos na Premier League em tão pouco tempo havia meses. E que triunfos! Antes do Liverpool, a vítima foi o Aston Villa. O detalhe impressiona: o Wolves se tornou o primeiro lanterna a vencer dois times do top 5 na mesma temporada desde o West Bromwich Albion em 2017-18, e o primeiro a conseguir isso em partidas consecutivas.

Para quem está 11 pontos atrás da zona de segurança, com oito jogos restantes, parece pouco. Mas, dentro do vestiário, a conversa é outra. Rodrigo Gomes, autor do primeiro gol, falou em acreditar até o fim. Jogo a jogo, sem fazer conta mirabolante.

É difícil? Muito. É improvável? Bastante. Mas enquanto houver tabela, haverá esperança.

Dois mundos, duas pressões

O contraste não poderia ser maior. De um lado, um gigante pressionado pelo risco de ficar fora da Champions. Do outro, um lanterna lutando contra a matemática e tentando transformar energia em sobrevivência.

O curioso é que, em campo, essa diferença quase não apareceu. O Wolves foi intenso, pressionou quando pôde e acreditou até o último segundo, pode até ter sido discreto nas finalizações, mas soube conter o seu adversário. O Liverpool teve mais posse, mais status, mais responsabilidade, mas não teve mais contundência.

E, na Premier League, isso costuma ser fatal.

Sexta-feira tem replay

Para quem achava que esse duelo ficaria só na memória, tem mais capítulo vindo aí. As equipes voltam a se enfrentar na sexta-feira, pela FA Cup. E, depois do que aconteceu, é difícil imaginar que será apenas “mais um jogo”.

Para o Liverpool, é chance de resposta imediata. Para o Wolves, é oportunidade de mostrar que não foi acaso, e de transformar uma noite improvável em início de uma reação histórica.

No fim das contas, Molineux foi palco de algo que o futebol inglês adora: drama, surpresa e narrativa pronta. Para os torcedores do Wolves, uma noite para guardar. Para os do Liverpool, mais uma daquelas que dá vontade de desligar o celular e sumir das redes sociais.

A temporada ainda não acabou. Mas, para os Reds, a margem de erro evaporou. E, se a “mesma velha história” continuar se repetindo, o final pode ser bem diferente do que se imaginava lá atrás.

Foto: Dan Istitene/Getty Images