Luiz Henrique Seleção
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Luiz Henrique mostra que estar na Rússia não é um problema!

O atacante Luiz Henrique voltou a vestir a camisa da Seleção Brasileira depois de um tempo afastado. Após ter deitado e rolado no Brasil e na América do Sul, o ponta-direita, que alimentava expectativas de atuar no mais alto nível da Europa, acabou optando por um caminho menos convencional: a Rússia, para defender o conhecidíssimo Zenit. Com isso, ficou fora dos holofotes e passou em branco nas últimas convocações. Mas assim que teve nova chance, mostrou claramente que nunca deveria ter saído do radar.

Desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, ficou quase impossível acompanhar o futebol russo. A liga perdeu visibilidade, foi retirada do calendário da UEFA e, com isso, o Zenit, que sempre figurava na Champions League, também perdeu espaço. Jogar por lá virou sinônimo de “fuga dos holofotes”, assim como acontece hoje com quem vai pra Arábia Saudita.

Mesmo assim, Luiz Henrique conseguiu tirar proveito da brecha aberta nesta convocação, muito por conta da lesão de Savinho e de outras peças importantes que ficaram de fora. O ponta, que sempre teve bom desempenho com a Amarelinha, voltou a mostrar o de sempre: intensidade, confiança e, claro, muita habilidade. Desde os tempos de Fluminense e Botafogo, ele já chamava atenção pelo drible desconcertante, as penteadas fatais na bola e a capacidade de decidir em jogos grandes.

E por falar nisso, o ponto-chave é esse: seu poder de decisão.

Luiz Henrique x Chile

Luiz Henrique Seleção 2
Foto: THIAGO RIBEIRO / Agif

 

Depois de um primeiro tempo avassalador da Seleção Brasileira, o ritmo caiu demais na etapa final. O time de Carlo Ancelotti já vencia por 1 a 0, mas precisava de um gás novo. Estêvão fazia chover pelo lado direito, sendo muito mais efetivo do que Gabriel Martinelli, que parecia fora de sintonia com o esquema.

Foi aí que Luiz Henrique e Lucas Paquetá foram chamados. Dois nomes que chegaram com tudo o que a Seleção precisava naquele momento: intensidade, qualidade e vontade de resolver. Paquetá passou a distribuir melhor o jogo pela direita, e logo ficou claro que Ancelotti mexeu bem demais. Luiz Henrique entrou com a corda toda.

Vale lembrar: ele não ficou longe da Seleção por falta de desempenho nas convocações anteriores, mas sim por causa da escolha de ir para a Rússia, como se estivesse sendo “punido” por isso. Então, ao voltar, fez questão de mostrar no Maracanã, e principalmente para Ancelotti, que deve ser lembrado quando o assunto for Copa do Mundo.

Mesmo sem uma posição fixa, revezando entre os dois lados do ataque, já que a Seleção jogava sem um 9 de ofício, Luiz Henrique tirou da cartola um lance de craque. Pela esquerda, bateu pra cima do marcador dentro da área, e ao invés de cortar pra direita (sua perna menos forte), foi ao fundo e cruzou na medida para Paquetá, que só testou pro fundo da rede.

Já o terceiro gol foi pintura coletiva com participação direta dele. Luiz Henrique recuperou a bola no campo ofensivo, acionou Paquetá, que com um corta-luz genial deixou a bola para Bruno Guimarães. O volante do Newcastle devolveu para LH, que tirou o primeiro marcador e tentou encobrir o goleiro. A bola caprichosamente explodiu no travessão e voltou no pé de Bruno, que fechou o caixão: 3 a 0 no Maracanã.

Luiz Henrique mostra que depende apenas de Gérson

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Foto: Javier TORRES / AFP

 

Muito se falou sobre Gerson ter perdido espaço na Seleção após trocar o Flamengo pela Rússia. Nesta Data FIFA, Ancelotti não chamou o meio-campista, que também vive um momento bem discreto por lá. Por outro lado, apostou em Douglas Santos e Luiz Henrique, mostrando que talvez o problema não seja o país, e sim o desempenho.

A mensagem é clara: se o nível for alto, a chance aparece.

E vendo essas atuações da Seleção, o ex-jogador da Roma pode, sim, voltar a sonhar com uma vaguinha. Ainda dá tempo de recuperar o terreno perdido e reconquistar a confiança da comissão técnica. Com os olhos voltados pra Copa do Mundo, ninguém quer ficar fora. E isso está estampado na entrega de cada um que pisa no gramado. A disputa está aberta, e Luiz Henrique já mostrou que não veio só pra passear.

 Foto: Thiago Ribeiro/AGIF