O Lyon, clube francês do empresário John Textor, também proprietário do Botafogo, foi rebaixado à Ligue 2 por irregularidades financeiras. A decisão foi formalizada nesta terça-feira (24) pela DNCG (Direção Nacional de Controle e Gestão), órgão que fiscaliza as contas dos times franceses. A equipe gerida pela Eagle Football Holdings ainda pode recorrer. Durante o julgamento, o empresário norte-americano e Michael Gerlinger, diretor de futebol do Olympique Lyonnais, apresentaram garantias financeiras, mas não atenderam os mínimos exigidos do clube.
Antes do rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Francês, o DNCG exigiu que, em novembro de 2024, o Lyon comprovasse a capacidade de quitar cerca de 175 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,1 bilhão). A maior parte desse valor correspondia à temporada seguinte. Sob pressão da torcida, o empresário John Textor apostava na venda de jogadores para melhorar suas finanças e no desinvestimento no Crystal Palace para reforçar o caixa da Eagle Football Group.
Apesar de terminar em sexto lugar na Ligue 1 durante a temporada passada, resultado que classificou o time na próxima edição da UEFA Europa League, mas o Lyon vem enfrentando uma séria crise financeira nos últimos anos. Investimentos sem retorno esportivo significativo e prejuízos acumulados comprometeram sua estabilidade. O objetivo de Textor era garantir uma vaga na fase de liga Champions League, o que não ocorreu e onde acabou tornando-se impraticável equilibrar as finanças.
Para a temporada 2025/26, o clube já havia sido proibido de contratar novos jogadores. No último domingo, Textor vendeu sua participação no Crystal Palace a Woody Johnson, dono do New York Jets, em operação avaliada em 190 milhões de libras (cerca de R$ 1,4 bilhão). Na atual janela de transferências, a maior venda da Eagle foi a de Luiz Henrique, do Botafogo para o Zenit, por 35 milhões de euros. A DNCG, no entanto, não aceitou o argumento de um “caixa único” de Textor.
Além disso, o Lyon lançou um programa de demissão voluntária para cerca de 100 funcionários e rescindiu contratos de jogadores de alto custo, como o experiente atacante Alexandre Lacazette e o goleiro português Anthony Lopes, que deixaram o clube no final desta temporada. O meia Maxence Caqueret foi vendido ao Como, da Itália, por 15 milhões de euros. Logo após o encerramento da Ligue 1, o clube vendeu Rayan Cherki ao Manchester City por 36,5 milhões de euros, valor que pode chegar a 42,5 milhões com bônus.
Em março, a Eagle Football Group divulgou prejuízo líquido de 117 milhões de euros no primeiro semestre de 2024/25 (aproximadamente R$ 723 milhões). Além das saídas de grandes nomes, o goleiro brasileiro Lucas Perri e o meia argentino Thiago Almada, ambos ex-Botafogo, poderão deixar o clube nesta janela, caso o rebaixamento se confirme. Se confirmado o rebaixamento, o Reims ocupará a vaga do Lyon na Ligue 1, após ser derrotado na disputa de play-offs contra o Metz.

Lyon é rebaixado para a Ligue 2 e cinco nomes devem sair
O tradicional Lyon vive um dos momentos mais conturbados de sua história recente. Após uma temporada marcada por instabilidade dentro e fora de campo, o clube foi oficialmente rebaixado para a Ligue 2 na temporada 2025/26, por conta de desempenho esportivo frágil e punições administrativas da Federação Francesa de Futebol (FFF). Com o descenso concretizado, aumenta a previsão de uma debandada de jogadores, especialmente os de maior valor de mercado. Confira cinco nomes que devem deixar o clube nos próximos meses:
1. Malick Fofana (atacante)
O jovem belga, de apenas 19 anos, foi um dos poucos destaques da temporada, mostrando velocidade, drible e personalidade em meio ao caos. Fofana é visto como uma promessa e já desperta interesse de grandes clubes da Premier League e da Bundesliga. Sua permanência na Ligue 2 parece improvável, e uma transferência pode render um bom alívio financeiro ao Lyon.

2. Thiago Almada (meia)
O argentino chegou ao Lyon com status de craque após passagem de destaque no Atlanta United e conquistas nas seleções de base da Argentina. Versátil e com técnica refinada, Almada não conseguiu atingir seu potencial devido à má fase do time, mas continua valorizado no mercado. Clubes da Espanha e da Itália demonstraram interesse, e o rebaixamento tende a acelerar sua saída.

3. Georges Mikautadze (atacante)
Artilheiro da seleção georgiana na Euro 2024, Mikautadze é outro provável a deixar o clube. Apesar de momentos irregulares, ele mostrou faro de gol e capacidade de decisão, o que atrai equipes de porte médio da Série A italiana e da própria Ligue 1. Seu valor de mercado cresceu e o OL deve aproveitá-lo para equilibrar as contas.

4. Ainsley Maitland-Niles (lateral/meio-campista)
O inglês, com passagens por Arsenal e Roma, chegou buscando estabilidade, mas o panorama conturbado da temporada frustrou suas expectativas. Polivalente e com experiência internacional, Maitland-Niles já desperta o interesse de clubes ingleses da Championship e até da Premier League. A queda para a Ligue 2 torna sua permanência altamente improvável.

5. Lucas Perri (goleiro)
Titular absoluto no gol do Lyon, o goleiro brasileiro teve atuações muito elogiadas, mesmo num cenário coletivo conturbado. Aos 27 anos, em fase de crescimento, Perri chamou atenção de clubes de Portugal e da América do Sul. O ex-Botafogo pode buscar novos desafios para mantê‑se na briga por uma vaga na Seleção Brasileira.

Com o rebaixamento firmado para a Ligue 2, o Lyon deve passar por uma grande reestruturação, tanto no elenco quanto no departamento esportivo. A torcida, conhecida por sua paixão e lealdade, espera que o clube reencontre o caminho da estabilidade e do sucesso — mesmo que isso implique saídas de jogadores-chave.
Por que Lyon foi rebaixado?
Em 15 de novembro de 2024, a DNCG decretou o rebaixamento administrativo do Lyon por sua delicada situação financeira. A holding Eagle Football Group, de John Textor, acumula dívida estimada em 500 milhões de euros (cerca de R$ 3,2 bilhões), com déficit de 25,7 milhões na temporada 2023/24 (aproximadamente R$ 164,7 milhões). Em consequência, o clube foi proibido de registrar reforços em janeiro.
A DNCG exigiu que Textor e sua equipe apresentassem garantias financeiras de pelo menos 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 640,6 milhões) para a temporada 2024/25. Em resposta, o Lyon vendeu Rayan Cherki ao Manchester City no início de junho por 40 milhões de euros (cerca de R$ 255 milhões à época), além de implementar demissões voluntárias e rescindir contratos de atletas como Anthony Lopes e Alexandre Lacazette.
Relação entre John Textor, Eagle Football Group e Lyon
John Textor é o empresário americano à frente da Eagle Football Group, grupo que administra múltiplos clubes ao redor do mundo. Além do Lyon, suas operações incluem o Botafogo, no Brasil, e o Molenbeek, na Bélgica. Recentemente, o grupo vendeu sua participação no Crystal Palace, na Inglaterra, como parte da estratégia para recapitalização.
Apesar de sua gestão ativa no Lyon, os problemas financeiros não foram sanados a tempo de evitar o rebaixamento. A expectativa é que Textor e sua equipe busquem soluções financeiras e planejem o retorno à primeira divisão francesa.
No último domingo (22), Textor fechou a venda de sua participação de 44,9% no Crystal Palace para Woody Johnson, proprietário do New York Jets, por 254 milhões de dólares (cerca de R$ 1,4 bilhão). Antes do rebaixamento oficial, Textor expressou confiança de que a venda do Palace garantiria condições para cumprir as exigências da DNCG.
O Lyon pode reverter a queda?
Após a decisão da DNCG, ainda há a possibilidade de recurso. O clube pode tentar apresentar novas garantias ou celebrar acordos que permitam a revisão da penalização. No entanto, o prazo é curto e os critérios impõem exigências rigorosas. Caso não consiga sucesso na apelação, o Lyon disputará a temporada 2025/26 na Ligue 2, iniciando um processo de reconstrução dentro e fora de campo.
Este episódio enfatiza a importância do controle financeiro no futebol moderno e serve como alerta para outros clubes em risco. O futuro do Lyon estará diretamente ligado à capacidade da diretoria de se adaptar e ao engajamento da torcida durante esse período de transição.
(Foto: AFP)