O que parecia ser o início de uma nova fase para a seleção da Itália terminou de forma rápida e inesperada. Apenas 16 dias após assumirem cargos importantes na Federação Italiana de Futebol (FIGC), Paolo Maldini e Leonardo decidiram deixar seus postos, encerrando um projeto que prometia recolocar a Azzurra no caminho do sucesso.
A chegada da dupla gerou enorme expectativa entre torcedores e dirigentes. Depois de três Copas do Mundo consecutivas sem conseguir resultados à altura da tradição italiana, a intenção era iniciar um novo ciclo para recuperar o prestígio da seleção. No entanto, uma sequência de acontecimentos, que envolveu negociações frustradas e a polêmica em torno de Andrea Pirlo, fez o plano desmoronar antes mesmo de sair do papel.
Maldini e Leonardo chegaram para liderar uma nova era
O presidente da FIGC, Giovanni Malagò, trabalhou durante semanas para convencer Paolo Maldini a aceitar um cargo inédito na entidade. O ex-capitão do Milan assumiria como diretor técnico e presidente do Club Italia, liderando um amplo projeto de reconstrução do futebol italiano.
Ao seu lado estaria Leonardo, que aceitou atuar como conselheiro (advisor), repetindo a parceria de sucesso que ambos tiveram durante suas passagens pelo Milan.
A missão da dupla era clara: reconstruir uma seleção que atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. A Itália acumulava anos de decepções e buscava um projeto sólido para voltar a ser protagonista no cenário internacional.
No início do trabalho, Maldini e Leonardo deixaram claro que pretendiam apostar em um treinador de peso para comandar a equipe nacional e liderar um ciclo de longo prazo.
Guardiola era o grande sonho da Federação
A primeira prioridade da nova gestão era contratar um técnico de impacto. Durante sua apresentação pública, Maldini confirmou que houve contatos com Carlo Ancelotti, mas reconheceu que o treinador seguia comprometido com a seleção brasileira após a disputa da Copa do Mundo.
O principal objetivo, porém, era Pep Guardiola. O espanhol havia encerrado sua longa passagem pelo Manchester City e, pela primeira vez em muitos anos, estava livre no mercado.
Segundo o relato, tanto Maldini quanto Leonardo e o próprio Giovanni Malagò estavam alinhados na tentativa de convencer Guardiola. A Federação Italiana, inclusive, estaria disposta a fazer um grande esforço financeiro para viabilizar a contratação do treinador.
Durante alguns dias, o otimismo tomou conta da imprensa italiana, mas a negociação chegou ao fim em 24 de julho, quando Guardiola comunicou sua decisão de não assumir o cargo por motivos pessoais e familiares.
A partir desse momento, toda a estratégia da Federação precisou ser modificada.
Andrea Pirlo virou o plano B
Com a negativa de Guardiola, a diretoria mudou completamente o foco. Nomes como Roberto Mancini e Antonio Conte, que já haviam sido especulados anteriormente, acabaram sendo deixados de lado.
A escolha passou a ser Andrea Pirlo. Para Maldini e Leonardo, o ex-meio-campista reunia o perfil ideal para iniciar um novo ciclo, trabalhando com uma geração mais jovem e pensando no longo prazo.
As negociações avançaram rapidamente e o acordo ficou muito próximo de ser oficializado. Tudo indicava que Pirlo seria anunciado como novo técnico da seleção italiana.
No entanto, quando a confirmação parecia questão de tempo, surgiu uma polêmica que mudou completamente o rumo da história.
Caso envolvendo Pirlo provocou crise na Federação
A indicação de Pirlo passou a ser alvo de fortes questionamentos por causa de sua ligação profissional com o United FC, dos Emirados Árabes Unidos, e principalmente pelo papel de embaixador global da Fonbet, empresa russa do setor de apostas esportivas.
O tema ganhou repercussão política na Itália e aumentou significativamente a pressão sobre a Federação.
Diante da repercussão, Giovanni Malagò optou por suspender a nomeação enquanto buscava mais esclarecimentos sobre a situação do treinador.
Mesmo após as explicações apresentadas por Pirlo e por seus representantes, a candidatura acabou perdendo força e foi definitivamente descartada.
Sem conseguir levar adiante o principal nome escolhido para comandar a seleção, o projeto de Maldini e Leonardo entrou em colapso.
Projeto termina sem deixar legado
Pouco depois do fracasso na tentativa de contratar Pirlo, começaram as especulações sobre uma possível saída da dupla da Federação.
As informações acabaram se confirmando. Apenas 16 dias após assumirem seus cargos, Maldini e Leonardo comunicaram oficialmente a Giovanni Malagò que deixariam o projeto.
A decisão encerrou uma das passagens mais curtas da história recente da FIGC e devolveu à Federação o desafio de encontrar, mais uma vez, um novo comando para iniciar a reconstrução da seleção italiana.
Agora, todo o planejamento volta praticamente ao ponto de partida. Sem treinador definido e sem a equipe que havia sido montada para liderar a reformulação, a Itália precisará recomeçar o processo às vésperas de novas decisões importantes para o futuro da Azzurra.
O episódio evidencia a dificuldade vivida pelo futebol italiano nos últimos anos. O projeto que prometia marcar o início de uma nova era terminou antes mesmo de apresentar qualquer resultado prático, obrigando a Federação a reorganizar seus planos e buscar novas soluções para recolocar a seleção entre as principais potências do futebol mundial.
Foto: ANSA



