O Manchester City é frequentemente lembrado pelas cifras gigantescas investidas em contratações. Durante a década de Pep Guardiola no comando do clube, os Citizens ultrapassaram a marca de 2 bilhões de euros gastos no mercado. Agora, porém, o cenário também chama atenção por outro motivo: a capacidade do clube de vender jogadores.
O verão de 2026 representa uma verdadeira reconstrução no Etihad Stadium. Com Enzo Maresca no comando após o fim da era Guardiola, o City passa por uma profunda reformulação do elenco e, para financiar a chegada de novos nomes, também promove uma das maiores liquidações de jogadores da história do futebol europeu.
A saída de Savinho para o Tottenham, oficializada por 88 milhões de euros fixos e outros 12 milhões em variáveis, fez o Manchester City ultrapassar os 300 milhões de euros em receitas com transferências neste verão. E a marca pode crescer consideravelmente antes do fechamento da janela.
Além de Savinho, o clube também faturou valores expressivos com outras negociações. Rodri deixou o City em uma operação que pode chegar a 76,5 milhões de euros, enquanto Tijjani Reijnders foi negociado por 61 milhões de euros. James Trafford também deixou o clube em uma transferência avaliada em 47 milhões de euros.
Somando os valores fixos e as possíveis bonificações, o Manchester City já alcançou cerca de 307 milhões de euros em vendas.
Nico González e Marmoush podem levar City a marca histórica
O número, porém, ainda pode aumentar de forma significativa. O City tem duas negociações que podem elevar a arrecadação para mais de 400 milhões de euros em um único mercado de transferências.
Nico González está perto de se tornar jogador do Newcastle em uma operação estimada em 58 milhões de euros entre valores fixos e variáveis. O detalhe é que o Manchester City havia investido cerca de 60 milhões de euros para tirar o jogador do Porto em janeiro de 2025.
Outra saída que pode ser concretizada é a de Omar Marmoush. O atacante deve acompanhar Savinho rumo ao Tottenham, em uma negociação que pode render entre 50 e 60 milhões de libras ao Manchester City.
Convertido para euros, o negócio pode representar algo entre aproximadamente 58 e 70 milhões. Caso as duas transferências sejam confirmadas nos valores projetados, a arrecadação total dos Citizens ultrapassará os 400 milhões de euros, estabelecendo uma marca extraordinária para uma única janela.
A referência histórica citada é o Monaco de 2018, quando o clube francês negociou diversos jogadores importantes e alcançou cerca de 365 milhões de euros em vendas. O Manchester City, portanto, pode superar esse patamar caso confirme as saídas que ainda estão encaminhadas.

Manchester City muda completamente de geração
Mais do que uma simples estratégia financeira, as vendas refletem uma mudança profunda no Manchester City. A equipe que conquistou a primeira Liga dos Campeões da história do clube, em 2023, está praticamente desmontada.
A saída de figuras importantes abriu espaço não apenas no elenco, mas também na folha salarial. Rodri, Kevin De Bruyne, Ederson, Ilkay Gündogan, Bernardo Silva e outros nomes que marcaram a era Guardiola deixaram o clube. Defensores como John Stones, Nathan Aké e Manuel Akanji também fazem parte do grupo de jogadores que não representam mais o núcleo do antigo City.
Do time titular que começou a final da Champions League de 2023, contra a Inter de Milão, poucos nomes permanecem como referências da antiga geração. Erling Haaland e Rúben Dias são os principais sobreviventes, enquanto Jack Grealish também segue no elenco, embora seu futuro ainda pareça incerto.
A mudança não aconteceu apenas dentro das quatro linhas. Pep Guardiola deixou o comando técnico, enquanto Txiki Begiristain também saiu da estrutura que ajudou a construir um dos períodos mais vitoriosos da história do clube.
City arrecada para investir pesado na era Maresca
A grande arrecadação permite ao Manchester City ter ainda mais força para atuar no mercado. O clube já fez investimentos pesados neste verão, com destaque para a contratação de Elliot Anderson por 137 milhões de euros e o acordo de 100 milhões de euros por Ayyoub Boudi.
O City ainda aparece ligado a Enzo Fernández, embora o Chelsea peça cerca de 140 milhões de euros pelo meio-campista argentino. Uma eventual negociação colocaria mais uma transferência gigantesca na lista de operações do clube nesta janela.
A missão da diretoria é clara: substituir uma geração histórica sem permitir que o Manchester City deixe de competir pelos principais títulos. Os recursos obtidos com as vendas dão ao clube uma margem importante para investir, mas a responsabilidade na escolha dos reforços também aumenta.
Nomes como Gianluigi Donnarumma, Rayan Cherki, Elliot Anderson e Josko Gvardiol aparecem entre os jogadores chamados para assumir papéis importantes na nova fase. O desafio é transformar talento e investimento em uma equipe capaz de manter o City no topo do futebol inglês e europeu.

O Manchester City está, portanto, passando por um verdadeiro “lifting”. Uma transformação profunda, financeiramente poderosa e esportivamente arriscada. O clube vendeu nomes históricos, abriu espaço para uma nova geração e pode terminar a janela com uma arrecadação superior a 400 milhões de euros.
Agora, depois de fazer caixa como nunca, os Citizens terão de provar que sabem gastar tão bem quanto sabem vender.
Foto: Divulgação/WAM



