Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, Manchester City
Futebol Premier League

Manchester City: o que as transferências do clube indicam sobre as 115 acusações?

O Manchester City é acusado de diversas violações financeiras naquele que é considerado o caso judicial de maior repercussão na história do futebol, apesar de negar qualquer irregularidade. Por conta deste episódio, uma audiência foi realizada entre o final de 2024 e o início de 2025, porém nenhuma decisão final foi comunicada.

Grande parte  dos especialistas espera a divulgação de um veredicto antes do início da temporada 2026/27. No entanto, o tempo está terminando. Deste modo, é completamente possível que o assunto continue demorando por um período indeterminado.

A dimensão do episódio e o tempo que levou para chegar a um resultado final são quase sem precedentes na história do esporte. Passados 20 meses desde que o tribunal (local responsável por revelar todas as provas necessárias) realizou os trabalhos, o público permanece completamente sem conhecimento de um veredito.

Caso seja declarado culpado, o Manchester City poderá sofrer uma enorme perda de pontos ou até mesmo o rebaixamento para a Championship. Mesmo com a ameaça de uma punição monumental, o cotidiano tem corrido normalmente na equipe inglesa desde então.

Os gastos exorbitantes do Manchester City

Desde janeiro de 2025, o Manchester City gastou uma enorme quantia de € 695 milhões (R$ 4 bilhões) em novas contratações. Já neste verão, o recorde anterior foi quebrado ao investir cerca de € 135 milhões (R$ 783 milhões) para trazer Elliot Anderson e também para contratar em breve outro jogador pelo valor de € 100 milhões (aproximadamente R$ 579 milhões), Ayyoub Bouaddi.

O jogador marroquino está sendo disputado por vários clubes da elite do futebol europeu, mas o Manchester City demonstra maior interesse na contratação. Se o negócio for fechado, os gastos do clube chegarão a quase € 800 milhões (R$ 4,6 bilhões) e certamente não será o final das negociações nesta janela de transferências.

O motivo da equipe inglesa continuar gastando essas quantias enormes (e salários) com jogadores deixa os torcedores preocupados com o futuro do City. Ainda que essas acusações se refiram a um período entre 2009 e 2018. Por óbvio, o Manchester City tem sido considerado um bom vendedor, especialmente por conta das categorias de base.

O clube vendeu €100 milhões (R$ 579 milhões) em jovens atletas no ano passado. Além disso, vendeu mais de €140 milhões (R$ 816,2 milhões) no verão de 2024, antes de entrar em sua onda de gastos em janeiro.

O Manchester City também é responsável por gerar receitas comerciais enormes, que contribuíram para sempre estar na disputa pela Premier League e pela UEFA Champions League. Isso auxilia a equilibrar as contas, todavia, seus gastos são, mesmo assim, exorbitantes.

Os depoimentos de um ex-conselheiro do Manchester City sobre as acusações

O ex-conselheiro do Manchester City, Stefan Borson, descobriu que o principal advogado do clube inglês, Lord Pannick KC, está dedicando “cada vez mais tempo” a assuntos paralelos, completamente diferente do período entre setembro de 2024 e janeiro de 2025. Nesta época ele  não era visto porque estava evidentemente ocupado com o episódio do Manchester City.

De acordo com informações trazidas de Borson de semanas atrás, nenhum veredicto final havia sido divulgado. No entanto, Pannick claramente não está mais tão perplexo com as questões legais do Manchester City como era anteriormente.

O ex-conselheiro também descobriu que os pagamentos do Manchester City a Pannick estão listados como privados, no lugar de provenientes do governo dos Emirados Árabes Unidos. Isso torna-se claro, pois não houve uma decisão formal (ao menos que Borson tenha conhecimento) a respeito de se o Manchester City e o City Football Group são propriedade privada do Sheikh Mansour ou controlados pelo país de origem.

O Código de Conduta do Registo de Interesses determina que uma taxa deve ser discriminada caso provier de uma organização que “possa ser considerada por um membro razoável do público como sendo propriedade ou controlada por um Estado estrangeiro”.

Desse modo, a cada pagamento do Manchester City que consta como particular, “Pannick reafirma seu julgamento profissional ponderado: que nenhum membro razoável do público poderia pensar que o Manchester City é propriedade dos Emirados Árabes Unidos ou por eles controlado.”

Créditos da foto da capa: Reprodução/AFP