O Manchester United conseguiu reforçar bastante o meio-campo na última janela de transferências, mas deixou uma necessidade importante sem resposta. Segundo o jornalista David Ornstein, do The Athletic, Michael Carrick queria que o clube priorizasse a contratação de um novo lateral-esquerdo depois das primeiras movimentações do mercado.
A ideia do treinador era fortalecer o lado esquerdo da defesa após as chegadas de Andrey Santos e Youri Tielemans. O United chegou a trabalhar com alguns nomes, mas nenhuma negociação terminou com um reforço desembarcando em Old Trafford.
Um dos principais alvos era Lewis Hall, do Newcastle United. O Manchester United tentou avançar pelo jogador, mas o clube de Newcastle se manteve firme e não abriu espaço para uma transferência.
Depois disso, o clube também analisou a possibilidade de contratar Myles Lewis-Skelly, do Arsenal. A situação, porém, também não evoluiu e a diretoria acabou mudando novamente sua estratégia para a janela.
Manchester United mudou foco para o meio-campo
Enquanto Carrick queria um lateral-esquerdo, o Manchester United decidiu concentrar boa parte de seus recursos na reconstrução do meio-campo. A prioridade também fazia sentido diante das mudanças que aconteceram no elenco.
Casemiro deixou o clube, enquanto Manuel Ugarte provavelmente também teria saído caso não tivesse sofrido uma lesão no ligamento cruzado anterior durante a Copa do Mundo.
Sem os dois, o United ficaria com poucas opções experientes no setor. Kobbie Mainoo, Mason Mount e Bruno Fernandes seriam praticamente os únicos meio-campistas seniores disponíveis para uma temporada que ainda teria um calendário mais pesado por causa do retorno à Champions League.
Por isso, reforçar o meio tornou-se praticamente obrigatório.
Mesmo assim, o planejamento não aconteceu sem problemas. Uma negociação por Éderson, da Atalanta, acabou desmoronando na reta final. O United também não conseguiu concretizar o interesse em Matheus Fernandes e Elliot Anderson, que terminaram se transferindo para outros grandes clubes da Premier League.
A diretoria, porém, mostrou flexibilidade e conseguiu encontrar alternativas.
O Manchester United investiu aproximadamente US$ 200 milhões para contratar Andrey Santos, vindo do Chelsea, Youri Tielemans, do Aston Villa, e Carlos Baleba, do Brighton.
A chegada de Baleba aconteceu depois de um interesse de longa data e completou a reformulação do setor.
Na prática, ficou claro que o meio-campo era a grande missão da diretoria durante a janela. Na lateral esquerda, o clube possuía alvos específicos, mas decidiu não contratar qualquer jogador apenas para preencher a posição.
Negociações por laterais não avançaram
Mesmo sem conseguir fechar com Hall ou Lewis-Skelly, o Manchester United ainda avaliou outras possibilidades até o último dia da janela.
Uma delas envolvia Rayan Aït-Nouri, do Manchester City.
Segundo Ornstein, existia a possibilidade de um empréstimo no Deadline Day, mas o City queria incluir uma obrigação de compra no acordo. O United não demonstrou interesse nessas condições e preferiu não avançar.
Outra alternativa foi Alejandro Balde, do Barcelona.
O Manchester United gostava da ideia de contratar o jogador por empréstimo, mas o Barça só consideraria uma saída definitiva. Novamente, os termos não agradaram ao clube inglês.
Assim, o último dia da janela chegou ao fim sem que Carrick recebesse o reforço que queria para a lateral.
A decisão pode ser entendida do ponto de vista da diretoria. O United já havia gasto muito dinheiro no meio-campo e não queria realizar uma contratação por desespero.
Ao mesmo tempo, menos de dez jogos depois do início da temporada, a falta de profundidade no lado esquerdo já começa a aparecer.
Carrick agora precisa improvisar na lateral esquerda
Luke Shaw segue sendo a principal opção para a posição. O inglês está em sua 12ª temporada pelo Manchester United e começou a campanha como titular.
O problema é que seus conhecidos problemas físicos voltaram a aparecer.
Depois de passar toda a temporada 2025/26 sem lesões importantes, Shaw já perdeu os dois últimos jogos do United.
Sem ele, Carrick recorreu a Patrick Dorgu, de 21 anos.
O treinador já havia utilizado Dorgu como ponta durante a temporada passada, mas agora precisou colocá-lo novamente na lateral. O jogador oferece intensidade e capacidade física, mas ainda mostra limitações defensivas e precisa evoluir nesse aspecto.
Outra opção é Harry Amass, formado em Carrington.
O jovem fez sua estreia na temporada ao substituir Dorgu na vitória sobre o Sabah pela Champions League e aparece como alternativa para Carrick durante os próximos meses.
Noussair Mazraoui também pode ser utilizado pelo lado esquerdo, mesmo que essa não seja sua posição natural.
O problema é que nenhuma dessas alternativas oferece exatamente o nível de segurança que Carrick buscava quando pediu um novo lateral durante a janela.
United pode voltar ao mercado em janeiro
Por isso, não seria surpresa ver o Manchester United voltar ao mercado assim que a janela de janeiro abrir.
Alejandro Balde pode voltar a entrar em pauta caso o Barcelona fique mais disposto a aceitar um empréstimo. O texto original também aponta que o valor do jogador segue caindo, o que poderia alterar a postura do clube catalão.
Para o próximo verão, Lewis Hall continua aparecendo como o grande sonho da posição.
Até lá, Carrick precisará trabalhar com aquilo que já possui.
A decisão do United de investir pesado no meio-campo foi compreensível. O clube realmente precisava reconstruir o setor e conseguiu trazer três nomes importantes.
O risco foi deixar outra posição carente sem solução.
O início da temporada já mostra que a lateral esquerda pode se tornar um problema recorrente. Shaw continua enfrentando dificuldades físicas, Dorgu ainda precisa evoluir defensivamente e Amass possui pouca experiência.
Carrick havia identificado essa necessidade durante a janela, mas o clube preferiu não forçar uma contratação quando seus principais alvos ficaram indisponíveis.
Agora, o treinador terá que encontrar respostas dentro do elenco pelo menos até janeiro.
Se os problemas continuarem, o Manchester United pode acabar pagando um preço alto por ter deixado a principal preocupação de Carrick sem solução durante o mercado de verão.
Foto: AFP



