O Manchester United abriu o mês de julho sem registrar nenhuma contratação oficial para a nova temporada. A falta de anúncios incomoda a torcida, especialmente porque o clube acabou de perder duas disputas diretas por jogadores de meio-campo no mercado inglês. Primeiro, o Manchester City fechou com o Elliot Anderson por 116 milhões de libras (cerca de R$ 865 milhões) junto ao Nottingham Forest. Dias depois, o Tottenham garantiu Mateus Fernandes por 85 milhões de libras (cerca de R$ 634 milhões). O Manchester United tinha interesse nos dois jogadores, mas a diretoria se recusou a cobrir os valores exigidos por considerar que os leilões estavam inflacionados.
Embora a cúpula do clube defenda que essa postura é uma demonstração de responsabilidade financeira, o clube precisa reforçar o elenco para a disputa da temporada que está por vir. Jogadores experientes e com salários altos, como Casemiro e Jadon Sancho, deixaram o elenco após o fim de seus contratos, deixando buracos no plantel. A única saída definitiva que gerou receita até o momento foi a do atacante Rasmus Hojlund, negociado com o Napoli por 38 milhões de libras (cerca de R$ 283 milhões) ainda em maio. Com o início da pré-temporada batendo à porta, o clube corre contra o tempo para entregar peças ao Michael Carrick sem estourar o orçamento planejado.
Negociações do Manchester United
Se por um lado a torcida cobra anúncios imediatos, nos bastidores o Manchester United já tem o seu primeiro grande movimento alinhado. O clube busca um acordo de 35 milhões de libras (cerca de R$ 261 milhões) com a Atalanta para garantir a chegada do Ederson. A negociação esbarra em um entrave por conta da Copa do Mundo. A convocação de última hora do brasileiro para a seleção de seu país, está atrasando a conclusão do negócio. Como os exames médicos e as assinaturas de contrato dependem da liberação da CBF, o anúncio oficial só acontecerá após o encerramento da participação do Brasil no torneio. Somado a isso, o atleta terá direito a um período de descanso de três semanas antes de se integrar à pré-temporada no Manchester United.
A chegada de Ederson não encerra os planos do Manchester United, que ainda busca mais uma ou duas opções para o meio-campo. Diante do fracasso da negociação por Mateus Fernandes, a diretoria mapeia alternativas no mercado inglês. O nome de Alex Scott, do Bournemouth, agrada à comissão técnica, embora os Cherries façam jogo duro e tentem segurar o jogador de 22 anos a um contrato de longo prazo. Outros nomes como Tyler Adams, companheiro de Alex Scott no Bournemouth, e Carlos Baleba, do Brighton, também circulam nas análises do Manchester United. Corre por fora a opção de Felix Nmecha, atleta revelado na base do Manchester City e que conta com a forte admiração de Jason Wilcox, atual diretor de futebol do Manchester United e profundo conhecedor do jogador desde os tempos de base no lado azul da cidade.
Os contratos de Rashford e Onana
Além de mapear reforços, a diretoria precisa lidar com os salários mais pesados do elenco que retornaram ao clube. O caso mais complexo é o de Marcus Rashford. Dono do maior salário de Old Trafford e com contrato válido até 2028, o atacante de 28 anos esteve muito perto de se transferir de forma definitiva para o Barcelona no mês passado, mas o clube catalão escolheu não exercer a cláusula de compra fixada em 26 milhões de libras (cerca de R$ 194 milhões). Atualmente servindo à seleção inglesa na Copa do Mundo, Rashford tem seu futuro indefinido. A diretoria do Manchester United já avisou que não aceitará um novo empréstimo ao Barcelona. Se uma proposta de compra vantajosa não surgir nas próximas semanas, o atacante será reintegrado ao elenco após as férias após a Copa do Mundo.
A situação do goleiro Onana caminha pelo mesmo lado. Embora tenha contrato de longo prazo até 2028, o goleiro passou o último ano longe de Manchester e agora negocia os termos para um segundo empréstimo consecutivo para o Trabzonspor, da Turquia.
Apesar de o cenário parecer desfavorável e travado, os dirigentes do Manchester United demonstram. O motivo da calma seria o tempo que ainda resta, faltando sete semanas para a estreia na Premier League e quase dois meses inteiros de janela de transferências aberta. A garantia oferecida pela diretoria é de que os reforços chegarão e que o critério de avaliação será o desempenho em campo, e não o apelo de nomes famosos.
Créditos da foto de capa: Ash Donelon/Manchester United/Getty Images



