Michael Carrick - Manchester United
Futebol Premier League

Manchester United alinha projeto ambicioso para voltar ao topo da Premier League

O Manchester United está se planejando para voltar aos tempos gloriosos do clube. Os Red Devils pretendem alinhar o seu peso histórico com uma gestão de futebol pragmática e ambiciosa. Mesmo que a diretoria evite pronunciamentos que criem expectativas para não inflar a pressão da mídia, a renovação de contrato de Michael Carrick até o término da temporada 2027/28 envia uma mensagem para todos: Carrick é o escolhido para liderar o projeto campeão de 150 anos.

Esta meta foi elaborada pelo diretor executivo Omar Berrada logo em suas primeiras semanas em Old Trafford e estabelece uma visão clara: reconquistar o título da Premier League para coincidir com o aniversário de 150 anos da fundação do clube, nascido em 1878 entre os ferroviários de Manchester. O plano institucional não se limita aos homens; ele também engloba o time feminino, que busca sua primeira taça do Campeonato Inglês. Mesmo quando o United teve um péssimo desempenho, terminando em 15º lugar na tabela da Premier League na temporada passada, Berrada não recuou, acreditando que o projeto de 150 anos era altamente viável.

Desde o início do projeto, a rota sofreu mudanças drásticas. O clube descartou Erik ten Hag com rapidez e, depois, apostou em Ruben Amorim. No entanto, foi o período de testes de Michael Carrick que provou que a solução para o United não dependia de grifes, mas de uma reconexão com as próprias raízes do clube.

A grande reação na Premier League

Sob o comando de Ruben Amorim, o atual grupo de jogadores sofria para encontrar uma identidade e tinha atuações inconsistentes dentro de campo. Quando Michael Carrick assumiu a área técnica do Manchester United, a mudança foi imediata. Em seus primeiros 16 jogos no comando da liga, os Red Devils somaram mais pontos do que qualquer outra equipe da Premier League no mesmo recorte de tempo.

Essa grande arrancada iniciou especulações na torcida: teria o United brigado diretamente pelo título caso a troca de comando ocorresse meses antes? A média de 2,25 pontos por jogo sob o comando de Carrick, se estendida por um campeonato de 38 rodadas, resultaria em uma campanha de 85,5 pontos. Comparando com o novo campeão da Premier League, o Arsenal irá fechar a sua campanha vitoriosa com, no máximo, 85 pontos. Deixar para trás o pior desempenho do clube em 51 anos em um intervalo de apenas 12 meses prova que o Manchester United reencontrou o caminho. O desafio agora é transformar o momento positivo em hegemonia.

O DNA do Manchester United

Michael Carrick nasceu e cresceu nas ruas de Newcastle e ganhou projeção nacional no leste de Londres, defendendo o West Ham, clube que iniciou sua trajetória profissional. Porém, poucos jogadores na era moderna do futebol inglês carregam uma conexão tão forte com o Manchester United. Ao ser efetivado no cargo, Carrick relembrou com orgulho o impacto de sua chegada a Old Trafford em 2006, quando sentiu a magia do clube imediatamente.

Como jogador, Carrick conquistou tudo pelo Manchester United. Foi peça vital no histórico time que venceu o tricampeonato seguido da Premier League, ergueu a Champions League e alcançou outras duas decisões europeias. Eleito pelos companheiros como o melhor jogador do elenco na temporada de gala de Robin van Persie, ele assumiu a braçadeira de capitão e encerrou sua trajetória nos gramados com 464 partidas antes de migrar para a comissão técnica. Quando se despediu temporariamente, em dezembro de 2021, após uma curta e invicta passagem de três jogos como interino, Carrick somava mais de 15 anos de vivência diária no Manchester United, conhecendo a política do clube e cada passo de Old Trafford.

Ainda que Carrick não tenha atingido os objetivos traçados em seu trabalho anterior no Middlesbrough, o encaixe com o Manchester United foi imediato.

Táticas complexas ou posturas extremamente defensivas nunca deram certo no Manchester United. Carrick simplificou os conceitos, resgatou o futebol ofensivo e vertical que aprendeu com Alex Ferguson e conquistou o elenco pela clareza de suas ideias.

A janela de transferências

Quando o plano de Berrada foi elaborado há 11 meses, o diretor pontuou que a diretoria teria entre duas e três janelas de verão europeias para entregar o “elenco perfeito”. A primeira dessas fases foi concluída e, mesmo que os reforços contratados tenham sido inicialmente observados para o sistema de Ruben Amorim, os atletas contratados cresceram de produção e entregaram um impacto técnico positivo sob as instruções de Carrick.

Com o retorno garantido à Champions League, o Manchester United terá um calendário desgastante na próxima temporada, incluindo oito partidas apenas na fase de grupos da competição. Reforçar e dar profundidade ao elenco é uma necessidade médica e tática.

O foco da próxima janela de transferências será o meio-campo do Manchester United, que contará com algumas baixas, entre elas a iminente saída de Casemiro.

A diretoria planeja buscar até três novas contratações apenas para o meio-campo, priorizando atletas que combinem vigor físico e uma boa saída de bola para potencializar o dinamismo exigido por Carrick. Além disso, a busca por um ponta-esquerda agressivo, um lateral-esquerdo e um goleiro reserva de confiança para dar descanso aos titulares completa o caderno de prioridades de transferências da diretoria para fazer o projeto de 150 anos virar realidade antes do esperado.

Créditos da foto de capa: Divulgação/Manchester United