Ruben Amorim Manchester United
Futebol Premier League

Manchester United: um ano de Ruben Amorim entre caos, reconstrução e a promessa de um time finalmente “dominante”

O Manchester United contou com a estreia de Ruben Amorim há exatos 12 meses, quando o mesmo empatava contra o Ipswich. Simplesmente um jogo que começou com um gol de Rashford aos dois minutos e terminou com um aviso claro: o treinador tinha acabado de mergulhar no desafio mais complexo da carreira E, convenhamos, sobreviver à montanha-russa emocional que se trata os Reds Devils pós-Ferguson já é, por si só, uma grande façanha.

Hoje, um ano depois, o cenário está longe de ser perfeito, mas é melhor do que o caos absoluto da última temporada. O Manchester United chega a esta nova rodada da Premier League com cinco jogos de invencibilidade, ocupando o sexto lugar e, finalmente, dando sinais de organização.

O choque Amorim-Premier League e o tamanho do Manchester United

Amorim já admitiu que tudo foi rápido demais: a chegada, a pressão, a adaptação. Ele percebeu desde o início que estava lidando com algo muito maior do que um simples projeto esportivo, simplesmente um dos maiores clubes mundo, com enormes dificuldades de encontrar estabilidade. O Manchester United, um clube que mistura grandeza, urgência e trauma recente em doses iguais.

Para o treinador, a Premier League é a melhor liga do mundo e o Manchester United, apesar dos constantes tropeços, ainda carrega sua aura e expectativa de gigante, estamos falando de muitos títulos da Premier League. Mas essa grandeza vem com um peso absurdo. E o técnico português percebeu isso assim que colocou os pés em Old Trafford.

A missão dele? Transformar o clube inglês em um time mais dominante, mais controlado, mais competitivo, mais sólido. Palavras que o torcedor não vê como definição do time há muitos anos.

Os sinais de melhora: Manchester United reencontra alguma identidade

Depois de uma temporada que o próprio Amorim classificou como um “desastre”, o Manchester United finalmente anda ensaiando algo que pode ser chamado de evolução. A vitória em Anfield, a primeira em nove anos e a sequência de bons resultados reacenderam a confiança, sem esquecer do crescimento dos recentes reforços nesta última janela de transferências.

O ataque voltou a marcar com frequência, a defesa parece menos vulnerável e, pela primeira vez em muito tempo, o Manchester United venceu dois jogos seguidos na Premier League. Pode parecer pouco para um time desta expressão, mas para o torcedor recente, isso é quase terapêutico.

E vale lembrar: o clube investiu £232 milhões na última janela para remodelar o elenco. Amorim, enfim, tem um time que começa a se parecer com o que ele tanto sonhou, e para isso, precisou contar com obstáculos complicadíssimos.

Mas o passado pesa: o Manchester United ainda carrega seus fantasmas

Por mais que os sinais sejam positivos, não dá para ignorar o que foi o primeiro ano de Ruben Amorim. O Manchester United terminou a Premier League em 15º, acumulou apenas 45 pontos em 38 rodadas e protagonizou algumas das derrotas mais constrangedoras da história recente do clube.

Amorim chamou o time de “provavelmente o pior da história do Manchester United”, e por mais duro que pareça, os números estavam do lado dele, quase conseguiu acobertar essa realidade com o título da Europa League, mas o Tottenham acabou ficando com ele na final.

Derrotas para Nottingham Forest, Bournemouth, Wolves, Crystal Palace, Brighton, West Ham… e até a eliminação para o Grimsby, com Amorim desesperado reorganizando um mini-tabuleiro tático no banco, uma cena que querendo ou não, virou meme por semanas.

Nada disso desapareceu. O Manchester United ainda convive com expectativas irreais e cicatrizes emocionais profundas.

Lesões, dúvidas e o próximo passo

Amorim confirmou que Benjamin Sesko ficará fora por algumas semanas devido à lesão no joelho, um problema que pode coincidir com as ausências de Mbeumo e Amad Diallo na Copa Africana de Nações. Enquanto isso, Maguire continua fora, mas Mainoo pode voltar, o que muda bastante coisa no meio-campo. O treinador reforça que o Manchester United precisa jogar cada partida como se fosse a primeira ou a última, uma mentalidade que ele tenta implantar desde o dia em que chegou.

O clube está em um ponto decisivo: pode decolar de vez ou voltar para o caos que virou rotina. O português já mostrou resiliência, já foi criticado, já foi elogiado, já caiu, levantou e obviamente já pensou em desistir, porque, honestamente, quem não pensaria dirigindo o Manchester United dos últimos anos? O próximo capítulo desse projeto vai dizer tudo: se o Manchester United finalmente terá um time dominante e brigará pelas cabeças, ou continuará vivendo entre lampejos de esperança e longos períodos de frustração.

Por agora, a única certeza é que Ruben Amorim e o Manchester United seguem vivos, lutando… e tentando, de verdade, entrar nos trilhos, deixando para trás todas as conversas sobre demissão do português em novembro.

Foto: Getty Images