A Roma venceu o clássico contra a Lazio por 2 a 0 no Estádio Olímpico e deu um passo enorme rumo à classificação para a próxima UEFA Champions League. Em um Derby della Capitale carregado de tensão e atmosfera intensa, os comandados de Gian Piero Gasperini mostraram mais fome competitiva, controlaram os momentos decisivos da partida e tiveram em Gianluca Mancini o grande herói da noite, com dois gols de cabeça.
O resultado levou os giallorossi aos 70 pontos, igualando a pontuação do Milan e mantendo viva a disputa pelas vagas europeias na reta final da Serie A. Já a Lazio, sem grandes objetivos no campeonato, teve atuação abaixo do rival e pouco conseguiu produzir ofensivamente diante da intensidade romanista.
O jogo
O início do clássico foi marcado por muito nervosismo, divididas fortes e um ritmo caótico típico de derby. Gasperini precisou lidar com o desfalque de última hora de Koné, vetado por problema muscular, mas apostou em Dybala desde o começo atuando atrás de Malen. Do outro lado, Maurizio Sarri foi obrigado a escalar Furlanetto no gol após a lesão de Motta.
A Roma começou mais agressiva e criou a primeira chance clara ainda nos minutos iniciais. Após jogada confusa na área, Malen desviou em direção ao gol e Furlanetto precisou se esticar para evitar o primeiro. Aos poucos, os giallorossi aumentaram a pressão territorial, empurrando a Lazio para trás.
Mesmo assim, os biancocelesti encontravam espaços nos contra-ataques. Cancellieri levou perigo em chute cruzado aos 24 minutos, enquanto Gila e Noslin também assustaram em jogadas de bola parada e transição rápida. A Lazio mostrava organização do meio para frente, mas faltava intensidade defensiva para sustentar o equilíbrio por muito tempo.
Percebendo dificuldades para infiltrar pelo centro, Gasperini ajustou o posicionamento ofensivo e pediu para Malen atuar mais fixo, abrindo espaço para as infiltrações dos meio-campistas pelos lados. A mudança ajudou a Roma a recuperar o controle do jogo.
O momento parecia complicado para os donos da casa quando Ndicka deixou o campo lesionado aos 35 minutos. Só que, justamente nesse cenário de tensão, apareceu a liderança de Mancini. Aos 40, após cobrança de escanteio de Pisilli, o zagueiro subiu mais alto que Gila e Cancellieri e cabeceou firme para abrir o placar. O gol incendiou a torcida romanista e mudou completamente a atmosfera emocional do clássico.
Na segunda etapa, a Roma voltou ainda mais confortável. El Shaarawy entrou no lugar de Pisilli para aumentar a velocidade pelo lado esquerdo, enquanto Sarri demorou para mexer na equipe e só promoveu alterações depois dos 15 minutos, colocando Maldini e Dele-Bashiru em campo.
O domínio romanista ficou evidente logo cedo. Malen quase ampliou em uma bela semirovesciata após assistência de Dybala, enquanto o próprio argentino passou a comandar o ritmo ofensivo com qualidade nas bolas paradas.
E foi justamente em um escanteio cobrado por Dybala que saiu o segundo gol. Mancini apareceu novamente como elemento surpresa na área, venceu a marcação de Gila e cabeceou para ampliar. O desvio ainda matou qualquer chance de defesa de Furlanetto e levou a torcida da Roma ao delírio.
A partir dali, o clássico ganhou contornos de nervosismo. Uma confusão generalizada começou após falta sobre Svilar perto da área e terminou com expulsões de Wesley e Rovella. O clima quente refletia a frustração da Lazio e a sensação de controle absoluto da Roma.
Mesmo em vantagem confortável, os giallorossi seguiram perigosos. Pedro e Lazzari tentaram aumentar a agressividade da Lazio após entrarem no segundo tempo, mas a defesa romanista permaneceu sólida. Gasperini ainda colocou Soulé, Ziolkowski e Dovbyk em campo para administrar fisicamente a reta final. O atacante ucraniano quase deixou o dele ao acertar a trave aos 88 minutos.
Nos minutos finais, a Roma ainda criou outras oportunidades com El Shaarawy e Soulé, enquanto a torcida já transformava o Olímpico em uma grande festa. O apito final confirmou uma vitória incontestável em um dos dérbis mais importantes da temporada para os romanistas.
Roma mostra maturidade e força para ficar perto de vaga na Champions
A atuação da Roma mostrou uma equipe madura emocionalmente e extremamente conectada com a ideia de jogo de Gasperini. O time soube sofrer nos momentos em que a Lazio conseguiu equilibrar as ações, mas foi muito superior taticamente na maior parte do confronto. A movimentação ofensiva, a pressão pós-perda e principalmente a força nas bolas paradas fizeram a diferença.
Mancini simbolizou perfeitamente o espírito da equipe. Além dos dois gols decisivos, o defensor comandou a linha defensiva após a saída de Ndicka e liderou o time nos momentos de maior tensão emocional. Dybala também teve papel fundamental na construção ofensiva, participando diretamente da criação das principais jogadas.
Já a Lazio demonstrou um nível de competitividade muito inferior ao rival. Embora tenha criado algumas oportunidades no primeiro tempo, faltou intensidade, concentração defensiva e reação emocional após sofrer o primeiro gol. A demora de Sarri para ajustar o time também contribuiu para o domínio romanista na segunda etapa.
Com apenas uma rodada restante, a Roma chega viva e embalada na corrida por uma vaga na Champions League. Mais do que os três pontos, o triunfo no Derby della Capitale reforça a confiança de um time que cresce justamente no momento mais decisivo da temporada.
(Foto: Getty Images)



