Enzo Maresca começou sua trajetória no Manchester City com números impressionantes. Foram sete vitórias consecutivas nas primeiras rodadas da Premier League, em uma sequência que indicava uma adaptação rápida à difícil missão de suceder Pep Guardiola. O início perfeito, porém, ficou para trás. Duas derrotas consecutivas no campeonato expuseram problemas em diferentes setores e colocaram o treinador diante de seu primeiro grande teste.
Depois de perder para o Aston Villa na rodada anterior, o City foi derrotado pelo Brighton por 1 a 0, no Etihad Stadium, no sábado. O resultado encerrou uma sequência de 23 partidas consecutivas marcando gols na Premier League e evidenciou que as dificuldades vão além de uma noite de pouca inspiração ofensiva.
Maresca considerou que sua equipe produziu o suficiente para conquistar um resultado melhor, mas reconheceu a necessidade de melhorar a eficiência nas finalizações. Também defendeu a postura dos jogadores e afirmou que o grupo precisa analisar os erros e seguir em frente.
O problema é que os tropeços recentes revelam questões que exigem soluções. A defesa acumula falhas individuais, o meio-campo ainda não encontrou sua formação ideal e o ataque desperdiça oportunidades importantes. Com a temporada em andamento, o italiano precisa mostrar que consegue ajustar uma equipe montada para disputar os principais títulos.
Falhas defensivas começam a custar pontos
Mesmo após as duas derrotas, o Manchester City permanece na liderança da Premier League pelo saldo de gols, mas pode perder a posição caso o Arsenal evite a derrota diante do Liverpool. Mais preocupante do que a classificação, entretanto, é o desempenho defensivo.
A equipe sofreu 10 gols em nove rodadas, o dobro do número concedido pelo Arsenal no mesmo período. Os erros individuais também se tornaram recorrentes.
Na derrota para o Aston Villa, Marc Guéhi e Gianluigi Donnarumma tiveram participação em falhas que custaram caro. O zagueiro acabou fora da equipe titular contra o Brighton, mas a mudança não resolveu o problema. Desta vez, Matheus Nunes foi o responsável pelo erro que contribuiu para o resultado negativo.
Maresca já demonstrou confiança absoluta em Donnarumma, a quem considera titular incontestável. Entretanto, a segurança do sistema defensivo como um todo está longe do ideal. O City conseguiu apenas um jogo sem sofrer gols nas últimas oito partidas por todas as competições.
A derrota para o Brighton também marcou a primeira vez em 14 meses que o clube perdeu duas partidas consecutivas pela Premier League. Questionado sobre a repetição dos erros individuais, Maresca afirmou que situações assim fazem parte do futebol, mas ressaltou a necessidade de identificar o que pode ser corrigido.
Meio-campo ainda busca a formação ideal
Outro ponto de atenção está no setor que passou por uma das maiores reformulações do elenco durante a janela de transferências. O Manchester City investiu aproximadamente 327 milhões de libras para renovar o meio-campo após as saídas de Bernardo Silva e Rodri.
Entre os reforços estão Enzo Fernández, contratado por 125 milhões de libras, Elliot Anderson, que custou 116 milhões, e Ayyoub Bouaddi, adquirido por 86 milhões. Este último negócio tornou o jovem o adolescente mais caro da história da Premier League.
Apesar do investimento, Maresca ainda procura a combinação ideal. Habitualmente, o treinador utiliza apenas dois dos novos meio-campistas atrás de um jogador mais avançado. Contra o Brighton, porém, decidiu escalar os três juntos e deixou Rayan Cherki e Phil Foden no banco de reservas.
A escolha foi motivada pelas características físicas do adversário e pela expectativa de enfrentar uma equipe agressiva na marcação individual. Maresca também planejava utilizar jogadores mais ofensivos na etapa final, aproveitando o desgaste do rival.
A estratégia, entretanto, não produziu o resultado esperado. O City teve dificuldades para transformar o controle da partida em oportunidades decisivas. Encontrar o equilíbrio entre intensidade física, criatividade e capacidade de controlar os jogos será uma das principais tarefas do treinador.
Ataque também desperdiça oportunidades
Se a defesa preocupa, o setor ofensivo apresenta sinais de alerta. O Manchester City marcou 20 gols nas primeiras nove rodadas da Premier League, número que mantém a equipe entre os melhores ataques da competição. Ainda assim, os compromissos mais recentes mostraram uma queda importante na capacidade de transformar oportunidades em gols.
Contra o Brighton, o time finalizou 21 vezes sem conseguir balançar as redes. Foi a maior quantidade de finalizações do City em casa sem marcar desde novembro de 2024, quando tentou 23 vezes contra o Tottenham.
Nas duas últimas partidas do campeonato, a equipe marcou apenas um gol, apesar de ter criado nove grandes oportunidades. Erling Haaland recebeu poucas bolas em condições favoráveis, enquanto Iliman Ndiaye teve uma atuação abaixo do esperado e desperdiçou as melhores chances do time em cada tempo.
Maresca lembrou que o City ainda possui o segundo melhor ataque da Premier League, mas reconheceu que os gols sofridos em situações evitáveis estão comprometendo os resultados. A questão, portanto, não é uma ausência generalizada de produção ofensiva, mas a dificuldade de aliar eficiência na frente e segurança na defesa.
Maresca precisa apresentar respostas
O Manchester City terá a oportunidade de interromper a sequência negativa diante do RB Leipzig, na quarta-feira, pela Uefa Champions League. O confronto ganha importância pela necessidade de recuperar a confiança antes da continuidade da Premier League.
Maresca começou sua passagem pelo clube com resultados que diminuíram as dúvidas sobre a difícil missão de suceder Guardiola. As derrotas recentes, entretanto, mostram que o trabalho ainda precisa amadurecer.
O investimento no meio-campo, a confiança em Donnarumma e a capacidade ofensiva do elenco oferecem recursos para uma reação. O desafio está em transformar essas peças em uma equipe equilibrada, capaz de controlar os jogos sem depender exclusivamente de sua força no ataque.
A liderança ainda está ao alcance, mas o momento exige mais do que explicações sobre erros individuais ou falta de eficiência. Maresca precisa encontrar soluções concretas para os problemas que começam a se acumular. Seu primeiro grande teste no Manchester City será provar que consegue corrigir o rumo antes que a sequência negativa comprometa a disputa pelos principais objetivos da temporada.
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