O Marrocos enfrentou a Holanda nos 16 avos de final da Copa do Mundo e mostrou porque tem uma das melhores seleções do mundo. O time africano não se intimidou com a potência europeia do outro lado e, mesmo saindo atrás, a equipe venceu nas penalidades, após empate em um a um no tempo normal, que persistiu na prorrogação.
A Seleção Marroquina teve mais a bola, criou um número bem maior de chances, jogou melhor, teve perto de vencer no tempo normal, consagrando uma bela atuação de Verbruggen, goleiro da Holanda, mas foi uma equipe fria para buscar o empate. Além disso, por muito pouco os marroquinos não venceram na prorrogação, porém, não deixaram passar nos emocionantes pênaltis.
Confira em detalhes como se desenvolveu essa partida histórica para o Marrocos, que é quarto classificado para as oitavas, se unindo a Canadá, Brasil e Paraguai.
Primeiro tempo truncado
A partida começou intensa, amarrada, com as duas equipe lutando por cada palmo de campo. O Marrocos buscava construir pelo meio, enquanto a Holanda tentava recuperar a bola a partir em velocidade pelas pontas. Entretanto, o vigor físico defensivo dos dois times levavam a melhor.
Se na base da criação construída por passes e ultrapassagens não aconteciam, a boa parada poderia ser uma arma letal. Aos 19 minutos, por pouco o Marrocos não abriu o placar. Hakimi cobrou um escanteio na primeira trave com perfeição, El Aynaoui subiu sozinho e testou com força, mas Verbruggen fez uma defesaça, salvando a Holanda.
Logo na sequência, animado pelo lance anterior, o Marrocos conseguiu prevalecer no campo de ataque. Hakimi novamente mostrou porque é o melhor lateral direito do mundo, ele recebeu na direita e conseguiu um chutaço, entretanto, Verbruggen mostrou de novo que estava em uma noite de gala.
Com o meio do campo bem povoado, o Marrocos crescia na partida e dominava as ações no um contra um, enquanto a Holanda forçava ligações diretas e os jogadores falhavam nas tomadas de decisões. Com isso, a Seleção Marroquina só precisava errar menos no último terço do campo.
Na reta final do primeiro tempo a Holanda cresceu um pouco, adiantando as linhas e trabalhando com paciência no campo ofensivo. Essa evolução quase deu resultado em um chutaço de fora da área de Van de Ven, que deu muito trabalho para Bono defender.
E assim, com a leve melhora da Holanda na partida, o jogo ficou mais franco, com os dois times criando oportunidades, mas falhando nos momentos decisivo. Desta forma, os dois times foram para os vestiários iguais no placar depois de uma etapa inicial bem parelha, com os times alternando situações de leve superioridade, mas faltou objetividade.
Holanda deixa escapar a vitória no fim
A etapa complementar voltou com o Marrocos jogando na frente, marcando em cima, ganhando mais batalhas pela posse da bola e sendo protagonista dos melhores momentos do segundo tempo. A superioridade marroquina ganhou contornos claros quando Hakimi parou na trave, aproveitando ótimo passe de Ounahi, logo aos seis minutos.
Apesar de um pouco abaixo, a Holanda tentava subir ao ataque com perigo, apostando na velocidade dos atletas que atuam pelos flancos. Mesmo brigado, o jogo ficava cada vez mais emocionante, pois o Marrocos subia as linhas para pressionar os holandeses e dava espaços em proporções parecidas.
Mesmo com a seleção representante do futebol africano melhor em campo, a Holanda tinha jogadores que podem decidir um jogo a qualquer momento. Num contragolpe bem encaixado, Summerville encontrou bom passe para Gakpo, que não perdoou, abrindo 1 a 0 para os europeus aos 26 minutos.
Após sofrer o gol, a Seleção Marroquina se desorganizou e, mesmo avançando suas linhas, não conseguia criar situações claras, pois se afobava um pouco antes das conclusões. Só que aos 45 minutos do segundo tempo, o estádio explodiu. Depois de um cruzamento da esquerda, Issa Diop, zagueiro, apareceu como se fosse centroavante, igualando a partida com muito drama.

E assim, com muita entrega, o Marrocos empatou e levou a partida para a prorrogação, quando tudo parecia perdido para eles. Enquanto isso, do outro lado, a Holanda tinha que juntar os cacos para tentar vencer nos 30 minutos extras.
Marrocos domina a prorrogação, mas vence nos pênaltis
A prorrogação começou com a Holanda um pouco mais ofensiva, mas o Marrocos trabalhava na retenção da posse de bola e cozinhava o jogo. Entretanto, aos 10 minutos, Rahimi recebeu na área, limpou o lance com muita categoria e finalizou no canto, mas Verbruggen cresceu para cima do atacante e fez uma defesaça. Que jogo!
Até o final do primeiro da prorrogação, o Marrocos manteve a posse de bola, girou o jogo com paciência e não se arriscou mais, demonstrando lucidez e um futebol bem consistente, mas pouco objetivo. Entretanto, a Holanda só cercava e aceitava a superioridade do adversário.
O Marrocos seguia como “dono da bola” no segundo tempo, mas tinha muito receio em pressionar, tocando de um lado para o outro fazendo o jogo passar. A impressão é o que time só finalizaria se a oportunidade fosse realmente muito boa. Enquanto isso, a Holanda marcava e assistia.
Nesta toada o tempo extra seguiu, com as duas equipes parecendo apostar nas penalidades máximas, algo tão arriscado quanto tentar ganhar na prorrogação. A impressão que deu é que se o Marrocos tivesse mais confiança, teria vencido.
Nos pênaltis, a Holanda começou batendo e Koopmeiners marcou com extrema precisão. Já El Ayanoui bateu no travessão, deixando o Marrocos em desvantagem. Só que Kluivert também perdeu para os Países Baixos, deslocando tanto o goleiro que chutou na trave. Com isso, Rahimi tinha a chance de empatar, e empatou, mas com muita emoção, já que Verbruggen por muito pouco não defendeu.
Weghorst bateu muito bem e recolocou a Holanda na frente, mas, logo depois, Talbi igualou para os marroquinos. Na sequência, Timber efetuou uma cobrança constrangedora, chutando muito para fora. Isso deu a oportunidade de Hakimi colocar o Marrocos em vantagem, mas o “dono do time” foi mais um a chutar na trave.
Na última cobrança entre as iniciais, Summerville tinha a responsabilidade de deixar a Holanda na frente, mas mesmo batendo alto, ele viu Bono fazer uma defesaça. E estava nas mãos de Saibari o carimbo na classificação marroquina e o atacante não desperdiçou, garantindo o Marrocos nas oitavas de finais.
Final: Holanda 1(2)x(3)1 Marrocos
(Imagem de capa: Getty Images)



