O UFC Vancouver deixou o público canadense dividido entre empolgação e polêmica. Em uma noite marcada por decisões controversas, Brendan Allen e Mike Malott saíram com as mãos levantadas, mas não sem questionamentos. Agora, o desafio passa a ser outro: definir o próximo passo de cada um no intrincado quebra-cabeça do matchmaking do Ultimate.
Brendan Allen: vitória polêmica, mas um novo nome no topo do peso-médio
No evento principal, Brendan Allen conquistou a maior vitória da carreira ao derrotar o ex-campeão do ONE Championship, Reinier de Ridder, por decisão unânime — um resultado que imediatamente gerou debates entre fãs e analistas. De Ridder, após ser dominado por quatro rounds, “desistiu” da luta no quinto, alegando estar doente e exausto, além de lesionado.
Polêmicas à parte, o resultado foi enorme para o lutador da Kill Cliff FC, que agora soma uma sequência de vitórias e se consolida como um nome em ascensão na categoria dos médios. Com o triunfo, Allen deve dar um salto importante no ranking, se aproximando da zona do top 10, mas ainda sem merecer — ao menos neste momento — um confronto direto contra a elite do top 5.
No atual cenário da divisão, o UFC costuma adotar uma progressão cautelosa com lutadores emergentes. Por isso, o casamento mais lógico seria contra Caio Borralho, dono de um estilo técnico e completo, mas que vem de derrota e precisa se recuperar
Allen x Borralho faria sentido esportivo e comercial: dois atletas em ascensão, estilos contrastantes e uma luta que poderia definir o próximo grande nome da categoria. Além disso, o confronto serviria como uma prova definitiva para ambos — para Allen, a chance de confirmar que pertence à elite; para Borralho, a oportunidade de calar os críticos e mostrar que está pronto para um title shot.
De Ridder e o caminho da redenção: Sean Strickland à vista?
Se Brendan Allen saiu do octógono com a vitória, Reinier de Ridder saiu com respeito. O holandês não mostrou o mesmo grappling sufocante e a inteligência tática que o consagraram em suas últimas lutas no UFC. Mesmo com a derrota, seus desempenhos anteriores agradaram, e ele deve continuar no radar da divisão.
Nesse contexto, um nome surge naturalmente: Sean Strickland. O ex-campeão e provocador de carteirinha seria o adversário ideal para testar a durabilidade e o estilo de De Ridder em uma luta que tem potencial para ser um choque de estilos. Strickland, conhecido por sua trocação precisa e ritmo constante, obrigaria o holandês a colocar em prática todo o seu grappling e resistência física.
Do ponto de vista do UFC, o duelo também tem apelo: Strickland é uma das figuras mais midiáticas da organização e está sempre disposto a enfrentar qualquer oponente, enquanto De Ridder ainda precisa de uma grande vitória dentro do octógono para consolidar sua credibilidade no público americano. Além disso, o confronto permitiria ao UFC reposicionar ambos — Strickland, que vem de altos e baixos, e De Ridder, que busca se recuperar depois da derrota — em um combate que faz sentido técnico e narrativo.
Mike Malott: a nova aposta canadense
No co-main event do UFC Vancouver, outro canadense foi destaque. Mike Malott venceu Kevin Holland por decisão dividida, em mais uma luta marcada por polêmica. Muitos analistas apontaram que Holland foi o atleta mais ativo e criativo, enquanto Malott foi mais econômico, mas eficiente nos momentos-chave. Ainda assim, o resultado oficial foi favorável ao lutador da casa, que garantiu uma vitória essencial para sua ascensão na divisão dos meio-médios (77 kg).
Com o triunfo, Malott deve finalmente entrar no ranking dos 15 melhores da categoria, algo que o UFC já vinha preparando com cuidado. A organização vê no canadense um potencial nome para o futuro, mas também entende que é cedo para lançá-lo contra os tubarões do top 5, como Shavkat Rakhmonov ou Belal Muhammad.
Por isso, a luta ideal seria contra um oponente experiente e perigoso, mas ainda acessível em termos de risco — e Geoff Neal surge como o nome perfeito. Neal é um veterano com poder de nocaute e histórico de boas performances, mas vem oscilando nas últimas apresentações. Um duelo contra Malott serviria para testar o canadense em um novo nível de competição, sem comprometer totalmente sua trajetória de crescimento.
Além do mais, o UFC costuma explorar narrativas regionais e de desenvolvimento: uma vitória de Malott em uma luta equilibrada contra um nome sólido como Neal consolidaria sua imagem como o “novo rosto canadense” do Ultimate, algo que a organização não tem desde a era de Georges St-Pierre.
(Foto: Getty Images)