Matheus Cunha, Manchester United,
Futebol Premier League

Matheus Cunha no United! Porque o brasileiro tem ótimo encaixe mas também é uma aposta arriscada?

A possível chegada de Matheus Cunha ao Manchester United após a temporada levanta tanto empolgação quanto questionamentos. O atacante brasileiro, atualmente no Wolverhampton, é um dos nomes mais interessantes da próxima janela de transferências. Versátil, criativo e imprevisível, ele representa um tipo raro de jogador em um futebol cada vez mais engessado por sistemas táticos rígidos. Cunha é, em essência, um maverick – um fora da curva que joga com leveza e prazer, como ele mesmo definiu: “Não quero entrar em campo e ser um robô. Quero me divertir”.

Essa abordagem se reflete no seu estilo de jogo. É comum vê-lo flutuar entre os setores do ataque, improvisando e criando jogadas inesperadas. No sistema 3-4-3 de Rúben Amorim, provável treinador do United em 2025, Cunha se encaixa naturalmente em uma das funções de meia-atacante (camisa 10). Já desempenha esse papel nos Wolves, contribuindo com gols e assistências. Além disso, sua cláusula de rescisão de £64 milhões oferece uma negociação clara para os Red Devils.

Mas há ressalvas.

O talento de Cunha não está em discussão, mas sua regularidade e comportamento ainda geram dúvidas. Aos 26 anos, está em uma idade considerada ideal para dar um salto na carreira, porém carrega um histórico de instabilidade emocional e comportamento impulsivo, especialmente quando confrontado com críticas ou decisões de técnicos, como ficou evidente em sua reação após ser substituído no Old Trafford em 2023 – mesmo tendo feito uma das suas melhores partidas. No jogo seguinte, reagiu mal à derrota, contestando treinamentos e entrando em atrito com Gary O’Neil. A situação foi contornada, mas expôs o quanto Cunha depende de confiança e acolhimento para render.

“Um dos meus melhores jogos foi contra o United, em Old Trafford, e ele me tirou. Eu comecei a pensar: ‘Meu Deus, essa temporada vai ser difícil com esse treinador. É o meu melhor jogo e ele está me substituindo, o que eu posso fazer?’”

“Eu não tive uma boa reação depois de dois jogos e comecei a fazer loucuras, dizendo que os treinos não estavam bons. Então o Gary veio até mim e disse: ‘Eu estou com você, não sou seu inimigo.’’ Completou Cunha.

Outro ponto preocupante é seu envolvimento com a intensidade defensiva. Dados da Premier League mostram que Cunha é o jogador de linha que mais passa tempo andando em campo, um contraste com a exigência física e tática do sistema de pressão organizado que o United pretende implementar. Ele pode destoar negativamente nesse aspecto.

Em campo, é mais produtivo quando parte da esquerda, onde pode conduzir a bola, cortar para dentro ou servir companheiros com passes diagonais. Apesar de já ter sido improvisado como centroavante, não é um camisa 9 clássico – prefere a bola nos pés do que disputar cruzamentos. Isso o torna uma peça complementar no ataque, não a referência.

Sua criatividade é celebrada por companheiros como Rodrigo Gomes, que destacou a capacidade de Cunha em decidir jogos a qualquer momento. Nelson Semedo, que já jogou com Messi e Cristiano Ronaldo, também o elogia, dizendo que Cunha está “em seu auge”. Mas até mesmo esses elogios vêm acompanhados da noção de que se trata de um jogador diferente, quase excêntrico.

Impacto de Matheus Cunha na chegada ao United?

No fim das contas, a contratação de Matheus Cunha representa um ato de equilíbrio para o Manchester United. Tecnicamente, é um reforço de impacto – talentoso, versátil e capaz de transformar jogos. Mas emocional e taticamente, é uma aposta. Se conseguir encontrar um ambiente que o valorize sem abrir mão da disciplina exigida por um clube do tamanho do United, Cunha tem potencial para se tornar ídolo em Old Trafford. Caso contrário, pode se perder no meio do caminho, como tantos outros talentos promissores.

Foto: Wolverhampton