McGregor x Holloway
Lutas UFC

Max Holloway dá aula de respeito antes do UFC 329 e evita entrar no jogo de Conor McGregor

Max Holloway chega ao UFC 329 como um dos maiores nomes da história do peso-pena e atual campeão dos leves, mas, curiosamente, parece novamente ocupar o papel de coadjuvante. Afinal, quando o adversário é Conor McGregor, quase tudo gira em torno do irlandês. A coletiva de imprensa do evento deixou isso ainda mais evidente: enquanto o retorno de “The Notorious” monopolizou os holofotes, Holloway mostrou que sua maior resposta continua sendo a mesma de sempre, falar pouco e deixar o trabalho para dentro do octógono.

O confronto deste sábado, em Las Vegas, coloca frente a frente dois veteranos que trilharam caminhos completamente diferentes ao longo da última década. McGregor construiu sua carreira com provocações, frases de efeito e uma capacidade quase única de transformar qualquer coletiva em um espetáculo. Holloway, por outro lado, preferiu deixar que suas performances falassem por ele.

Treze anos depois do primeiro encontro entre eles, pouca coisa mudou para o havaiano. E talvez justamente aí esteja sua maior qualidade.

Holloway foi vaiado, mas não perdeu a calma

A coletiva do UFC 329 mostrou como McGregor continua sendo uma das figuras mais populares do esporte.

Sempre que o irlandês pegava o microfone, a torcida reagia com entusiasmo. Já Holloway precisou lidar com um cenário bem diferente.

O havaiano foi recebido com uma sonora vaia na T-Mobile Arena, em Las Vegas.

O curioso é que a cidade costuma tratar Holloway com enorme carinho.

Foi justamente ali que ele protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história recente do UFC, quando nocauteou Justin Gaethje nos segundos finais do UFC 300 para conquistar o cinturão simbólico do BMF.

Naquela noite, Holloway fez muito mais do que vencer.

Com dez segundos restantes e já dominando completamente a luta, chamou Gaethje para a trocação no centro do octógono, apontando para o chão em um gesto que rapidamente entrou para a história do MMA.

O resultado foi um nocaute cinematográfico praticamente junto ao cronômetro zerado.

Ainda assim, desta vez, a torcida escolheu outro lado.

McGregor tentou provocar, Holloway respondeu com bom humor

Como já virou tradição nas coletivas envolvendo Conor McGregor, as provocações fizeram parte do roteiro.

O irlandês afirmou que pretende aposentar Holloway no UFC 329 e ainda criticou o nível do boxe apresentado pelo rival.

Qualquer outro lutador talvez aproveitasse o momento para elevar ainda mais a temperatura.

Holloway preferiu outro caminho. Com um sorriso no rosto, respondeu que, na verdade, o boxe de McGregor era apenas “bysmal”, fazendo um trocadilho com a palavra “abysmal” utilizada pelo irlandês.

Foi uma resposta rápida, bem-humorada e suficiente para arrancar risadas sem transformar a coletiva em um festival de ataques pessoais.

Essa postura resume boa parte da carreira do havaiano. Enquanto muitos tentam vencer entrevistas, Holloway sempre demonstrou preferência por vencer lutas.

O mesmo Max de treze anos atrás

A maior diferença entre os dois talvez esteja justamente na forma como atravessaram o tempo.

Quando enfrentaram-se pela primeira vez, em 2013, McGregor já despontava como a grande sensação do UFC.

O irlandês chegava cercado por expectativa, colecionava manchetes e parecia destinado a mudar completamente o esporte.

Holloway era apenas um jovem de 21 anos tentando encontrar espaço dentro da organização. Pouca gente imaginava o tamanho da carreira que construiria dali para frente. Treze anos depois, o havaiano acumula um currículo impressionante.

Foi campeão dos penas, defendeu o cinturão três vezes e protagonizou algumas das apresentações mais marcantes da história recente do UFC.

Entre elas está a vitória sobre Calvin Kattar, quando estabeleceu o recorde de golpes significativos em uma única luta e ainda encontrou tempo para olhar para os comentaristas durante o combate e declarar que era “o melhor boxeador do UFC”.

Mais recentemente, eternizou seu nome ao nocautear Justin Gaethje em um dos finais mais espetaculares que o esporte já viu.

Holloway evitou atacar McGregor fora do esporte

Talvez o momento que melhor represente o caráter de Holloway nesta semana nem tenha acontecido diante das câmeras.

Ao longo dos últimos anos, McGregor acumulou diversas polêmicas fora do octógono, incluindo problemas judiciais e outros episódios que afetaram profundamente sua imagem pública.

Seria extremamente fácil para Holloway utilizar qualquer um desses assuntos como munição durante a promoção da luta.

Principalmente em uma época na qual entrevistas polêmicas costumam gerar enorme repercussão nas redes sociais.

Ele simplesmente escolheu não fazer isso. Durante toda a semana do UFC 329, o havaiano manteve o foco exclusivamente no aspecto esportivo.

Nem processos judiciais, nem acusações, nem episódios controversos foram utilizados como ferramenta para provocar o adversário.

Foi uma decisão que chamou atenção justamente porque contrasta com o ambiente normalmente criado em grandes eventos do UFC.

Respeito também vende lutas

Muitos acreditam que apenas rivalidades recheadas de ataques pessoais conseguem vender grandes eventos.

O UFC 329 mostra que isso nem sempre é verdade. Segundo Dana White, a edição já estabeleceu o recorde de maior arrecadação de bilheteria da história da organização.

Ou seja, o duelo entre McGregor e Holloway não precisou ultrapassar determinados limites para despertar o interesse do público.

Existe respeito entre os atletas. Existe rivalidade. E existe, acima de tudo, uma enorme curiosidade para descobrir como McGregor responderá após cinco anos afastado do octógono.

O papel de protagonista continua sendo conquistado na luta

Durante boa parte da semana, parecia que o UFC promovia muito mais o retorno de McGregor do que propriamente uma luta entre dois grandes nomes.

É um cenário parecido com aquele vivido por Holloway em 2013. Na época, o havaiano aparecia apenas como mais um adversário do fenômeno irlandês.

Hoje, mesmo dono de um currículo extraordinário, ainda precisa dividir praticamente todos os holofotes com o rival. A diferença é que Holloway não parece incomodado com isso.

Quando foi vaiado durante a coletiva, simplesmente esperou o barulho diminuir antes de responder de maneira tranquila. Disse apenas que tudo seria resolvido no sábado. Poucas palavras. Muito significado.

No fim das contas, talvez seja justamente essa consistência que transforme Max Holloway em um dos atletas mais respeitados do MMA moderno. Enquanto Conor McGregor passou por inúmeras mudanças ao longo da carreira, dentro e fora do octógono, o havaiano permaneceu praticamente o mesmo desde o início de sua trajetória.

Ele continua sendo o lutador que prefere responder com combinações de golpes em vez de frases de efeito, que não precisa transformar entrevistas em espetáculos para vender uma luta e que entende que respeito e competitividade podem caminhar juntos.

Agora, resta saber se essa postura será suficiente para estragar a festa do retorno mais aguardado do UFC nos últimos anos. Afinal, Holloway já deixou claro durante toda a semana que sua maior declaração não será feita em uma coletiva de imprensa, mas sim quando a porta do octógono se fechar no UFC 329.

Foto: Getty Images