Com Kylian Mbappé em campo, a preocupação no entorno da Seleção Brasileira neste momento não é exagero: o duelo contra a França nesta quinta-feira (26) coloca frente a frente uma das defesas mais questionadas do momento e um ataque capaz de punir qualquer erro em segundos. Com desfalques no setor defensivo e um sistema ainda em ajuste, o Brasil encara um teste que pode expor fragilidades estruturais, especialmente do meio para trás.
Toda apreensão tem nome e sobrenome: Mbappé e Ousmane Dembélé. Donos de velocidade explosiva e capacidade de desequilíbrio no um contra um, ambos são especialistas em explorar espaços, exatamente o tipo de cenário que o Brasil tem cedido com frequência.
Mais do que jogadas individuais, o perigo está na forma como a França acelera após recuperar a bola. Em poucos toques, ambos já estão atacando a última linha, forçando decisões rápidas de zagueiros e laterais, e qualquer desorganização da Seleção poderá se converter em gols para o adversário.
O maior problema brasileiro não está apenas na linha defensiva, mas no comportamento coletivo após a perda da posse. A chamada transição defensiva tem sido um ponto crítico: com muitos jogadores à frente da bola, o time demora a recompor, deixando o meio-campo aberto.
Contra adversários menos qualificados, esse risco passa despercebido. Mas diante da França, cada perda de bola pode se transformar em contra-ataque letal, e sem pressão imediata ou faltas táticas para interromper a jogada, a defesa fica exposta em inferioridade numérica.
Outro setor sob forte análise são as laterais. No futebol atual, os laterais têm papel ofensivo importante, mas isso cobra um preço defensivo. Quando avançam simultaneamente (ou sem cobertura adequada) abrem espaços que podem ser explorados com facilidade. É justamente nesses corredores que jogadores como Dembélé encontram terreno ideal.
Se o ponta francês recebe em velocidade contra um lateral desprotegido, a vantagem é clara, e além disso, a dobra defensiva (com ajuda de um meio-campista) nem sempre acontece no tempo correto, ampliando o problema.
Falta de coordenação defensiva poderá ser fatal contra Mbappé e Dembele
Mais do que falhas individuais, há uma questão coletiva: a linha defensiva brasileira tem mostrado dificuldades de coordenação. O sincronismo entre zagueiros e laterais, essencial para manter o time compacto, não está funcionando de forma regular nem mesmo sob o comando de Carlo Ancelotti, e contra atacantes inteligentes e rápidos, esses detalhes fazem toda a diferença. Mbappé, por exemplo, é especialista em atacar o espaço entre zagueiro e lateral, justamente onde a desorganização costuma aparecer.
A dúvida que paira é se essas fragilidades são resultado de desfalques pontuais ou de um problema mais profundo no modelo de jogo. Caso o Brasil não consiga equilibrar melhor seu sistema protegendo a defesa desde o meio-campo e ajustando o posicionamento coletivo, a tendência é sofrer diante de um ataque tão eficiente com Mbappé e Dembele. Por outro lado, uma atuação sólida pode indicar evolução e capacidade de adaptação.
No fim, o duelo contra Mbappé e Dembélé não será apenas um desafio individual, mas um teste coletivo para entender até que ponto a Seleção Brasileira consegue corrigir seu maior problema atual: a consistência defensiva.
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