Mbappé Real Madrid
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Mbappé se vê sozinho no Real Madrid

O atacante Kylian Mbappé vive uma grande fase neste início de temporada no Real Madrid, fazendo valer o peso da camisa 10 nas costas e colocando fogo na LaLiga a cada rodada. Até o clássico contra o Atlético de Madrid neste fim de semana, o francês era o grande nome do clube merengue, carregando nas costas o ótimo começo da equipe. Mas o dérbi madrilenho serviu como balde de água fria: expôs as reais condições do time comandado por Xabi Alonso. Hoje, o Real depende quase que exclusivamente do brilho do Tartaruga Ninja, enquanto seus companheiros ainda parecem em pré-temporada.

Dos 18 gols marcados pelo Real Madrid até aqui na campanha 2025/26, nada menos do que 10 foram de Mbappé. Isso mesmo: mais da metade. O camisa 10 só passou em branco contra o Mallorca, mas fora isso, balançou as redes contra todo mundo, com direito a golaços, arrancadas e aquela frieza característica diante dos goleiros. O número é ainda mais impressionante quando lembramos que ele chegou ao clube há pouco mais de um ano. Na temporada passada, apesar da seca de títulos, saiu com a Chuteira de Ouro da Europa. E pelo andar da carruagem, essa história pode se repetir.

Nessas outras oito partidas em que o francês não resolveu sozinho, o time contou com lampejos de Arda Güler, Éder Militão, Vinícius Júnior e o jovem Franco Mastantuono, uma das grandes promessas recém-contratadas pelo Real Madrid junto ao River Plate. Mas apesar dessas alternativas, a dependência por Mbappé é clara, e perigosa. O Real Madrid, maior campeão da história da Champions League, se tornou uma equipe previsível. Quando o camisa 10 não consegue decidir, o time todo sofre.

Mbappé destoou de um Real Madrid desorganizado no clássico

Real Madrid x Levante Mbappé

 

O clássico contra o Atlético de Madrid foi um exemplo disso. O Real até começou bem, chegou a abrir o placar e dava a sensação de que conseguiria se impor no Metropolitano. Mbappé, como de costume, teve presença marcante, buscou jogo, finalizou, tentou movimentar o ataque. Mas sem apoio ofensivo, acabou sobrecarregado. Foi obrigado a sair da área diversas vezes para tentar armar o próprio jogo. Em alguns momentos, parecia um camisa 9, 10 e 11 ao mesmo tempo. Já o Atlético, muito mais encaixado, com entrosamento e força física, dominou o segundo tempo e virou o jogo com autoridade.

O contraste de atuações entre os dois elencos foi gritante. Enquanto Simeone viu sua equipe trabalhar como um relógio suíço, com Julian Alvarez em noite inspirada e o meio-campo atropelando, Xabi Alonso se viu preso na própria estratégia. O técnico espanhol tem apostado em um rodízio no ataque, já testando nomes como Rodrygo, Brahim Díaz, Gonzalo García e até mesmo Vinícius Júnior, que ainda busca recuperar o ritmo após atuações fracas.

Só que entre todas essas variações ofensivas, Mbappé é intocável. Nenhum jogador tem números parecidos, nem presença em campo. Ele chegou com cautela na temporada passada, respeitando o vestiário e o ambiente, mas agora já assumiu a liderança técnica do time. A dúvida que fica é: o Real vai conseguir montar uma equipe à altura do seu astro?

Basta agora saber se as contratações pontuais do Real Madrid conseguirão dar mais apoio a Kylian Mbappé. Até agora, ele tem feito o papel de protagonista com louvor, mas futebol, no fim das contas, é coletivo. E carregar o piano sozinho não é tarefa fácil, nem mesmo para quem tem explosão de super-herói.

A temporada é longa. Champions, LaLiga, Copa do Rei, o calendário é apertado e exigente. Mbappé pode continuar empilhando gols, quebrando recordes e sendo manchete. Mas se o Real Madrid quiser voltar a ser dominante na Europa, vai precisar mais do que um craque isolado. Vai precisar de um time que jogue por ele, e com ele.

Foto: DANI SANCHEZ