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Conor McGregor diminui desafiantes ao cinturão BMF e diz querer o título

Conor McGregor voltou aos holofotes ao comentar a luta entre Max Holloway e Charles Oliveira pelo cinturão BMF no UFC 326. Como de costume, o irlandês não apenas opinou, mas desdenhou da disputa, afirmou que o título não tem legitimidade nessa categoria e ainda se colocou como possível desafiante ao vencedor, sugerindo que poderia enfrentar qualquer um deles em uma divisão acima para disputar novamente o cinturão simbólico de “mais casca-grossa”.

A declaração reacendeu o debate sobre um tema recorrente nos últimos anos: Conor McGregor ainda tem credibilidade esportiva para falar como protagonista ou vive apenas do personagem provocador que construiu?

McGregor disse que não vê sentido na disputa do BMF no peso leve, argumentando que o título nasceu nos meio-médios e que cortar peso para 70 kg contradiz o conceito de “mais durão”. Ele afirmou que se sente “supremamente confiante” para vencer Holloway ou Oliveira e que poderia “parar os dois” caso enfrentasse o vencedor.

Além disso, McGregor sugeriu que poderia subir de categoria e tomar o cinturão para si, reforçando que ainda se considera um dos nomes mais perigosos do esporte. O problema maior nisso é que o ex-campeão duplo do UFC está muito tempo inativo, o que gera dúvidas sobre como ele irá se comportar no futuro.

O peso da história ainda sustenta McGregor

Para analisar se essa fala tem credibilidade, é preciso lembrar quem foi McGregor no auge. Ele foi campeão simultâneo dos penas e dos leves, algo inédito no UFC, e se tornou o maior vendedor de pay-per-view da história da organização.

Conor McGregor ainda vive dos cinturões conquistados há tempos atrás
Conor McGregor ainda vive dos cinturões conquistados há tempos atrás (Imagem: Esther Lin, MMA Fighting)

O estilo agressivo de McGregor, somado à habilidade incomum no boxe para o MMA, fez com que ele dominasse nomes como José Aldo, Eddie Alvarez e vencesse o próprio Holloway, ainda em início de carreira.

Esse passado explica por que qualquer declaração dele ainda repercute. Mesmo sem lutar há anos, McGregor continua sendo um dos atletas mais populares do planeta e, para o UFC, qualquer possibilidade de retorno envolvendo seu nome automaticamente se torna um grande evento.

A própria negociação para sua volta segue sendo tema constante, com o irlandês dizendo recentemente que ainda discute com a organização quando e contra quem irá lutar. E a expectativa para o bombástico UFC na Casa Branca coloca McGregor como uma das principais estrelas.

Do ponto de vista histórico, portanto, existe sim base para que ele se coloque como possível desafiante. O UFC já mostrou inúmeras vezes que, quando McGregor quer lutar por um cinturão, mesmo sem sequência de vitórias, a empresa considera a ideia por razões comerciais.

O problema é que o cenário esportivo atual é completamente diferente. McGregor não luta desde 2021, quando sofreu uma grave lesão na trilogia contra Dustin Poirier, e desde então, teve retornos cancelados por problemas físicos e negociações não concluídas.

Enquanto isso, Max Holloway e Charles Oliveira seguem ativos, enfrentando adversários de elite e disputando cinturões, ainda que o BMF seja um título simbólico criado em 2019 para promover lutas especiais.

Essa diferença de atividade pesa muito na percepção do público e dos analistas. Nas redes sociais e fóruns especializados, muitos fãs reagiram às declarações com ironia, dizendo que o “BMF de verdade é quem está lutando”, enquanto outros afirmaram que McGregor vive do passado e tenta se manter relevante com provocações.

Esse tipo de reação mostra que, embora ainda tenha enorme fama, o irlandês já não é visto automaticamente como ameaça real dentro do octógono. Mas também é importante entender o estilo provocador de McGregor.

Desde o início da carreira no UFC, ele construiu sua imagem com declarações polêmicas, desafios inesperados e previsões exageradas. Muitas vezes, essas falas não significam que a luta realmente vai acontecer, mas servem para manter seu nome no centro das atenções.

Nesse caso específico, a estratégia parece clara. O duelo entre Holloway e Oliveira tem grande visibilidade, e ao se colocar como possível desafiante, McGregor se insere na narrativa do evento sem precisar lutar. Ao mesmo tempo, deixa aberta a porta para o UFC usá-lo caso precise de um grande combate para vender um card futuro.

Não seria a primeira vez. Ao longo da carreira, Conor McGregor já recebeu oportunidades de cinturão sem sequência recente de vitórias, justamente por ser o maior astro da organização.

Credibilidade dividida entre legado e presente

No fim das contas, a declaração de McGregor tem dois lados. Do ponto de vista histórico e comercial, ele tem credibilidade suficiente para se colocar como desafiante de qualquer um. Seu nome ainda vende, e o UFC sabe disso.

Mas do ponto de vista esportivo atual, o discurso soa mais como provocação do que como realidade. A falta de lutas recentes, as lesões e o tempo afastado diminuem a confiança de que ele realmente voltaria no mesmo nível de antes.

Por isso, a fala sobre disputar novamente o cinturão BMF não pode ser levada totalmente ao pé da letra, mas também não pode ser ignorada. Com McGregor, a provocação quase sempre é parte do jogo. E, mesmo quando parece apenas marketing, muitas vezes acaba virando luta de verdade.

(Imagem de capa: Chris Unger/Zuffa LLC)