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McGregor retorna ao UFC para enfrentar Holloway; o que esperar da volta do ‘Notorious’

O retorno de Conor McGregor ao UFC representa um dos momentos mais importantes do MMA nos últimos anos. Depois de um longo período afastado do octógono, cercado por lesões, polêmicas e dúvidas sobre sua continuidade no esporte, o irlandês voltará a lutar justamente contra um dos nomes mais respeitados da atual geração: Max Holloway.

A luta carrega enorme peso esportivo, comercial e histórico.

McGregor não luta oficialmente desde julho de 2021, quando sofreu a grave fratura na perna durante a trilogia contra Dustin Poirier. Desde então, o irlandês passou a conviver com questionamentos constantes sobre sua real motivação para competir em alto nível novamente. Afinal, diferente do início da carreira, McGregor já não precisa mais lutar por dinheiro, fama ou reconhecimento. Ele se tornou um fenômeno global que ultrapassa completamente o universo do MMA.

Mesmo assim, sua presença continua mudando o esporte.

O UFC sabe que nenhum outro lutador da atualidade consegue gerar números parecidos em vendas, audiência e repercussão mundial. E justamente por isso o retorno contra Holloway foi tratado como um evento gigantesco pela organização.

Mas a grande questão vai além do impacto comercial: qual versão de Conor McGregor voltará ao octógono?

O McGregor dominante parece distante do auge

Durante seu auge entre 2015 e 2016, McGregor transformou completamente o UFC. O irlandês não era apenas um campeão dominante dentro do cage, mas também uma figura revolucionária na forma de promover lutas. Seu trash talk agressivo, confiança extrema e estilo ofensivo fizeram dele o maior fenômeno comercial da história do MMA moderno.

Dentro do octógono, os números impressionavam.

McGregor conquistou o cinturão dos penas após nocautear José Aldo em apenas 13 segundos, no que até hoje segue como o nocaute mais rápido em disputas de título da história do UFC. Depois, também conquistou o cinturão dos leves ao destruir Eddie Alvarez, se tornando o primeiro lutador simultaneamente campeão em duas categorias diferentes da organização.

Naquele período, McGregor parecia praticamente imparável.

Seu controle de distância, precisão no contra-ataque e capacidade de administrar pressão psicológica colocavam o irlandês em um nível diferente dentro do esporte. Além disso, sua movimentação em pé era extremamente difícil de ler, principalmente pela combinação entre base aberta, potência na mão esquerda e excelente leitura de tempo.

O problema é que muita coisa mudou desde então.

Nos últimos anos, McGregor lutou pouco, acumulou derrotas importantes e passou a demonstrar problemas físicos e técnicos que antes não apareciam com tanta frequência. Desde 2016, o irlandês venceu apenas uma luta no UFC, justamente contra Donald Cerrone, em janeiro de 2020.

Além disso, a grave lesão sofrida contra Poirier aumentou ainda mais as dúvidas sobre sua explosão física e capacidade de movimentação.

Outro ponto importante envolve o próprio estilo de vida do lutador.

McGregor passou anos extremamente focado em negócios, aparições públicas e projetos fora do esporte. Em vários momentos, parte da imprensa especializada questionou se o irlandês ainda possuía a disciplina competitiva necessária para voltar ao mais alto nível do UFC.

E justamente por isso a luta contra Holloway se torna tão interessante.

Holloway representa um dos testes mais perigosos possíveis

Foto: by Jeff Bottari/Zuffa LLC via Getty Images

Se o UFC realmente quisesse facilitar o retorno de McGregor, provavelmente teria escolhido um adversário menos perigoso.

Porque Max Holloway representa um dos desafios mais difíceis possíveis para alguém retornando após tanto tempo parado.

O havaiano é considerado um dos lutadores mais completos e resistentes da história das categorias leves e penas. Ex-campeão peso-pena, Holloway construiu carreira baseada em pressão constante, volume absurdo de golpes e capacidade impressionante de absorver dano.

Os números ajudam a explicar isso.

Holloway lidera diversos recordes ofensivos na história do UFC, incluindo golpes significativos conectados. Seu ritmo costuma desgastar adversários ao longo dos rounds, algo que pode se tornar ainda mais perigoso contra um McGregor que retorna após longo período sem competir.

E existe também um detalhe histórico importante.

Os dois já se enfrentaram em 2013, quando McGregor venceu Holloway por decisão unânime. Porém, aquele cenário era completamente diferente do atual. Holloway ainda era muito jovem e estava longe do auge técnico apresentado nos últimos anos.

Hoje, muitos analistas enxergam o havaiano como lutador muito mais completo do que naquela primeira luta.

Além disso, Holloway chega em ritmo competitivo muito superior. Enquanto McGregor praticamente desapareceu do octógono nos últimos anos, o havaiano continuou enfrentando adversários de elite regularmente.

Isso pode pesar muito principalmente nos rounds mais longos.

Retorno vale mais do que apenas resultado

Independentemente do resultado, o retorno de McGregor já representa enorme acontecimento para o UFC.

Poucos atletas na história do esporte conseguiram gerar impacto cultural parecido. Mesmo longe do auge competitivo, o irlandês continua sendo uma das figuras mais populares e rentáveis do MMA mundial.

O próprio UFC entende isso claramente.

A organização sabe que McGregor movimenta audiência, patrocinadores, redes sociais e vendas de pay-per-view em um nível praticamente inalcançável para qualquer outro lutador atual.

Mas esportivamente, o combate também pode definir muita coisa.

Uma vitória sobre Holloway recolocaria McGregor imediatamente entre os principais nomes do UFC e abriria caminho para novas superlutas. Por outro lado, uma derrota aumentaria ainda mais a sensação de que o auge competitivo do irlandês realmente ficou no passado.

E talvez seja justamente isso que torna esse retorno tão fascinante.

Porque pela primeira vez em muitos anos, McGregor parece entrar em uma luta carregando mais dúvidas do que certezas.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique