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Automobilismo Fórmula 1

McLaren aposta em nova asa traseira para ganhar velocidade em Monza

A McLaren chega ao GP da Itália de Fórmula 1 com uma novidade importante em seu carro. A equipe vai utilizar pela primeira vez em uma corrida sua nova asa traseira de baixo arrasto, batizada de H-Wing. O componente é uma evolução de um conceito que já apareceu em outros carros do grid e foi desenvolvido pensando especialmente em pistas nas quais a velocidade em reta tem grande peso.

O nome também chama atenção por um motivo comercial. A letra “H” faz referência à Etihad Airways, parceira da equipe e marca presente na asa traseira. A estratégia lembra o antigo F-Duct, quando uma solução técnica também ganhou um nome que ajudava a valorizar um patrocinador.

A estreia em Monza não aconteceu por acaso. A McLaren tentou avaliar o conceito anteriormente, mas chegou a desistir de utilizá-lo na Áustria após o componente não apresentar o comportamento esperado nos testes finais. Depois de novos trabalhos e avaliações, a equipe conseguiu validar a solução e agora decidiu levá-la para uma situação real de corrida.

Nova asa pode melhorar velocidade e eficiência em Monza

O principal objetivo da H-Wing é reduzir o arrasto aerodinâmico quando o carro está em alta velocidade. Em uma pista como Monza, conhecida pelas longas retas e fortes freadas, diminuir a resistência do ar pode representar um ganho importante de desempenho. Por isso, a novidade foi planejada para uma das pistas mais adequadas ao conceito.

A ideia é permitir que a parte superior da asa traseira altere sua posição quando o carro entra no modo de reta. Com menos resistência ao avanço, o monoposto consegue atingir velocidades maiores sem precisar sacrificar tanto desempenho. Na prática, isso pode ajudar tanto na velocidade máxima quanto nas disputas por posição.

Existe, porém, um equilíbrio delicado. Uma asa traseira não serve apenas para produzir velocidade em reta. Ela também tem papel importante na estabilidade do carro durante frenagens e curvas. Em Monza, os pilotos precisam frear de maneira muito agressiva depois de longos trechos de aceleração. Portanto, reduzir o arrasto demais pode trazer consequências negativas se o carro perder estabilidade.

Esse é um dos motivos pelos quais a equipe foi cautelosa durante o desenvolvimento. O conceito adiciona complexidade ao comportamento aerodinâmico do carro, principalmente na transição entre o funcionamento normal e o modo de reta. A McLaren preferiu esperar até ter mais confiança antes de colocar a solução definitivamente em competição.

Outro possível ganho está na eficiência geral do carro. Se a equipe conseguir combinar menor arrasto com níveis adequados de carga aerodinâmica, poderá ter um monoposto mais competitivo nas diferentes partes do circuito. Além da H-Wing, a McLaren levará pequenas atualizações aerodinâmicas e outras opções de baixo arrasto para comparar os resultados durante os treinos.

A questão, portanto, não será simplesmente saber se a nova asa é mais rápida. Os engenheiros precisarão encontrar a configuração que melhor combine velocidade, estabilidade nas freadas, comportamento nas chicanes e gerenciamento de energia. Em uma categoria decidida por margens pequenas, uma solução aparentemente simples pode fazer diferença no resultado final.

McLaren reage e Norris volta a sonhar com o topo

A chegada da nova asa acontece em um momento de recuperação da McLaren. Lando Norris venceu as últimas duas provas, na Hungria e na Holanda, resultados que deram novo ânimo à equipe depois de uma primeira parte de 2026 abaixo das expectativas. O time havia perdido parte do domínio demonstrado nos últimos anos e precisou trabalhar intensamente para recuperar desempenho.

As atualizações introduzidas ao longo da temporada começaram a produzir resultados mais claros. O pacote utilizado na Hungria, por exemplo, ajudou a equipe a voltar à disputa por vitórias. A sequência de triunfos mostrou que o carro ainda tinha potencial para reagir, embora a própria equipe reconheça que cada circuito apresenta desafios diferentes.

Na tabela de construtores, a McLaren tem 263 pontos, atrás da Ferrari, com 338, e da Mercedes, líder com 425. A distância ainda é considerável, mas a evolução recente diminuiu parte da preocupação. O objetivo agora é transformar o bom momento de Norris em uma tendência, e não apenas em uma sequência pontual de resultados.

No Mundial de Pilotos, Norris soma 159 pontos e ocupa a quarta posição. Kimi Antonelli lidera com 242, enquanto George Russell e Lewis Hamilton aparecem empatados com 183. O britânico e atual campeão ainda está distante da liderança, mas as duas vitórias consecutivas recolocaram seu nome no pelotão que disputa as primeiras posições.

Por isso, o GP da Itália terá importância maior do que simplesmente testar uma nova peça. A McLaren precisa descobrir se sua recuperação pode funcionar também em um circuito completamente diferente de Hungaroring e Zandvoort. A própria equipe reconhece que os rivais continuam desenvolvendo seus carros e que as margens na frente são pequenas.

A H-Wing surge, então, como mais uma tentativa de extrair desempenho de um projeto que ainda tem potencial. Se funcionar como esperado, poderá ajudar Norris e Oscar Piastri justamente em uma das áreas mais importantes de Monza: a velocidade nas retas. Mais do que uma mudança de nome ou uma novidade visual, a asa representa a tentativa da McLaren de transformar sua recuperação recente em algo consistente para o restante da temporada.

Foto: MotorSport Images