A McLaren foi uma das principais surpresas do GP de Miami, realizado no fim de semana passado, após um mês de interrupção da Fórmula 1. A equipe britânica mostrou um salto de desempenho consistente e chamou atenção tanto na sprint quanto na corrida principal. Além da dobradinha na prova curta, Lando Norris e Oscar Piastri completaram o pódio no domingo, em uma corrida vencida por Kimi Antonelli.
O resultado reforça um momento de evolução técnica e estratégica da equipe. Depois de um início de 2026 irregular, a McLaren parece finalmente ter encontrado um caminho sólido, com ajustes necessários dentro do pacote de atualizações.
Com isso, uma dúvida passou a circular no paddock: será que as Papaias podem desafiar o domínio da Mercedes ainda em 2026? A equipe alemã lidera com folga o Mundial de Construtores após quatro provas disputadas, com 180 pontos – Ferrari tem 110, enquanto a McLaren soma 94.
Ainda assim, o desempenho recente da McLaren abre margem para uma disputa mais acirrada ao longo da temporada.
A esperança de Oscar Piastri
Um dos principais sinais de otimismo vem de Oscar Piastri. O australiano foi vice-líder da sprint e terminou a corrida principal em terceiro lugar, consolidando um fim de semana muito positivo. Mais do que os resultados, o piloto destacou o ritmo competitivo do carro como um fator animador.
“Acho que, especialmente na prova de Sprint deste fim de semana, conseguir uma dobradinha em termos de ritmo puro foi uma grande surpresa para nós. Então, as coisas estão funcionando bem.”
A fala evidencia que o desempenho não foi apenas circunstancial, mas resultado de uma evolução planejada. A McLaren conseguiu extrair mais velocidade e consistência, algo essencial para disputar com equipes de ponta.
“Esperávamos que as melhorias fossem um bom passo em frente, e foram, e esperamos que continuem a ser no Canadá.”
O comentário reforça a expectativa de continuidade no crescimento da equipe. Se as atualizações seguirem entregando resultados, a McLaren pode se consolidar como uma presença constante no pódio — e, eventualmente, na briga por vitórias.
McLaren ainda precisa se provar
Apesar do otimismo, ainda há pontos que pedem cautela. O GP de Miami apresentou condições específicas, e o verdadeiro teste será manter o desempenho em pistas com características diferentes. Circuitos mais técnicos ou com exigências distintas podem revelar limitações que ainda não apareceram.
Além disso, a Mercedes não ficou parada. A equipe alemã deve trazer atualizações importantes para o GP do Canadá, o que pode ampliar novamente a vantagem ou, no mínimo, dificultar a aproximação das rivais.
O próprio Piastri reconhece esse cenário com uma visão mais equilibrada.
“Obviamente, teremos que esperar para ver o que a Mercedes trará, porque eles não trouxeram muita coisa neste fim de semana e ainda estavam – tanto na classificação quanto na corrida principal – provavelmente iguais, se não um pouco mais rápidos, em uma volta.”
A declaração mostra que, mesmo com o bom desempenho, a McLaren ainda não superou a principal referência do grid. A Mercedes segue competitiva mesmo sem atualizações significativas, o que reforça sua força estrutural.
Esse contexto indica que a disputa ainda está em aberto. A McLaren deu um passo importante, mas precisa confirmar sua evolução em diferentes cenários antes de ser considerada uma ameaça constante.
Nos bastidores da Fórmula 1, a Mercedes ainda é apontada como favorita. A consistência, a experiência e o histórico recente pesam a favor da equipe alemã. No entanto, a McLaren está evoluindo, conta com uma estrutura sólida e demonstra capacidade de desenvolvimento ao longo da temporada.
Se mantiver esse ritmo de crescimento, a equipe britânica tem tudo para se firmar como a principal desafiante do ano e transformar a disputa pelo topo em algo mais equilibrado e imprevisível.
Foto: XPB Images