Automobilismo Fórmula 1

McLaren: Lembre 3 disputas protagonizadas por pilotos da equipe

A temporada 2025 da Fórmula 1 está sendo escrita em ritmo de duelo. Oscar Piastri e Lando Norris protagonizam uma disputa direta e equilibrada pelo título mundial, vestindo o mesmo uniforme da McLaren.

A equipe britânica, confiante no profissionalismo de seus dois pilotos, optou por uma postura rara no automobilismo moderno: liberdade total para que seus pilotos se enfrentem.

Com apenas poucos pontos de diferença entre eles (284 a 275 a favor de Piastri), cada corrida tem o peso de uma final, trazendo à tona lembranças de outras temporadas em que a McLaren viveu intensas batalhas internas na briga pelo campeonato.

Essa não é a primeira vez que o time de Woking se vê dividido entre dois talentos lutando por glória individual. Ao longo da história, a McLaren foi palco de algumas das rivalidades mais marcantes da F1, momentos em que os maiores adversários estavam sentados lado a lado no mesmo box.

Relembre três temporadas históricas em que a McLaren viveu intensamente esse dilema e o que aconteceu quando deixou seus pilotos livres para decidirem o título na pista.

1988 – Senna x Prost: O nascimento de uma rivalidade lendária

Ayrton Senna e Alain Prost foram os maiores rivais da história da F1
Ayrton Senna e Alain Prost foram os maiores rivais da história da F1 (Imagem: Icon Sport)

Em 1988, a McLaren deu início a uma das eras mais dominantes da Fórmula 1. Com o novato Ayrton Senna e o experiente Alain Prost, a equipe venceu 15 das 16 corridas da temporada. A rivalidade entre os dois surgiu quase imediatamente, ainda que cercada de respeito inicial.

Senna, com sua velocidade explosiva, conquistou oito vitórias; Prost, com sua consistência, venceu sete. Apesar de o francês ter somado mais pontos brutos ao longo do ano, o regulamento da época considerava apenas os 11 melhores resultados — o que favoreceu Senna e lhe garantiu seu primeiro título mundial.

A decisão veio no Japão, em Suzuka, onde o brasileiro fez uma corrida histórica após largar mal, recuperando posições e cruzando a linha de chegada em primeiro. A McLaren celebrou um domínio técnico absoluto, mas o embate entre seus dois pilotos já dava sinais de que seria apenas o começo de algo muito maior.

1989 – Prost x Senna: Quando a rivalidade virou guerra

Se 1988 foi o começo, 1989 foi o confronto total. A tensão entre Senna e Prost, que havia crescido ao longo da temporada anterior, atingiu um nível insustentável. Ambos continuavam na McLaren, mas a relação já estava profundamente abalada, marcada por desconfiança e acusações mútuas.

O clímax dessa rivalidade veio novamente em Suzuka, no penúltimo GP da temporada. Senna precisava vencer para manter viva a disputa pelo título, mas colidiu com Prost na chicane. O francês abandonou, enquanto Senna voltou à pista e venceu a corrida, mas foi posteriormente desclassificado por ter retornado de forma irregular.

O título acabou nas mãos de Prost, que já havia acertado sua transferência para a Ferrari, mas esse título ainda é considerado uma das decisões mais polêmicas da história da F1, não apenas pelo lance em si, mas pela interferência política nos bastidores. A rivalidade entre os dois tornou-se lendária, com 1989 marcando o auge do conflito e um exemplo clássico de como o sucesso técnico de uma equipe pode ser abalado por divisões internas.

2007 – Hamilton x Alonso: Muita disputa para saírem sem o título

Depois de quase duas décadas, a McLaren voltou a viver o drama de uma disputa interna pelo título, desta vez entre Fernando Alonso, bicampeão mundial, e o estreante Lewis Hamilton. Desde as primeiras corridas de 2007, ficou claro que Hamilton não seria apenas um coadjuvante. A performance do novato surpreendeu o mundo e irritou Alonso, que esperava ter prioridade dentro da equipe.

O clima azedou rapidamente, culminando em episódios tensos como o polêmico treino classificatório na Hungria, onde Alonso segurou Hamilton nos boxes. O relacionamento entre ambos e com a equipe desmoronou, e o ambiente tóxico acabou custando caro. No fim da temporada, os dois pilotos terminaram empatados com 109 pontos, apenas um atrás de Kimi Räikkönen, da Ferrari, que conquistou o título de forma inesperada.

A McLaren perdeu o campeonato de pilotos e também foi desclassificada do Mundial de Construtores por envolvimento em um escândalo de espionagem. Alonso deixou a equipe ao fim do ano, e o que poderia ter sido uma era dourada para a McLaren terminou em frustração e perda de credibilidade.

Lewis Hamilton e Fernando Alonso, companheiros de McLaren, brigaram dentro e fora das pistas em 2007 e o título ficou com a Ferrari de Raikkonen
Lewis Hamilton e Fernando Alonso, companheiros de McLaren, brigaram dentro e fora das pistas em 2007 e o título ficou com a Ferrari de Raikkonen (Imagem: Reprodução F1)

McLaren “sendo McLaren” até hoje

Agora, em 2025, McLaren novamente vê seus dois pilotos na luta direta pelo título. Ao contrário de outras eras, o ambiente entre Oscar Piastri e Lando Norris, ao menos por enquanto, parece de respeito e competitividade saudável.

A equipe optou por não interferir, permitindo que o melhor vença. Faltando poucas corridas para o fim do campeonato, a tensão está crescendo, mas o duelo ainda se mantém dentro das regras esportivas. Se essa rivalidade terminar ainda no “fair play”, será a primeira exceção nesse histórico da McLaren.

Caso o clima amistoso se mantenha, Oscar Piastri e Lando Norris mostrarão que vivemos em um mundo diferente e darão um exemplo de como duas estrelas podem brilhar sob o teto da mesma fábrica.

(Imagem de capa: McLaren F1 Team)