A McLaren apresentou sinais claros de evolução no fim de semana do GP do Japão de Fórmula 1, mas o cenário geral ainda expõe limitações importantes diante das principais forças do grid. Em Suzuka, a equipe de Woking conseguiu traduzir parte do potencial já visto nos testes em desempenho de classificação, embora as fragilidades estruturais do projeto ainda fiquem evidentes, sobretudo em condições de corrida e consistência operacional.
Largando da segunda fila com seu carro mais bem posicionado em Suzuka, a equipe conquistou a melhor classificação da temporada. O resultado segue distante do que se esperava da atual campeã de pilotos — com Lando Norris — e de construtores, que tem sido apenas a terceira força no início de 2026.
Boa classificação demonstra progresso da McLaren

O sábado foi o principal indicativo de avanço. Oscar Piastri colocou o MCL40 na terceira posição do grid, extraindo o máximo do carro em uma volta lançada e confirmando a competitividade do chassi em condições ideais. Logo atrás, Lando Norris garantiu o quinto lugar, mesmo após um fim de semana mais conturbado.
O resultado é ainda mais importante ao posicionar ambos à frente da Ferrari, atual vice-líder do campeonato e rival histórica da equipe britânica, reforçando a percepção de que a McLaren conseguiu dar um passo adiante em termos de desempenho puro. A evolução no entendimento da unidade de potência Mercedes e sua integração ao conjunto é apontada como fator central nesse salto, especialmente em voltas rápidas, onde o carro já demonstra capacidade de brigar com os ponteiros.
A performance em classificação também evidencia uma característica importante do MCL40: quando operando dentro de sua janela ideal, o carro responde com alto nível de competitividade, permitindo voltas consistentes e agressivas em traçados exigentes como Suzuka.
A diferença em tempos de volta também diminuiu significativamente. Se na Austrália a melhor McLaren esteve a cerca de 0,8s do pole position e de 0,5s na China, desta vez a desvantagem foi de apenas 0,354s. Após duas provas ruins, o GP do Japão surge como a melhor chance de pódio do time de Woking.
MCL40 ainda tem questões a solucionar

O outro lado do fim de semana revela um cenário menos estável. A McLaren ainda convive com problemas de confiabilidade, evidenciados pela necessidade de Norris realizar duas trocas de bateria ao longo das atividades no Japão. Situações desse tipo comprometem a continuidade do trabalho e limitam a capacidade de explorar plenamente o potencial do carro.
Além disso, o britânico segue enfrentando dificuldades para encontrar um acerto que lhe proporcione confiança, especialmente em setores técnicos como os Esses e a curva Spoon. A sensibilidade do MCL40 ao setup indica uma janela de funcionamento bastante estreita, o que torna o equilíbrio do carro dependente de ajustes finos e nem sempre replicáveis entre os dois lados da garagem.
Enquanto isso, a distância para a Mercedes permanece significativa. Líder do campeonato, a equipe alemã mostra um pacote mais completo, sobretudo em ritmo de corrida, com maior consistência nos stints longos e melhor gestão de pneus. A diferença não se manifesta apenas em números absolutos, mas na facilidade com que o W17 opera em diferentes condições, contrastando com a natureza mais exigente do carro da McLaren.
O projeto aparenta ter dado passos adiante após o início ruim, mas ainda carece de refinamento para sustentar o desempenho ao longo de todo o fim de semana e garantir que ambos os pilotos recebam a bandeira quadriculada sem problemas.
(Foto principal: Reprodução / McLaren)
