Scott McTominay chegou à Copa do Mundo de 2026 cercado de expectativas. Principal estrela da Escócia e um dos maiores responsáveis pela classificação histórica da seleção para o torneio após 28 anos de ausência, o meio-campista do Napoli desembarcou nos Estados Unidos carregando a esperança de um país inteiro. No entanto, após duas partidas na competição, o camisa 4 ainda não produziu aquele momento capaz de parar o país e virar manchete ao redor do mundo.
Nada de bicicletas espetaculares, como a que marcou sua trajetória recente, nem gols decisivos. Ainda assim, dizer que o escocês está decepcionando seria uma análise superficial. A influência do jogador vai muito além dos números de gols e assistências, e isso fica evidente quando observamos seu desempenho nas primeiras rodadas da Copa.
Com um desafio gigantesco pela frente diante do Brasil, a pergunta que domina os torcedores escoceses é simples: o principal astro da equipe está pronto para liderar a Escócia no jogo mais importante da sua campanha?
O peso de ser o principal astro da Escócia
A trajetória de McTominay com a camisa da seleção mudou completamente sua imagem no futebol internacional. Durante muitos anos, o jogador foi visto principalmente como um volante de combate revelado pelo Manchester United. Hoje, ele é o rosto de uma geração que recolocou a Escócia no cenário mundial.
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Os números ajudam a explicar essa transformação. Em 72 partidas pela seleção, o meio-campista soma 15 gols e duas assistências. Mais importante do que a quantidade é o peso desses momentos.
Foi dele o gol da vitória contra Israel em 2021. Também foi o protagonista da histórica vitória sobre a Espanha com dois gols em Hampden Park. E ainda protagonizou uma das imagens mais marcantes da campanha escocesa ao acertar uma bicicleta espetacular contra a Dinamarca.
Quando um jogador constrói esse histórico, a cobrança aumenta naturalmente. Cada partida passa a carregar a expectativa de um novo capítulo heroico.
Por isso, mesmo após a vitória por 1 a 0 sobre o Haiti e a derrota apertada para Marrocos, muitos torcedores sentiram que faltou algo do principal nome da equipe.
Os números de McTominay na Copa mostram um jogador influente
Embora ainda não tenha balançado as redes, McTominay está longe de ter sido um personagem secundário na campanha escocesa.
Na estreia contra o Haiti, o volante registrou impressionantes 93% de aproveitamento nos passes, o segundo melhor índice entre os titulares da Escócia. Contra Marrocos, manteve alto nível de eficiência, concluindo a partida com 89% de acerto, a terceira melhor marca da equipe.
Além disso, o jogador finalizou duas vezes em cada uma das partidas disputadas até aqui. Contra o Haiti, esteve muito perto de marcar um dos gols mais bonitos da competição ao acertar a trave em uma tentativa de longa distância.
Outro aspecto que chama atenção é a intensidade física.
Contra os haitianos, percorreu mais de 12 quilômetros, liderando esse quesito entre todos os jogadores em campo. Diante dos marroquinos, ficou atrás apenas de Lewis Ferguson por uma margem mínima.
Os dados mostram que o camisa 4 continua extremamente participativo, mesmo quando não aparece diretamente nas estatísticas mais populares.
Por que McTominay ainda não conseguiu decidir partidas?
A principal explicação talvez esteja menos ligada ao desempenho individual de McTominay e mais ao funcionamento coletivo da Escócia.
O meio-campista nunca foi um jogador conhecido por controlar o ritmo de uma partida ou distribuir passes como um armador clássico. Sua grande qualidade está em aparecer na área no momento certo, atacar espaços e transformar poucas oportunidades em lances decisivos.
Foi exatamente isso que destacou o ex-jogador escocês Pat Nevin ao analisar o desempenho do atleta durante o Mundial.
Segundo Nevin, o jogador do Napoli não é um atleta que dita o jogo através da técnica refinada de um organizador. Seu diferencial está em chegar ao último terço do campo e causar impacto próximo ao gol adversário.
O problema é que a Escócia ainda não conseguiu criar esse cenário com frequência.
Contra o Haiti, por exemplo, a equipe passou boa parte da partida defendendo. Os escoceses registraram apenas 77 ações ofensivas no terço final do campo, enquanto o adversário acumulou 116.
Sem presença constante no ataque, o meio-campista acabou sendo obrigado a trabalhar mais longe da área rival. E quanto mais distante do gol, menor tende a ser seu impacto ofensivo.
Como a Escócia pode potencializar seu principal craque contra o Brasil
Outro fator importante para entender o desempenho do jogador é a ausência de Billy Gilmour.
O meio-campista costuma ser um dos responsáveis por acelerar a circulação da bola e conectar defesa e ataque. Sem ele, a dinâmica do setor mudou consideravelmente.
Lewis Ferguson tem feito uma Copa excelente e, para muitos, foi o melhor jogador da Escócia nas duas primeiras rodadas. Porém, ao atuar em funções mais recuadas, acaba tendo menos liberdade para avançar e abrir espaços para o camisa 4 e John McGinn.
Essa situação mudou parcialmente no segundo tempo contra Marrocos.
A entrada de Kenny McLean permitiu que Ferguson se soltasse mais ofensivamente. Como consequência, a Escócia conseguiu passar mais tempo no campo de ataque e viu seu principal astro participar de forma mais frequente das ações ofensivas.
Essa pode ser uma pista importante para o duelo diante do Brasil.
Se a equipe conseguir aproximar McTominay da área brasileira, suas chances de decidir aumentam significativamente.
McTominay segue sendo a principal arma escocesa
Agora, todas as atenções se voltam para o confronto contra o Brasil.
A Escócia sabe que dificilmente controlará a posse de bola durante a maior parte do jogo. Isso torna ainda mais importante aproveitar cada contra-ataque, cada bola parada e cada oportunidade criada.
Nesse contexto, o astro do Napoli continua sendo o jogador mais capaz de transformar um momento isolado em um lance decisivo.
A discussão não deveria ser se McTominay está jogando mal. Os números mostram justamente o contrário. O verdadeiro debate passa por entender como a Escócia pode colocá-lo nas posições em que ele se torna mais perigoso.
Afinal, os escoceses já viram esse roteiro antes.
Foi McTominay quem apareceu em noites históricas contra seleções gigantes. Foi ele quem ajudou a encerrar um jejum de quase três décadas sem Copa do Mundo. E é novamente o escocês do Napoli quem carrega as maiores expectativas antes do desafio contra o Brasil.
Se a Escócia sonha em produzir uma das maiores zebras deste Mundial, provavelmente precisará de algo que sua torcida conhece muito bem: mais um capítulo decisivo de Scott McTominay com a camisa azul-escura.
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