Técnico do Genoa, De Rossi orienta seus jogadores à beira do campo. Foto: Simone Arveda/Getty Images
Futebol Serie A

Mesmo com a derrota para Inter de Milão, Genoa mostra melhoria com Daniele De Rossi

Oito pontos conquistados em quinze possíveis. É nesse dado numérico que se resume a clara mudança de rumo vivida pelo Genoa desde a chegada de Daniele De Rossi ao comando técnico. Mesmo com a derrota neste domingo, os dois empates espetaculares nas duas primeiras partidas, contra Fiorentina e Cagliari, seguidos por vitórias preciosas na luta contra o rebaixamento diante de Hellas Verona e Udinese, os adeptos do clube Rossoblù não deixaram de acreditar em uma virada de chave na temporada.

No Genoa, De Rossi herdou o trabalho de dois treinadores interinos — Roberto Murgita e Domenico Criscito, que haviam vencido o Sassuolo fora de casa após a demissão de Patrick Vieira. Porém, sob a batuta do romano, a equipe que, antes, ocupava a 19ª colocação da Serie A, agora está em 16ª.

Sinais de melhoria

Das zero vitórias que marcaram o desastroso início de temporada sob o comando de Vieira, o time passou às duas já conquistadas com o ex-treinador da Roma. Das seis derrotas sofridas nas nove primeiras rodadas, o número caiu para apenas uma nas cinco partidas iniciais com De Rossi no banco.

Outros números reforçam a virada: os apenas quatro gols marcados com Vieira foram superados em somente cinco jogos sob o novo treinador. E, principalmente, os atacantes — que passaram em branco no início do campeonato — voltaram a fazer o que se espera deles.

Lorenzo Colombo marcou dois gols, Vitinha balançou as redes duas vezes, mas, de forma geral, a sensação é de que todos voltaram a se sentir parte do projeto e capazes de contribuir. Mesmo que o revés em casa contra a, agora, Inter de Milão, os jogadores, Messias e Thorsby já haviam destacado a melhora antes do jogo deste domingo (14).

As mudanças táticas

Houve trabalho psicológico e de reconstrução da confiança dos jogadores, mas também muito ajuste tático em um Genoa que, à priori, mudou seu sistema de jogo.

Vieira havia iniciado a temporada priorizando o 4-2-3-1: apenas um centroavante de referência, a dupla segura Vasquez–Ostigard na defesa, Masini e Frendrup como intocáveis no meio-campo, e Norton-Cuffy alternando entre lateral e posições mais avançadas apenas nos jogos finais.

Uma base que De Rossi aproveitou, mas transformou ao optar por um 3-5-2 agressivo, veloz e propositivo, mais alinhado às características do elenco do Genoa. O novo esquema valorizou outros jogadores: foi recuperado o jovem Marcandalli, revelado nas categorias de base, assim como Otoa, investimento do clube nascido em 2004.

Malinovskyi segue como peça-chave em várias zonas do campo, e os atacantes passaram a se beneficiar do sistema, mais envolvidos na construção e com maior volume de bolas ofensivas.

Por outro lado, quem saiu do radar foram jogadores de maior talento técnico, mas de encaixe mais complexo em um sistema mais rígido. Stanciu, Grombaek e, sobretudo, Valentin Carboni tiveram pouquíssimo espaço. Não por acaso, a situação de alguns deles já é avaliada visando a reabertura do mercado em janeiro.

Contra a Inter de Milão perdeu-se o encanto?

É um Genoa transformado, diferente, com novos protagonistas e ainda muitos jogadores a serem recuperados ou reinseridos de forma distinta neste projeto técnico renovado. Contra a Inter, De Rossi obteve seu primeiro revés à frente da equipe Grifone, mas, ainda que não tenha pontuado, foi notória a mudança de postura no segundo tempo.

Com os Nerazzurri na frente no placar, o Genoa teve de mudar a postura e identificar onde seria possível explorar os erros adversários. A equipe de Chivu baixou um pouco a intensidade, mas não abriu mão do domínio no campo ofensivo — portanto, seguia empilhando muitos jogadores no campo de defesa dos Grifoni. Foi então que surgiu a astúcia do treinador e ex-jogador da Roma.

Ao lançar Ekuban, aos 13 minutos da etapa complementar, o jogo físico proeminente da estratégia de De Rossi ficou ainda maior, só que, nesta ocasião, com mais experiência de jogo. O ganês de 31 anos postou-se entre a linha de meio campistas e os defensores da Inter.

Quando isso ocorreu, o vácuo se ofereceu para o ex-Trabzonspor, que ainda teve a companhia de Vitinha no comando de ataque. Akanji e Bastoni tiveram apenas preocupação com o ganês e deixaram o Vitinha livre para marcar. O posicionamento do camisa 18 foi fundamental para que causasse confusão no trio de zaga. Ademais, o próprio avançado ainda teve a chance de empatar, mas o cabeceio não foi bem direcionado.

Após o gol que descontou o marcador, o Genoa foi melhor e mais incisivo. A entrada de Ekhator e Grønbæk garantiu um avanço na linha dos meias e sufocasse os Nerazzurri em seu campo, mas insuficiente para chegar ao empate. A crescente chegou de forma tardia, mas colocou um pouco de esperança nos torcedores Grifoni.

Genoa na Lega Serie A

Na 16ª colocação do torneio, o Genoa soma 14 pontos — dois a mais que o Verona, primeira equipe na zona de rebaixamento. Os Grifoni voltam à campo no próximo domingo (21), às 16h45 (horário de Brasília), para enfrentar a Atalanta, pela 16ª rodada da Lega Serie A. A partida será realizada em New Balance Arena.

Créditos pela foto de capa: Simone Arveda/Getty Images