Automobilismo Fórmula 1

Mercedes em ascensão? Resultado em Baku é importante para o campeonato

O resultado da Mercedes no GP do Azerbaijão neste domingo (21), trouxe um sopro de esperança para a equipe de Brackley e seus torcedores. George Russell cruzou a linha de chegada em segundo lugar, enquanto o jovem Andrea Kimi Antonelli conquistou um sólido quarto lugar, seu melhor resultado até agora na Fórmula 1.

Com isso, a Mercedes somou pontos valiosos e ultrapassou a Ferrari na tabela do Mundial de Construtores, assumindo o terceiro lugar com 290 pontos, contra 286 da escuderia italiana. A McLaren, com 623 pontos, segue isolada na liderança, mas o foco agora está na batalha pelo vice, onde até a Red Bull (com 272 pontos) ainda está na briga.

A grande pergunta que surge após Baku é: a Mercedes finalmente encontrou o caminho da evolução? E mais do que isso, tem condições de manter essa trajetória nas sete etapas restantes da temporada para assegurar o segundo lugar no campeonato de construtores? É preciso ter cautela na resposta desta questão.

É inegável que a performance em Baku foi a mais promissora da Mercedes em 2025 até aqui. A equipe não apenas teve ritmo de corrida, como conseguiu extrair o máximo de dois pilotos em fases muito diferentes de suas carreiras. Russell, consolidado e consistente, correu com maturidade, enquanto Antonelli, pareceu mais confortável com o carro e levou o carro até o final com segurança.

No entanto, é preciso ter cautela antes de cravar que a Mercedes está de volta à briga pelo topo. Baku é um circuito de características muito peculiares, com retas longas, zonas de frenagem fortes e um histórico de corridas caóticas.

Estratégia e acaso costumam ter um papel maior do que em pistas mais tradicionais, como Interlagos, que ainda está por vir. Ou seja, a performance em Baku pode ser mais um ponto fora da curva do que um retrato fiel da real evolução técnica da equipe.

Diferença no desenvolvimento técnico

A Mercedes passou boa parte da temporada 2025 tentando entender um carro que, mais uma vez, começou o ano com uma filosofia aerodinâmica que não entregava o desempenho esperado. Foi só no meio da competição que a equipe trouxe atualizações significativas no assoalho e no pacote de suspensão mudanças que melhoraram a consistência do carro em curvas de alta e reduziram a degradação dos pneus.

Se esses avanços forem de fato sólidos em pistas de alta, a Mercedes pode sim consolidar essa reação e tornar-se favorita ao vice-campeonato. A Ferrari vive uma fase inconsistente, com problemas de confiabilidade e decisões estratégicas questionáveis, enquanto a Red Bull vive do talento de Max Verstappen.

Ainda assim, a Mercedes precisa mais do que um bom carro: a equipe necessita de execução perfeita. Estratégias de corrida, pit stops e gerenciamento de pneus serão cruciais em etapas como Catar, Estados Unidos e Abu Dhabi, onde pequenos erros podem custar pontos.

Antonelli consistente e problemas de adversários são as chaves para a Mercedes

Kimi Antonelli terminou em quarto lugar no GP do Azerbaijão e somou pontos importantes para a Mercedes
Kimi Antonelli terminou em quarto lugar no GP do Azerbaijão e somou pontos importantes para a Mercedes (Imagem: Reprodução F1)

Outro ponto que pode pesar na balança é o desempenho de Kimi Antonelli. O italiano chegou à F1 cercado de expectativa e, após um início um tanto tímido, vive bons e maus momentos. Ele tem mostrado velocidade, mas precisa aliar a consistência ao pacote para auxiliar George Russell na pontuação.

Russell, por sua vez, segue sendo consistente e está sempre pontuando, porém, para fazer a equipe atingir o objetivo, seria importante beliscar uma vitória. Corridas caóticas, como pode acontecer em Interlagos ou Las Vegas, podem facilitar esse resultado para o britânico.

Com sete etapas restantes, a batalha pelo vice-campeonato está totalmente aberta. A Mercedes finalmente mostrou uma combinação de ritmo, confiabilidade e execução, mas precisa provar que isso não foi mais um lampejo. Ferrari apresenta muitos problemas e a Red Bull necessita de uma melhora significativa de Yuki Tsunoda, o que abre uma janela real de oportunidade.

Se a Mercedes mantiver a curva ascendente e evitar erros, é plenamente possível que encerre a temporada 2025 como vice-campeã entre as construtoras, um resultado que, diante do início complicado do ano, teria um significado e tanto.

(Imagem de capa: Getty Images)