Em que momento Mikel Merino deixou de ser percebido como um meio-campista que quebra galho no ataque para passar a ser tratado como um centroavante do Arsenal que, eventualmente, retorna ao meio? Sua atuação decisiva contra o Brentford reforçou essa mudança de percepção. O espanhol de 29 anos já marcou ou deu assistência em cinco dos seis jogos que iniciou como referência ofensiva desde a lesão de Viktor Gyokeres, que o recolocou na função. Diante dos Bees, ele fez as duas coisas: abriu o placar com uma cabeçada e serviu Bukayo Saka no segundo gol.
Desde o início da temporada passada, ninguém na Premier League somou tantos gols de cabeça quanto ele, são oito ao todo. E isso vindo de um meio-campista central que, até a contusão na coxa de Kai Havertz, jamais havia atuado como centroavante. Há quem aprenda uma função aos poucos — e há Merino, que parece dominar a posição de imediato. Os números confirmam: desde janeiro, ele soma 21 gols por clube e seleção, numa transformação que beneficiou tanto a equipe espanhola quanto o Arsenal.
Assim, Merino se consolidou como peça-chave dos Gunners. No ataque, agora novamente reforçado por Gyokeres, além de Gabriel Jesus e Havertz, é difícil imaginar quem conseguirá tirá-lo do time. Seu valor, afinal, vai muito além do gol. Desde que passou a jogar mais adiantado no início do mês passado, o Arsenal balançou as redes 15 vezes em seis partidas, média que subiu de 2,1 para 2,5 gols por jogo, incluindo suas duas melhores exibições ofensivas da temporada, contra o Tottenham e o Bayern de Munique.
Nessas partidas, Merino esteve envolvido em quase metade dos gols — marcando ou assistindo — mesmo atuando como falso 9. Naturalmente, ele não é um centroavante tradicional como Gyokeres: quando não está atacando a área, volta ao meio, troca de posições, abre espaços e desorganiza a defesa adversária. Nas quatro vezes em que começou no ataque pela Premier League nesta temporada, teve, por 90 minutos, metade dos toques na área que o sueco costuma registrar — porém quase o dobro de toques e passes no total, evidenciando seu peso na armação.
O técnico Mikel Arteta também fez questão de elogiar o trabalho sem bola. Apesar da forte carga física — oito jogos seguidos como titular entre clube e seleção — sua atuação na quarta-feira não demonstrou desgaste. Além disso, Merino somou quatro desarmes na partida. Dados da Premier League indicaram que percorreu mais de 12 quilômetros — atrás apenas de Odegaard — e registrou 368 corridas intensas, mais do que qualquer outro jogador. Essa entrega não surpreende: nas últimas quatro partidas pela liga, ele participou de mais gols do que qualquer companheiro e ainda somou 10 desarmes, número inferior apenas ao de Riccardo Calafiori.
Sua contribuição completa, com e sem a bola, o destaca no elenco — e ele ainda oferece algo crucial. Arteta acredita que o sucesso do espanhol na função serve de exemplo e também trouxe aprendizados. Depois de um verão marcado por preocupação com excesso de atacantes, foi Merino quem acabou salvando o técnico de uma situação inversa: a falta de opções. E o “improvisado” pode muito bem ser a alternativa ideal. Gyokeres, Gabriel Jesus e Havertz terão de lutar muito para recuperar espaço.

Mikel Merino brilha contra o Brentford e alimenta o debate sobre ser o melhor centroavante do Arsenal
Na vitória por 2 a 0 sobre o Brentford pela Premier League, o grande destaque foi Mikel Merino. Escalado como centroavante improvisado — devido às lesões e ausência de opções mais típicas — ele justificou plenamente a escolha: abriu o placar com uma cabeçada precisa no início do jogo e, já nos minutos finais, deu a assistência para o gol de Saka.
Desde que foi deslocado ao ataque após a lesão de Gyökeres, Merino tem sido praticamente impecável: marcou ou assistiu em cinco dos seis jogos nos quais iniciou como referência ofensiva. Dessa forma, o meio-campista de 29 anos deixou de ser visto como “solução emergencial” e passou a atuar com naturalidade impressionante na função, superando concorrentes considerados titulares.
O técnico Mikel Arteta não poupou elogios a Merino: disse que ele foi “enorme outra vez”, exaltou o tempo de bola, o posicionamento, a execução do gol e também o empenho defensivo e de recomposição. Em um cenário marcado por lesões e incertezas no ataque, o camisa 23 dos Gunners coleciona números notáveis: cabeceios certeiros, movimentação inteligente, participação na articulação e constância nas ações decisivas.

Mas é possível dizer que Merino é o melhor centroavante do Arsenal?
Depende do critério. Se o foco for rendimento imediato, adaptação tática e entrega física — sim, ele disputa esse posto com força. Pelo lado do centroavante clássico — presença diária na área, especialização ofensiva — ele continua sendo uma adaptação. E ainda existem Gyokeres, Gabriel Jesus e Havertz, teoricamente mais alinhados ao perfil de um 9 convencional.
No fim, Mikel Merino representa hoje a solução mais versátil e confiável do setor ofensivo de Mikel Arteta no elenco do Arsenal— pelo menos até que as demais opções se estabilizem.

Merino mira tornar-se centroavante fixo no Arsenal — mesmo com concorrência pesada
A ascensão de Mikel Merino como falso 9 do Arsenal inaugurou uma discussão que poucos imaginavam: depois de semanas decisivas no comando de ataque, será que o espanhol considera uma mudança definitiva de posição?
Contratado para ser um meia versátil, com chegada e leitura tática diferenciada, Merino encontrou no ataque um espaço inesperado — e, acima de tudo, uma oportunidade. As lesões no elenco e a busca de Arteta por soluções internas acabaram levando o jogador à função de camisa 9, onde rapidamente se destacou com gols, presença física e tomada de decisão madura dentro da área.
A comissão técnica elogia a “capacidade de adaptação” do espanhol, qualidade valorizada em um elenco que preza polivalência. Seu desempenho recente reacendeu a percepção de que ele reúne características essenciais do futebol moderno: pressão agressiva, inteligência para atacar espaços e disciplina coletiva — atributos centrais no modelo de Arteta.
Mesmo assim, torná-lo definitivamente centroavante esbarra na concorrência. O Arsenal conta com três nomes de peso para o setor de ataque:
Viktor Gyökeres, artilheiro puro e fisicamente dominante;
Gabriel Jesus, intenso, versátil e decisivo em grandes jogos;
Kai Havertz, híbrido entre meia e atacante, com ótimo entendimento tático.
Para qualquer jogador, disputar vaga com esse trio já seria difícil. Para alguém que não foi contratado para jogar ali, ainda mais. Mas o momento favorece Merino. Sua consistência transforma a improvisação em alternativa real, oferecendo rendimento imediato e ampliando o repertório tático de Arteta.
A grande dúvida agora é a vontade do próprio jogador. Merino sempre brilhou como meio-campista, mas o desempenho como camisa 9 e a confiança do treinador abrem espaço para uma reinvenção de carreira.
Se essa transformação será permanente ou apenas um capítulo marcante da temporada, só o tempo dirá. O certo é que Merino não apenas concorre com atacantes natos — ele redefine a lógica do setor e recoloca a disputa por posições no ataque do Arsenal em novos termos.
(Foto: Getty Images)