Lionel Messi está chegando a um dos momentos mais simbólicos de sua carreira. Aos 39 anos, o craque argentino se prepara para disputar aquela que deve ser sua última partida pela seleção da Argentina, encerrando um ciclo que começou em 2005 e que o transformou no jogador com mais partidas e mais gols pela equipe nacional.
A despedida acontece em um momento diferente daquele que marcou o fim de outras grandes carreiras. Messi não está simplesmente deixando o futebol. Pelo contrário. Enquanto sua trajetória internacional chega ao fim, o argentino começa a construir uma nova etapa como empresário, proprietário de clubes e investidor.
O amistoso contra Benin, no Monumental de Buenos Aires, será a 208ª partida de Messi pela Argentina. Além do recorde de jogos, ele chega à despedida como o maior artilheiro da história da seleção, com 89 gols.
A decisão de abandonar a seleção veio depois da derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo. Messi afirmou que não tinha mais nada a oferecer, embora o técnico Lionel Scaloni tenha deixado claro que a porta continuaria aberta caso o jogador mudasse de ideia.
Enquanto isso, sua carreira em clubes ainda tem bastante espaço para continuar. O contrato com o Inter Miami vai até o final da temporada de 2028 e pode ser renovado dependendo das condições físicas e mentais do jogador.
O mais interessante, está no que Messi está construindo fora das quatro linhas.
Messi começa a construir seu próprio projeto no futebol

Durante boa parte da carreira, Messi esteve preocupado quase exclusivamente em jogar futebol. Agora, aos poucos, ele começa a assumir uma função diferente dentro do esporte.
O argentino já adquiriu participação em clubes e pretende desenvolver uma estrutura que permita acompanhar o crescimento de jovens jogadores e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de negócios.
Na Espanha, Messi comprou a UE Cornellà, clube localizado nos arredores de Barcelona e que atualmente disputa a quinta divisão. A ideia é utilizar a equipe também como espaço de desenvolvimento para jogadores jovens.
O projeto ganhou uma dimensão maior com a chegada ao CD Eldense, da segunda divisão espanhola. Messi foi anunciado como novo proprietário do clube em outubro, embora a operação ainda dependesse da autorização do Conselho Superior de Esportes da Espanha.
O Eldense passa a ocupar uma posição importante dentro de seu projeto no futebol. A prioridade imediata, entretanto, é mais simples: evitar o rebaixamento e criar uma estrutura estável.
Para comandar a equipe, o clube contratou Javi Calleja, ex-técnico do Villarreal.
Messi não pretende administrar tudo sozinho. Pessoas de sua confiança devem funcionar como ligação entre ele e os clubes. Isso permite que o argentino acompanhe as operações sem precisar abandonar completamente sua rotina como jogador.
Mesmo à distância, seu envolvimento já é perceptível. Messi acompanha os jogos do Eldense e chegou a publicar uma mensagem nas redes sociais depois da vitória por 4 a 1 sobre o Real Oviedo.
No Uruguai, o argentino também possui um projeto ao lado de Luis Suárez. Os dois fundaram o Deportivo LSM em 2025 e conseguiram o acesso à terceira divisão uruguaia logo na primeira temporada.
A ideia de criar uma grande rede de clubes chegou a ser discutida, mas os custos necessários para desenvolver equipes e fazê-las subir pelas divisões fizeram o projeto perder força.
Por enquanto, o principal objetivo é descobrir até onde o Eldense pode chegar e se o clube consegue se estabelecer na elite do futebol espanhol.
O futebol de base também ganhou espaço nos planos de Messi

Se a compra de clubes mostra o interesse de Messi pelo futebol profissional, seu envolvimento com as categorias de base revela outra paixão.
O jogador tem acompanhado de perto os jogos de seu filho e também criou a Messi Cup, torneio voltado para equipes Sub-16.
A competição começou em 2025 com apenas oito equipes. No ano seguinte, o número de participantes dobrou para 16.
Entre os clubes envolvidos estão Barcelona, Chelsea, Atlético de Madrid, Inter de Milão, Arsenal e UE Cornellà.
O envolvimento de Messi no torneio vai muito além de colocar seu nome no evento. Na primeira edição, os organizadores esperavam que ele assistisse a uma ou duas partidas, talvez apenas à final.
Ele surpreendeu a todos ao acompanhar todos os jogos durante todos os dias da competição.
Esse comportamento ajuda a explicar como Messi pretende continuar conectado ao futebol mesmo quando sua carreira como jogador chegar ao fim.
O argentino não parece interessado apenas em colocar dinheiro em clubes e observar os resultados. Existe uma intenção de acompanhar o desenvolvimento de jogadores, entender projetos e participar das decisões.
Isso também explica a importância da UE Cornellà dentro de seu projeto. Um clube de menor porte pode funcionar como espaço para formação e desenvolvimento de jovens antes que eles cheguem a equipes maiores.
O projeto ainda está no começo, mas Messi já possui uma estrutura que combina futebol profissional, categorias de base e investimentos.
Um império que vai muito além do futebol

O futuro de Messi também passa por negócios completamente diferentes do futebol.
A Forbes estimou seu patrimônio em aproximadamente US$ 1,1 bilhão, enquanto seus ganhos no período de um ano chegaram a cerca de US$ 140 milhões entre futebol e atividades empresariais.
Um dos contratos mais conhecidos é o acordo vitalício com a Adidas, assinado em 2017.
Messi também construiu uma presença importante no setor hoteleiro por meio da MiM Hotels, que possui seis propriedades entre Ibiza e Andorra. Os hotéis são administrados pela rede Melia desde novembro de 2025.
Na Argentina, a empresa da família Messi também participa de investimentos imobiliários. Em Rosário, existe o empreendimento Carrasco M, com 24 casas às margens do rio Paraná.
O argentino também investe no setor de alimentação. Ele é sócio da rede El Club de la Milanesa, que pretende abrir cinco unidades na Catalunha, começando por Castelldefels.
Outro negócio envolve a Stanley, com quem Messi possui uma coleção de produtos relacionados ao mate. O acordo tem uma característica especial: é o primeiro contrato plurianual da empresa com um atleta.
Essa diversificação mostra que Messi está preparando sua vida depois do futebol de maneira bastante ampla.
O trabalho empresarial começou ainda durante sua carreira, com forte participação de seu pai, Jorge Messi, que cuidava de seus negócios desde os primeiros anos. Com o passar do tempo, a estrutura cresceu e passou a envolver produção audiovisual, marketing, mídia, publicidade e diferentes parcerias comerciais.
Agora, Messi parece ter cada vez mais controle sobre quais projetos deseja aceitar.
A frase dita por ele no America Business Forum resume bem essa nova fase. Messi afirmou que os negócios o interessam e que gostaria de continuar aprendendo, reconhecendo que ainda está no início desse caminho.
É justamente essa combinação que torna o futuro do argentino tão interessante. A aposentadoria da seleção não representa o fim de sua relação com o futebol. Pelo contrário, pode ser o começo de uma fase em que Messi deixará de ser apenas protagonista dentro do campo para tentar construir seu próprio legado fora dele.
Enquanto a Argentina se prepara para se despedir de seu maior artilheiro e jogador com mais partidas, Messi já trabalha para garantir que sua presença no futebol continue por muitos anos.
(Foto de capa: Getty Images)



