A trajetória profissional de Lionel Messi parecia ter chegado ao ápice no dia 18 de dezembro de 2022, quando foi o principal jogador da Argentina no tricampeonato da Copa do Mundo. Aos 35 anos, disputava aquela que seria a sua última partida pela competição, credenciando o seu lugar ao lado dos imortais do futebol.
Quatro anos depois, o experiente camisa 10 atua como um jovem sedento por fazer história no esporte e contribuiu para a Argentina derrotar a Inglaterra por 2 a 1, de virada. Messi distribuiu duas assistências no jogo, chegando à marca de quatro passes para gol na Copa do Mundo, além de já ter marcado oito gols no torneio.
A adversária da seleção sul-americana será a Espanha, país onde o argentino se consolidou como um dos melhores de todos os tempos, quando defendeu o Barcelona. A trajetória percorrida por Messi na Espanha foi fundamental para que o treinador Lionel Scaloni prestasse esse depoimento após a classificação histórica. “Ele é o melhor jogador da história; não sei o que mais ele teria que fazer para provar isso. A maioria dos espanhóis o adora.”
A admiração pela camisa 10 ultrapassa as barreiras de origem dos especialistas. “Eles têm Lionel Messi. Eles têm o ‘GOAT’. O maior de todos os tempos. (Trata-se de) momentos. Pensávamos que poderia ter sido Jude Bellingham ou Harry Kane, mas é por isso que ele é o rei”, disse o comentarista da BBC, Micah Richards.
Como Lionel Messi conseguiu furar a retranca inglesa?

Mesmo com a enorme quantidade de gols, assistências e prestígios conquistados em sua carreira, o ex-atacante do Barcelona passou por um momento inédito nesta quarta-feira (15): enfrentar a Inglaterra. No primeiro tempo apático de criatividade de ambas as seleções, Messi mostrou alguns toques de qualidade ao jogar mais centralizado.
Esta atuação considerada apagada para um atleta de seu nome mudou logo após Anthony Gordon abrir o placar aos dez minutos do segundo tempo. Com a curta vantagem, o técnico dos Three Lions, Thomas Tuchel, reforçou o sistema defensivo, recuando a Inglaterra, e esta postura ajudou a Argentina a alcançar a marca de 88% de posse de bola nos minutos seguintes.
Messi se deslocou para a ala direita e, tendo maior espaço, conseguiu desempenhar sua individualidade, com nove dribles completos e duas assistências para Enzo Fernández e Lautaro Martínez virarem o jogo. Messi se tornou o primeiro jogador da Copa do Mundo a obter esta façanha em um jogo eliminatório desde 1966.
Para comparação, o time da Inglaterra completou sete dribles no jogo inteiro. O jogador do Inter Miami teve sete toques na área adversária e quatro chances criadas, os mesmos números que todos os jogadores ingleses juntos. A decisão de jogar mais aberto no segundo tempo foi essencial para que ele fosse o primeiro colocado em mais um fundamento na partida: cruzamentos, com nove realizados.
Ao término do confronto, o capitão da Inglaterra, Harry Kane, fez uma análise do jogo e elogiou Messi no final. “Durante boa parte do jogo, lidamos muito bem com ele, mas, como sempre acontece com os jogadores mais perigosos do mundo, quando eles têm a bola, conseguem criar algo. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos por um motivo”, destacou.
Messi pode ganhar a Chuteira de Ouro da Copa do Mundo?

O lado artilheiro de Messi está ativo nesta edição. Com 21 gols marcados (125 gols pela Argentina), o craque se tornou o maior artilheiro da história da Copa do Mundo. A artilharia passou a ter outros olhares, quando 15 foram marcados depois dos 35 anos, mostrando a longevidade do camisa 10.
Messi já marcou oito gols na atual edição, superando os sete anotados em 2022. Entretanto, ele não conseguiu levar a Chuteira de Ouro porque Kylian Mbappé marcou um gol a mais.
Desta vez, o argentino e o francês novamente estão na disputa e ambos estão empatados. Pela disputa de terceiro lugar, a França enfrenta a Inglaterra neste sábado e os Three Lions também possuem candidatos para o prêmio individual. Isto porque Bellingham e Kane marcaram seis gols cada.
Caso os jogadores terminem empatados no número de gols, o critério de desempate será as assistências e até a competição está presente neste parâmetro. No entanto, Messi leva uma pequena vantagem com quatro assistências distribuídas contra três de Mbappé. O argentino pode se tornar o maior assistente da Copa do Mundo, mas está atrás do francês Michael Olise, com um passe para gol a mais.
Créditos da foto da capa: Thomas Coex/AFP