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Messi supera drama nos pênaltis e mantém Argentina viva na Copa do Mundo

Lionel Messi segue escrevendo novos capítulos na história da Copa do Mundo. Aos 39 anos, o camisa 10 voltou a provar que consegue transformar um jogo praticamente perdido em mais uma atuação inesquecível, mesmo carregando um problema que o acompanha há anos: os pênaltis.

Se por um lado o craque desperdiçou mais uma cobrança no torneio, por outro foi decisivo para liderar a incrível virada da Argentina sobre o Egito por 3 a 2, resultado que colocou os atuais campeões do mundo nas quartas de final. Em uma noite de altos e baixos, o número 10 mostrou exatamente por que continua sendo um dos jogadores mais influentes da história do futebol.

Os pênaltis continuam sendo um ponto fraco de Messi

Poucos jogadores possuem um currículo tão completo quanto Lionel Messi. São títulos por clubes, conquistas com a seleção, oito Bolas de Ouro e uma Copa do Mundo no currículo. Ainda assim, existe um detalhe que insiste em fugir do roteiro perfeito: as cobranças de pênalti.

Contra o Egito, o goleiro Mostafa Shobeir defendeu a cobrança do argentino ainda no primeiro tempo, mantendo uma escrita curiosa. Antes disso, Messi já havia desperdiçado outra penalidade nesta Copa do Mundo, quando chutou para fora diante da Áustria ainda na fase de grupos.

Com isso, ele se tornou o primeiro jogador da história a perder mais de um pênalti em uma mesma edição do Mundial.

O retrospecto também chama atenção quando se analisa apenas a Copa do Mundo. O camisa 10 já desperdiçou cobranças diante da Islândia, em 2018, da Polônia, em 2022, além dos erros contra Áustria e Egito nesta edição. São quatro penalidades desperdiçadas no principal torneio do planeta, um recorde que certamente ele preferiria não possuir.

Curiosamente, seus números gerais não são ruins. Messi marcou 116 dos 150 pênaltis que cobrou ao longo da carreira, um aproveitamento de aproximadamente 77%, índice considerado dentro da média entre grandes cobradores do futebol mundial.

O contraste acontece justamente porque sua qualidade técnica costuma fazer parecer que ele deveria ser praticamente infalível.

Um fantasma que nasceu nos Estados Unidos

Sempre que Messi perde um pênalti em solo norte-americano, é impossível não lembrar da Copa América Centenário, em 2016.

Na decisão contra o Chile, disputada justamente nos Estados Unidos, o argentino isolou sua cobrança durante a disputa por pênaltis. A imagem do camisa 10 chorando após a derrota rodou o mundo e culminou em uma das maiores decisões de sua carreira: anunciar a aposentadoria da seleção argentina.

Naquele momento, o cenário era completamente diferente do atual.

Mesmo brilhando pelo Barcelona e colecionando títulos individuais, Messi ainda era cobrado por não conseguir conquistar um grande troféu com a Argentina. Para muitos torcedores, ele ainda não havia alcançado o patamar de Diego Maradona justamente pela ausência de uma Copa do Mundo.

A aposentadoria, porém, durou poucos meses.

Convencido por companheiros, dirigentes e pela torcida, Messi voltou atrás. A decisão mudou completamente sua trajetória na seleção.

Vieram as conquistas da Copa América, o título da Finalíssima e, finalmente, a tão sonhada Copa do Mundo conquistada no Catar, encerrando qualquer discussão sobre seu legado com a camisa albiceleste.

O Egito colocou a Argentina contra as cordas

Se alguém olhasse apenas o placar durante boa parte da partida, dificilmente imaginaria que a Argentina conseguiria sobreviver.

Mesmo após defender o pênalti de Messi, o Egito aproveitou bem seus contra-ataques e abriu 2 a 0 com gols de Yasser Ibrahim e Mostafa Ziko.

Restavam apenas 11 minutos para o fim do jogo, e a eliminação dos atuais campeões parecia cada vez mais próxima.

Foi justamente nesse momento que apareceu a principal característica da equipe comandada por Lionel Scaloni: a capacidade de reagir sob pressão.

Messi passou a pedir a bola em praticamente todas as jogadas, acelerou o ritmo ofensivo e chamou a responsabilidade quando a situação parecia irreversível.

O camisa 10 mudou completamente o jogo

A reação argentina começou justamente pelos pés de Messi.

Foi dele o cruzamento preciso para Cristian Romero diminuir a vantagem egípcia de cabeça. O gol recolocou a seleção na partida e mudou completamente o ambiente dentro do estádio.

Pouco depois, o próprio camisa 10 apareceu para marcar o gol de empate, chegando ao oitavo jogo consecutivo balançando as redes em Copas do Mundo.

Além disso, o craque alcançou oito gols em apenas cinco partidas nesta edição do torneio, vivendo uma campanha individual impressionante mesmo aos 39 anos.

A virada foi concluída por Enzo Fernández, que aproveitou o momento de instabilidade do Egito para decretar o 3 a 2 e manter viva a caminhada argentina rumo ao bicampeonato consecutivo.

Se o pênalti perdido poderia ter marcado negativamente sua atuação, Messi tratou de transformar a história da partida poucos minutos depois.

Scaloni destaca a mentalidade do craque

Após a classificação, Lionel Scaloni fez questão de destacar um aspecto que vai muito além da qualidade técnica de Messi.

Segundo o treinador argentino, o comportamento do capitão após desperdiçar o pênalti foi determinante para a reação da equipe.

Enquanto muitos jogadores poderiam desaparecer emocionalmente depois de um erro daquele tamanho, Messi fez exatamente o contrário: pediu a bola, participou das jogadas e liderou a pressão ofensiva até a virada acontecer.

Para Scaloni, essa postura serve como exemplo para todo o elenco e ajuda a explicar por que o grupo continua acreditando mesmo nos momentos mais difíceis.

O treinador também fez questão de dividir os méritos com o restante da equipe, destacando que os companheiros deram todo o suporte necessário para que o camisa 10 continuasse assumindo protagonismo durante a partida.

Quartas de final exigirão uma Argentina muito mais consistente

Apesar da classificação emocionante, a atuação deixou sinais de alerta importantes.

Assim como aconteceu diante de Cabo Verde, a Argentina voltou a sofrer bastante com contra-ataques e demonstrou dificuldades defensivas diante de uma seleção teoricamente inferior.

Além disso, alguns jogadores aparentam desgaste físico, consequência de uma equipe que possui diversos atletas experientes acumulando muitos minutos durante a competição.

Nas quartas de final, o desafio será contra a Suíça, adversário muito mais organizado taticamente e capaz de explorar espaços com eficiência.

Caso avance, a tendência é que a Argentina tenha pela frente a Inglaterra nas semifinais, em um confronto que promete colocar frente a frente duas das seleções mais tradicionais da história da Copa do Mundo.

Se quiser defender o título conquistado quatro anos atrás, a equipe de Scaloni precisará corrigir seus problemas defensivos rapidamente.

Ainda assim, enquanto Messi estiver em campo, qualquer previsão definitiva parece perigosa. Afinal, mesmo quando os pênaltis insistem em não colaborar, o camisa 10 continua encontrando outras maneiras de decidir jogos e manter vivo o sonho argentino de conquistar a quarta estrela.