A semifinal entre Argentina e Inglaterra coloca frente a frente duas seleções que chegam cercadas por protagonistas. De um lado, Lionel Messi segue mostrando que continua capaz de decidir uma Copa do Mundo mesmo aos 39 anos. Do outro, os ingleses acreditam que vivem o momento ideal para finalmente superar a equipe sul-americana e dar mais um passo rumo ao fim de um jejum que já dura seis décadas.
A trajetória das duas seleções até aqui ajuda a explicar o tamanho da expectativa. Messi chega à semifinal liderando uma Argentina que continua sonhando com o bicampeonato mundial, enquanto Harry Kane e Jude Bellingham comandam uma Inglaterra que também encontrou seus próprios jogadores decisivos ao longo da campanha. O confronto, portanto, vai muito além do encontro entre duas grandes seleções. Também representa o duelo entre diferentes gerações de craques.
Inglaterra sabe que Messi continua sendo a maior ameaça
É difícil imaginar uma semifinal de Copa do Mundo envolvendo a Argentina sem que todas as atenções estejam voltadas para Messi. Mesmo em uma fase diferente da carreira, o camisa 10 continua sendo o jogador capaz de mudar completamente o rumo de uma partida com apenas um lance.
Os números ajudam a explicar isso. O atacante chegou a oito gols na Copa do Mundo de 2026, tornando-se o maior artilheiro da história da competição. Além disso, ultrapassou a marca de 200 partidas pela seleção argentina e segue exercendo o papel de principal liderança técnica da equipe, repetindo a importância que já havia demonstrado durante a campanha do título conquistado no Catar, em 2022.
Ao mesmo tempo, existe a sensação de que o jogador mudou sua forma de atuar. A explosão física já não é a mesma dos tempos de Barcelona, quando era capaz de atravessar uma defesa inteira conduzindo a bola. Ainda assim, sua capacidade de decidir permanece praticamente intacta.
Essa foi justamente a análise feita pelo ex-zagueiro inglês Gary Pallister. Para ele, Messi continua sendo indispensável para a Argentina, mas já não consegue dominar os jogos exatamente da maneira como fazia durante o auge da carreira. Na visão do ex-defensor, o argentino perdeu parte da velocidade e da capacidade de romper linhas carregando a bola, porém compensou isso com inteligência, qualidade técnica e leitura de jogo. Mesmo sem a mesma intensidade física, o craque continua encontrando espaços reduzidos para criar oportunidades e finalizar.
Pallister citou, inclusive, o gol marcado por Messi contra Cabo Verde para ilustrar essa característica. Segundo ele, o domínio com a parte de fora do pé seguido da finalização demonstrou que o camisa 10 continua reunindo recursos técnicos capazes de decidir partidas em qualquer momento.
Por isso, a Inglaterra sabe que simplesmente esperar uma atuação discreta do argentino dificilmente será suficiente. Neutralizar completamente um jogador como Messi continua sendo uma tarefa extremamente complicada, principalmente porque ele não precisa participar do jogo durante os 90 minutos para fazer a diferença quando a oportunidade aparece.
Outro ponto levantado por Pallister é que a tendência não é ver uma marcação individual sobre o argentino. Na avaliação do ex-jogador, a prioridade inglesa deve ser reduzir os espaços em que Messi costuma receber a bola, dificultando sua participação sem comprometer toda a organização defensiva da equipe.
Essa estratégia também passa pela necessidade de corrigir problemas que a própria Inglaterra apresentou durante a competição. Pallister reconheceu que o sistema defensivo inglês ainda desperta algumas dúvidas, mas acredita que, mesmo assim, os Três Leões possuem qualidade suficiente para superar a Argentina.
Como a Inglaterra pretende parar Messi
Se a Argentina deposita grande parte das esperanças em Messi, a Inglaterra chega embalada pela força coletiva e por dois jogadores que assumiram naturalmente o protagonismo durante a campanha.
Harry Kane continua ampliando sua história com a camisa inglesa, enquanto Jude Bellingham reafirma o status de um dos principais meio-campistas do futebol mundial. A dupla tem sido decisiva em diferentes momentos da Copa e representa o principal motivo para o otimismo existente dentro da seleção comandada por Thomas Tuchel.
Na visão de Pallister, existe confiança no elenco inglês de que a vaga na final é possível. Além da qualidade individual dos principais jogadores, o ex-zagueiro acredita que fatores externos também podem favorecer a equipe.
Um deles é o local da partida. Como a semifinal será disputada em um estádio coberto, em Atlanta, Pallister entende que o calor não deverá representar uma dificuldade para os ingleses. Segundo ele, atuar em um ambiente mais controlado pode deixar a equipe mais confortável durante os 90 minutos.
Independentemente do resultado, o fato é que a semifinal reúne alguns dos maiores nomes desta geração e coloca frente a frente jogadores acostumados a decidir partidas importantes. Messi tenta manter vivo o sonho de defender o título conquistado em 2022, enquanto Kane, Bellingham e a Inglaterra enxergam a oportunidade de aproximar o país de um troféu que não conquista há 60 anos.
Créditos da foto de capa: Getty Images.



