A final da Copa do Mundo de 2026 será disputada no próximo domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O estádio receberá o maior jogo do torneio entre Argentina, Inglaterra, França ou Espanha, mas a escolha da FIFA continua dividindo opiniões. Afinal, ao longo da competição, o local acumulou críticas relacionadas ao gramado, ao calor e até mesmo à experiência dos torcedores.
A discussão ganha força porque outras sedes ofereciam condições consideradas mais favoráveis para uma decisão deste tamanho. Ainda assim, a entidade manteve sua aposta no MetLife. A explicação passa por fatores que vão muito além do que acontece dentro das quatro linhas.
Por que o MetLife Stadium foi escolhido
Se por um lado o MetLife não foi unanimidade entre jogadores e visitantes da Copa do Mundo, por outro ele reúne características difíceis de encontrar em qualquer outro estádio do torneio. A principal delas é a capacidade para receber público. Segundo a própria FIFA, a arena pode receber 80.663 torcedores, ficando atrás apenas do Estádio Azteca entre todos os palcos da competição.
Essa diferença tem impacto direto na arrecadação. Enquanto o AT&T Stadium, em Dallas, surgiu como o principal concorrente para receber a final, a configuração utilizada para a Copa do Mundo reduz sua capacidade para cerca de 70 mil pessoas. Na prática, realizar a decisão em Nova Jersey permite que a FIFA coloque aproximadamente dez mil torcedores a mais nas arquibancadas.
Os preços dos ingressos ajudam a mostrar o tamanho dessa vantagem financeira. Na segunda-feira, entradas para a final eram comercializadas no site oficial da FIFA entre US$ 14.995 e US$ 32.970. No mercado de revenda, os bilhetes mais baratos giravam em torno de US$ 6.800. Com valores tão elevados, qualquer aumento de capacidade representa milhões de dólares extras em receita.
A localização também pesa. O MetLife fica na região de Nova York, principal centro urbano dos Estados Unidos e um dos destinos mais acessíveis para torcedores que chegam da Europa. Além disso, a FIFA já havia utilizado o estádio como palco da final da Copa do Mundo de Clubes, reforçando a confiança da entidade no local.
Existe ainda um componente comercial citado por pessoas ligadas ao futebol. Embora a FIFA esconda os nomes patrocinados dos estádios durante a competição, as marcas acabam recebendo exposição indireta. Nesse cenário, a escolha por Nova Jersey também evita possíveis conflitos envolvendo patrocinadores de determinados segmentos.
Nada disso, porém, eliminou as críticas ao estádio. Durante a Copa, o MetLife apareceu em avaliações de veículos internacionais entre os locais menos elogiados da competição, tanto pela estrutura quanto pela experiência oferecida ao público.
O acesso também gerou reclamações. Com a redução das áreas de estacionamento ao redor do estádio, muitos torcedores dependeram do transporte público. A viagem de trem entre Manhattan e o MetLife teve um aumento significativo de preço durante o torneio, enquanto os ônibus disponibilizados pelo comitê organizador registraram grande procura.
As críticas que ainda cercam o MetLife antes da decisão
Se fora do estádio as discussões envolveram logística e organização, dentro de campo as preocupações seguiram outro caminho. O principal assunto passou a ser o estado do gramado e as condições climáticas encontradas pelos jogadores.
A decisão será disputada às 15h no horário local, justamente em um período marcado por temperaturas elevadas no verão norte-americano. Para os torcedores europeus, o horário facilita o acompanhamento da partida. Já para quem estará em campo, o cenário é bem diferente. O calor já marcou diversos jogos realizados no Nordeste dos Estados Unidos. A França, por exemplo, disputou partidas eliminatórias com temperaturas superiores a 32°C no momento do apito inicial. Em outro compromisso, na Filadélfia, os termômetros chegaram perto dos 38°C.
Na Copa do Mundo de Clubes, realizada anteriormente no mesmo estádio, jogadores já haviam demonstrado preocupação. Enzo Fernández classificou como muito perigosas as condições encontradas em uma partida disputada no MetLife e chegou a defender uma mudança no horário dos jogos. A própria FIFA passou a adotar pausas permanentes para hidratação nesta Copa do Mundo.
Além da temperatura, o gramado também virou tema recorrente entre atletas e treinadores. O MetLife normalmente utiliza piso sintético durante a temporada da NFL e recebeu um gramado natural temporário para a Copa, assim como outras sedes da competição. A diferença é que a combinação utilizada em Nova Jersey é única entre os 16 estádios do torneio. A FIFA optou pela grama Bermuda após entender que ela se adaptaria melhor ao clima da região e suportaria melhor o desgaste até a final.
Ainda assim, alguns jogadores e treinadores afirmaram que o campo parecia mais duro do que em outras sedes.
Neste cenário, Taha Ali, da Suécia, afirmou que foi o gramado que mais se aproximou de um campo artificial durante a competição. Didier Deschamps chegou a comentar que parecia haver “cimento” sob a superfície, enquanto Vinícius Júnior disse que a grama secava rapidamente por causa do calor. Thomas Tuchel também destacou que o campo era bastante diferente daquele utilizado em Boston.
A FIFA respondeu às críticas afirmando que seus especialistas consideram o gramado saudável e adequado para partidas de alto nível. Mesmo assim, os comentários feitos ao longo da competição mantiveram o assunto em evidência justamente antes da decisão.
No fim das contas, a escolha do MetLife parece refletir um equilíbrio que a FIFA julgou vantajoso. O estádio oferece maior capacidade, forte apelo comercial e uma localização estratégica para receber a principal partida da Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, chega à decisão cercado por questionamentos que outras sedes talvez não enfrentassem. Agora, resta saber se, depois do apito final, o palco da decisão será lembrado apenas pelo campeão ou também pelas discussões que acompanharam sua escolha durante todo o torneio.
Créditos da foto de capa: Getty Images.



