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Michael Olise: dispensado por Arsenal e Chelsea, ridicularizado no Manchester City e agora candidato à Bola de Ouro

Michael Olise está vivendo a prova definitiva de que o caminho até o topo nem sempre é uma linha reta. Antes de se transformar em um dos jogadores mais decisivos do futebol mundial, o astro do Bayern de Munique foi dispensado por Arsenal e Chelsea, deixou o Manchester City após sofrer com provocações dos próprios companheiros e quase viu seu sonho de se tornar profissional acabar antes mesmo de começar.

Hoje, a história é bem diferente.

Aos 24 anos, o francês chega à Copa do Mundo de 2026 como uma das principais armas da seleção comandada por Didier Deschamps e como um dos nomes mais fortes na corrida pela Bola de Ouro. Depois de uma temporada impressionante pelo Bayern, Olise não é mais apenas uma promessa que deu certo. Ele se tornou uma estrela consolidada do futebol europeu.

E pensar que alguns dos maiores clubes da Inglaterra tiveram a chance de desenvolvê-lo antes de deixá-lo escapar.

O talento que passou despercebido

Quando se observa o desempenho atual de Olise, é difícil acreditar que Arsenal, Chelsea e Manchester City não conseguiram enxergar seu potencial.

O ponta encerrou a temporada 2025/26 acumulando 53 participações diretas em gols em 52 partidas pelo Bayern de Munique. Foram números de jogador de elite, daqueles que entram em qualquer discussão sobre os melhores do mundo. Mas a trajetória até esse nível esteve longe de ser simples.

Antes de brilhar na Bundesliga, Olise passou pelas categorias de base de alguns dos maiores clubes ingleses. O problema é que sua passagem por eles não terminou da forma que muitos imaginariam.

Segundo José Gomes, treinador português que trabalhou com o jogador no Reading, o Arsenal foi o primeiro a abrir mão do talento do jovem francês.

Ainda antes dos 14 anos, Olise fazia parte das categorias de base dos Gunners, mas acabou sendo dispensado porque não conseguiu se adaptar ao ambiente do clube. Pouco depois, foi a vez do Chelsea seguir pelo mesmo caminho.

O problema não era futebol

Curiosamente, o motivo da saída de Olise do Chelsea não estava relacionado ao seu desempenho dentro das quatro linhas.

De acordo com José Gomes, o clube londrino tinha preocupações com sua postura fora de campo, especialmente em relação aos estudos.

O treinador revelou que o Reading também cogitou dispensá-lo pelo mesmo motivo. A diferença é que Gomes decidiu apostar no jogador. Enquanto alguns dirigentes avaliavam que o jovem não demonstrava interesse suficiente pelas atividades acadêmicas, o técnico enxergava algo diferente.

Para ele, Olise simplesmente estava focado em uma única coisa: ser jogador de futebol. A confiança depositada naquele adolescente acabaria mudando completamente sua trajetória.

A passagem traumática pelo Manchester City

Se a saída de Arsenal e Chelsea pode ser explicada por critérios de formação, o episódio envolvendo o Manchester City chama ainda mais atenção.

Segundo Gomes, Olise deixou o clube porque se sentia humilhado pelos próprios colegas. Na época, o jovem não possuía o mesmo porte físico dos outros atletas.

Enquanto muitos garotos da base inglesa já apresentavam força e desenvolvimento corporal acima da média, ele encontrava dificuldades em exercícios físicos básicos. O episódio mais marcante acontecia durante os treinamentos de condicionamento.

Quando o preparador físico pedia séries de flexões, Olise tinha dificuldades para acompanhar os demais companheiros. O resultado era uma série de brincadeiras e provocações que acabaram afetando sua confiança. Sentindo-se ridicularizado, o jovem optou por sair do clube.

É o tipo de história que mostra como o desenvolvimento de um atleta vai muito além da técnica. Muitos jogadores florescem mais tarde fisicamente. Outros precisam de ambientes que estimulem seu crescimento em vez de apenas cobrar resultados imediatos. No caso de Olise, a paciência fez toda a diferença.

O treinador que mudou tudo

Quando chegou ao Reading, a situação também não era exatamente confortável.

José Gomes acreditava no talento do garoto, mas entendia que ele precisava se preparar para a realidade do futebol profissional.

Foi aí que surgiu uma estratégia que, olhando hoje, parece quase um roteiro de filme esportivo. O treinador pediu que seus jogadores não aliviassem para Olise nos treinamentos. A orientação era simples: fazer o jovem entender como seria a intensidade do futebol profissional.

Segundo Gomes, o atacante reclamava, se frustrava e até chorava após algumas sessões de treino. Mas havia uma promessa. Se conseguisse suportar a pressão sem desistir, receberia uma oportunidade no time principal. Inicialmente, o desafio seria de uma semana. No fim, durou duas.

Quando Gomes entendeu que o jovem estava pronto, deu a ele sua primeira chance como profissional. A estreia aconteceu em março de 2019, aos 17 anos. Foi o primeiro passo de uma caminhada que mudaria sua vida.

De Reading para o mundo

Após chamar atenção no Reading, Olise seguiu para o Crystal Palace.

Foi em Londres que começou a mostrar ao grande público o talento que alguns clubes haviam ignorado anos antes. Seu controle de bola, criatividade, capacidade de passe e qualidade nas finalizações rapidamente chamaram atenção. Mas o salto definitivo veio em 2024.

A transferência para o Bayern de Munique colocou o francês em outro patamar. Jogando em um dos maiores clubes do planeta, Olise passou a atuar cercado por estrelas e ganhou ainda mais confiança para assumir protagonismo. O resultado foi uma temporada histórica.

Copa do Mundo pode definir destino de Olise

Agora, todas as atenções estão voltadas para a Copa do Mundo de 2026.

A França chega novamente entre as favoritas ao título e Olise parece preparado para assumir um papel central na campanha.

Sua parceria com Kylian Mbappé pode ser uma das mais perigosas do torneio, especialmente porque o atacante voltou a atuar aberto pelo lado direito, posição em que rende seu melhor futebol.

Além do sonho do título mundial, existe outro objetivo em jogo. A Bola de Ouro. Com nomes como Harry Kane, Lamine Yamal e Ousmane Dembélé também na disputa, o Mundial deve ser o fator decisivo para a escolha do melhor jogador do planeta.

Se a França levantar a taça e Olise mantiver o nível apresentado durante toda a temporada, seu nome certamente ganhará ainda mais força. E aí a história ficará ainda mais curiosa.

Porque o jogador que um dia foi dispensado por Arsenal e Chelsea, que deixou o Manchester City após ser alvo de piadas e que quase perdeu espaço no Reading, poderá terminar o ano como o melhor jogador do mundo.

Foto: IMAGO/Michael Weber