Yildiz comemora o seu gol diante do Wydad Casablanca, na vitória por 4 a 1. Na ocasião, além do gol do turco, ele faria mais um. Duran Vlahovic e Boutouill completaram o placar. Foto: Juventus Football Club/Oficial —Reprodução.
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Milan mantém viva a chama por Vlahovic: oportunidade ou ilusão de mercado?

A novela em torno do camisa 9 do Milan ganhou novo capítulo. Após uma janela de transferências em que os rossoneri se movimentaram bastante, mas sem conseguir preencher a lacuna deixada por Olivier Giroud, a diretoria segue com o olhar fixo em um alvo de peso: Dušan Vlahovic. O sérvio, atualmente na Juventus, simboliza exatamente o tipo de atacante que o clube de Milão procura — físico imponente, presença de área e capacidade de decidir partidas grandes.

Embora a tentativa de contratá-lo nesta janela tenha fracassado, o Milan não desistiu. Entre prudência financeira, respeito institucional e a urgência de encontrar um goleador à altura de sua tradição, o clube parece disposto a aguardar o momento certo para atacar novamente.

O problema da camisa 9 no Milan

Desde a aposentadoria de lendas como Inzaghi e a saída de Ibrahimović, o Milan convive com uma espécie de maldição da camisa 9. Vários atacantes tentaram, mas poucos conseguiram carregar o peso simbólico desse número na história do clube. O último a realmente dar conta foi Giroud, que, mesmo chegando veterano, se tornou peça-chave em títulos e resgatou a confiança da torcida no posto de centroavante.

Sua saída deixou um vazio que ainda não foi preenchido. As opções atuais não transmitem a mesma segurança, e é nesse contexto que Vlahovic aparece como solução quase natural.

O grande entrave na negociação reside justamente na situação contratual de Vlahovic. O atacante recebe 8 milhões fixos por temporada, além de 4 milhões em bônus, valores que a Juventus deve cumprir até o fim do acordo. Para o sérvio, abrir mão desse montante não é apenas uma questão financeira, mas também de princípio: um reconhecimento pelo cumprimento do contrato.

O Milan tentou um movimento de última hora na janela, com aval da própria Juve, mas esbarrou na resistência do jogador em renegociar condições. Agora, a diretoria rossonera prefere adotar cautela, aguardando novas oportunidades sem prejudicar a relação institucional com os bianconeri.

O presente de Vlahovic: gols e profissionalismo

Curiosamente, em meio às especulações, Vlahovic respondeu dentro de campo. Nas duas primeiras rodadas da Serie A, marcou dois gols decisivos saindo do banco, sinalizando não apenas sua qualidade técnica, mas também um profissionalismo que impressiona.

Sua mensagem foi clara: “penso apenas em marcar e vencer”. A Juventus, em fase de reconstrução, parece disposta a valorizá-lo, e a boa forma pode tornar ainda mais difícil qualquer movimentação futura do Milan.

Mesmo assim, o Milan não descarta tentar novamente em janeiro de 2026. A estratégia seria se antecipar a uma possível corrida entre gigantes europeus, já que rumores indicam que Beppe Marotta, diretor da Inter, monitora a possibilidade de contratar Vlahovic a custo zero, caso ele não renove.

Se isso acontecer, estaríamos diante de uma operação que poderia mudar o equilíbrio de forças na Serie A. A contratação de um artilheiro desse calibre sem custo de transferência teria impacto comparável ao de grandes viradas de mercado. Não à toa, os rossoneri lembram que o último grande “achado” foi Giroud, trazido por apenas 1 milhão de euros, que se tornou ídolo imediato.

O dilema Milan: paciência ou ousadia?

Para o Milan, a questão central é avaliar o risco de esperar demais. De um lado, a prudência recomenda não se precipitar, respeitando o momento do jogador e preservando as finanças. De outro, há o risco de perder a chance para rivais diretos — especialmente a Inter, que já mostrou capacidade de se movimentar rapidamente em oportunidades de mercado.

Além disso, existe a pressão interna: torcedores e analistas cobram um atacante que dê continuidade ao processo de reconstrução iniciado com Pioli e a nova diretoria. Sem um “nove” confiável, o projeto pode estagnar.

O caso Vlahovic escancara um dilema histórico do Milan recente: a busca incessante por um centroavante de elite. Mais do que um reforço, trata-se de um símbolo, uma peça que traria identidade e confiança a um time em transição.

Se a oportunidade surgir em janeiro, será preciso coragem e investimento para concretizar a negociação. Se o jogador acabar livre no mercado, a disputa promete ser feroz. De qualquer forma, o Milan mostra que não pretende levantar a bandeira branca — porque sabe que a camisa 9 em San Siro não pode ficar órfã por muito tempo.

Foto: Juventus Football Club/Oficial —Reprodução