Allegri, Milan
Futebol Serie A

O melhor Allegri de todos os tempos no Milan: nos últimos dez anos, só Pioli teve um início superior

O Milan vive um início de temporada que reacende a confiança de sua torcida e dá sinais de que Massimiliano Allegri, em sua segunda passagem pelo clube, conseguiu recuperar o espírito competitivo que há muito tempo parecia adormecido em San Siro. O empate conquistado diante da Juventus, em plena Allianz Stadium, consolidou a boa fase rossonera e colocou a equipe a apenas dois pontos da liderança da Serie A, atualmente dividida entre Napoli e Roma, ambos com 15 pontos após seis rodadas.

O Milan soma agora 13 pontos — fruto de quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota, essa única tropeçada ocorrida na segunda rodada, contra a Cremonese. Desde então, o time de Allegri emendou uma sequência sólida, que inclui também o avanço na Copa da Itália com a vitória sobre o Lecce. No total, são seis partidas de invencibilidade somando todas as competições, com cinco vitórias e o empate diante da Juve. Um início que mostra não apenas resultados, mas também um padrão de jogo mais maduro, equilibrado e pragmático — marcas tradicionais do treinador toscano.

O melhor início de Allegri no comando do Milan

Em termos estatísticos, esta é a melhor arrancada de Allegri no Milan desde que ele assumiu o comando da equipe pela primeira vez, lá em 2010. Nas seis primeiras rodadas desta “era 2.0”, o técnico conquistou 13 pontos, superando todos os começos anteriores que teve no clube. Para efeito de comparação, durante sua primeira passagem entre 2010 e 2014, o melhor desempenho inicial havia sido de 11 pontos, justamente na temporada em que o Milan se sagrou campeão italiano, conquistando o 18º Scudetto da sua história.

Nas temporadas seguintes, o desempenho caiu: foram apenas 8 pontos nos seis primeiros jogos em 2011/12, 7 em 2012/13 e novamente 8 em 2013/14. Os números ajudam a dimensionar o tamanho da recuperação de Allegri nesta nova fase — um técnico mais experiente, mais adaptado e que parece ter reencontrado a sintonia com o ambiente rossonero.

Sete treinadores, uma década de transição

Entre as duas passagens de Allegri, o Milan viveu um período de grande instabilidade. Nada menos que sete técnicos diferentes comandaram o time no início de temporadas da Serie A ao longo da última década: Filippo Inzaghi, Sinisa Mihajlovic, Vincenzo Montella, Gennaro Gattuso, Marco Giampaolo, Stefano Pioli e Paulo Fonseca.

O que se viu nesse intervalo foi uma sequência de tentativas de reconstrução, cada uma com um estilo próprio, mas quase todas marcadas por irregularidade e falta de continuidade. Inzaghi somou 11 pontos no início da temporada 2014/15, Mihajlovic ficou com 9 no ano seguinte, Montella teve dois começos decentes (10 e 12 pontos), Gattuso atingiu 9, Giampaolo não passou de 6 — resultado que o levou à demissão precoce —, enquanto Fonseca, no último campeonato, chegou a 11.

Quando se colocam todos esses números na mesa, o trabalho atual de Allegri ganha ainda mais relevância. Ele é o segundo técnico com o melhor início do Milan nos últimos dez anos, atrás apenas de Stefano Pioli, que marcou época ao devolver o clube à disputa direta pelo Scudetto e ao protagonismo europeu.

Pioli ainda lidera o ranking de grandes começos

Stefano Pioli, hoje treinador da Fiorentina — curiosamente o próximo adversário do Milan após a pausa da Data Fifa —, segue sendo a referência recente em termos de consistência e resultados. Durante seu período à frente do Milan, entre 2019 e 2023, Pioli teve quatro inícios de temporada de alto nível: 16 pontos em 2019/20 e 2020/21, 14 em 2021/22 e 15 em 2022/23. Nesse intervalo, perdeu apenas uma partida nos primeiros seis jogos — justamente o histórico 5 a 1 no derby contra a Inter.

O legado de Pioli foi o de ter reconstruído a mentalidade vencedora do Milan. Mas Allegri, com sua experiência e perfil tático mais conservador, parece estar conseguindo dar um passo além: transformar esse espírito competitivo em resultados consistentes, mesmo sem um elenco repleto de estrelas.

A força da mentalidade e o equilíbrio tático

O segredo do bom momento passa muito pela mentalidade implantada por Allegri. O treinador conseguiu devolver confiança ao grupo, organizando uma equipe compacta, sólida defensivamente e eficiente nas transições. O Milan ainda não encanta, mas é extremamente competitivo. Jogadores como Theo Hernández e Pulisic têm se mostrado fundamentais nas ações ofensivas, enquanto a dupla de zaga, mais estável, tem garantido segurança na retaguarda.

A diferença em relação à sua primeira passagem está justamente na maturidade com que Allegri administra o elenco. Hoje, ele se mostra mais flexível, mais adaptado às necessidades do futebol moderno, sem abrir mão da disciplina tática que sempre o caracterizou. É um Milan menos espetacular, mas mais difícil de ser batido.

O Milan voltou a sonhar

Depois de anos de altos e baixos, o torcedor rossonero pode, enfim, voltar a sonhar com o topo da tabela. A equipe está viva na briga pelo título e, ao mesmo tempo, transmite a sensação de estabilidade que há tempos faltava em Milão. Allegri, o técnico tantas vezes criticado por seu estilo pragmático, dá sinais de que está vivendo o melhor momento de sua carreira à frente do clube.

Nos números, é o melhor Allegri que o Milan já teve. E no campo, é talvez o mais completo: mais maduro, mais estratégico e com um time que, se não encanta, convence. Se mantiver o ritmo, os rossoneri têm tudo para brigar até o fim por um Scudetto que não parece mais um sonho distante.