Phoenix Suns e Charlotte Hornets fecharam uma troca neste domingo (28). No acordo, os Suns receberam Miles Bridges, uma escolha de 1ª rodada de 2029 e uma 2ª rodada em 2027. Em contrapartida, Grayson Allen, Royce O’Neale e uma escolha de 1ª rodada em 2033 seguiram para os Hornets. Confira a análise da negociação e dos impactos para ambas as franquias.
Confira a análise da troca para o Phoenix Suns
Os Suns recuperaram parte de seu capital de Draft, mas a um custo
O Phoenix Suns comprometeu todas as suas próprias escolhas de 1ª rodada até 2031 e agora também negociou a de 2033, restando a de 2032 como a única escolha de 1ª rodada que a franquia controlará nos próximos anos. No entanto, com a escolha de 1ª rodada dos Hornets que a equipe terá em 2029, Phoenix voltará a poder selecionar um jogador na 1ª rodada por três anos seguidos (2027, 2028 e 2029).
Com o capital de Draft comprometido pelas trocas por Bradley Beal e Kevin Durant, os Suns precisavam encontrar uma maneira de minimizar os danos. No entanto, abriram mão de uma escolha de 1ª rodada em 2033, apostando que conseguirão reconstruir o elenco antes dessa seleção ser exercida. Caso contrário, a decisão pode acabar sendo mais um ‘tiro pela culatra’.
A aposta em Miles Bridges parece pouco condizente com a situação da franquia

O Phoenix Suns de 2025/26 até surpreendeu ao chegar aos playoffs após a troca de Kevin Durant. Collin Gillespie deu uma resposta acima das expectativas, Dillon Brooks teve a melhor temporada da carreira, mas isso não foi suficiente. A equipe venceu apenas 45 jogos e acabou atropelada pelo Oklahoma City Thunder nos playoffs.
O recado deixado por essa temporada é que os Suns ‘morreram vendendo saúde’, mas a mensagem não parece ter sido assimilada pelo front office. A troca por Miles Bridges reforça essa impressão. É verdade que o ala acrescenta qualidade na criação do próprio arremesso e torna a equipe mais física, mas dificilmente mudará o patamar da franquia.
Além disso, Devin Booker parece estagnado na carreira, apesar da média de 26.1 pontos por jogo em 2025/26. Dillon Brooks dificilmente repetirá uma temporada de 20 pontos por partida, enquanto o garrafão segue cercado de dúvidas. Jalen Green pode até render mais se conseguir atuar com maior regularidade, mas isso também não parece suficiente para mudar a situação do Phoenix Suns.
Apesar de tudo, há razões para explicar a chegada de Miles Bridges
A troca de Royce O’Neale e Grayson Allen por Miles Bridges deixa clara a intenção do Phoenix Suns de aumentar sua produção no garrafão. Bridges ataca a cesta com muito mais frequência do que O’Neale e Allen e pode oferecer uma alternativa para melhorar o desempenho da equipe na área pintada, justamente um dos principais problemas do time em 2025/26.
O acordo ainda pode abrir uma vaga no elenco dos Suns, dando à franquia mais margem para atuar na Free Agency, algo que parecia improvável após as últimas renovações. Outro fator que ajuda a explicar a negociação é a intenção de estender o contrato de Miles Bridges, que entrará no último ano de seu vínculo em 2026/27.
Confira a análise da troca para o Charlotte Hornets
A troca de Bridges pode parecer surpreendente, mas há justificativas
O Charlotte Hornets, em poucos dias, negociou dois titulares da equipe que alcançou seu melhor resultado nos últimos dez anos, o que naturalmente gera preocupação. No entanto, ao menos no caso de Miles Bridges, esse movimento era relativamente esperado, já que o jogador entrará no último ano de seu contrato.
Além disso, Bridges vive um momento diferente da carreira aos 28 anos, em contraste com Kon Knueppel e Brandon Miller, projetados para liderar os Hornets após a saída de LaMelo Ball. Esse contexto também ajuda a explicar a decisão da franquia de negociá-lo.
Olhando os termos da troca, o Charlotte Hornets pode ter adquirido o ativo mais valioso da negociação: a escolha de 1ª rodada de 2033 do Phoenix Suns. A seleção não possui qualquer tipo de proteção, e não há garantia de que o Suns estará forte o suficiente para transformá-la em uma escolha de fim de 1ª rodada. Esse potencial pode ter sido um dos principais fatores para Charlotte aceitar o acordo.
Grayson Allen e Royce O’Neale poderão ser importantes neste elenco

Royce O’Neale já tem 33 anos, enquanto Grayson Allen está com 30, o que contrasta com o perfil do restante do elenco do Charlotte Hornets. Ainda que não ofereçam o mesmo teto ofensivo de Miles Bridges, ambos podem ser peças úteis na rotação, caso não sejam negociados. A experiência da dupla também pode ser um diferencial, especialmente O’Neale, conhecido por sua influência positiva no vestiário.
Grayson Allen teve apenas 34.9% de aproveitamento nas bolas de três em 2025/26, enquanto registrou a maior média de pontos da carreira (16.5), o que indica aumento do seu volume de arremessos. Em oito temporadas de carreira, foram seis com pelo menos 39% de aproveitamento do perímetro, reforçando sua qualidade como arremessador. Ele também pode atuar como ball-handler, atributo que pode ser interessante para os Hornets.
Royce O’Neale é um sólido 3-and-D, com versatilidade defensiva para marcar múltiplas posições sem ser facilmente explorado em mismatches. No ataque, é um arremessador confiável no catch-and-shoot, registrando 40% de aproveitamento nas bolas de três nas últimas duas temporadas.
FOTO: Vincent Carchietta/Imagn Images


