Nas ligas americanas, quando um estrangeiro chama a atenção numa liga fora dos Estados Unidos, ele ganha um tratamento diferente do que um americano recebe, o que é natural para eles. Na MLB, isso não muda com relação aos jogadores japoneses e Munetaka Murakami está provando isso no maior palco de beisebol do mundo.
A Major League Baseball é o esporte de maior mistura de nacionalidades entre todos os elencos. Tem estadunidense, mexicano, canadense, dominicano, porto-riquenho, coreano, japonês, italo-americano, colombiano, venezuelano etc. É bastante comum vermos estrelas de vários países brilhando em campos dos Estados Unidos e Canadá. Fora a NFL, é algo bastante comum na terra do Tio Sam.
MLB e os talentos nipônicos
Se tratando do beisebol, a liga japonesa não fica muito atrás. Classificada por alguns como uma “AAA”, o Japão revelou para o mundo nomes de peso com o passar dos anos. A partir dos anos 90, tivemos nomes que brilharam como Ichiro Suzuki, Hideo Nomo e Hideki Matsui. Nos tempos atuais, Shohei Ohtani domina as manchetes com o seu companheiro de seleção e de Los Angeles Dodgers, Yoshinobu Yamamoto. Mas nem todos os jogadores japoneses conseguiram manter o sucesso da Nippon Professional Baseball nos EUA, como foi o caso de Daisuke Matsuzaka (2x MVP do World Baseball Classic) por exemplo.
A desconfiança é natural para os lados de lá. Mas até quando a hype é grande, nem sempre corresponde as expectativas. Por exemplo, Roki Sasaki. O arremessador japonês, fenômeno local e com jogo perfeito na bagagem, teve dificuldades para se acostumar ao jogo da MLB. Em situações de emergência, como foi na última campanha de título dos Dodgers, ele correspondeu. Mas diante de tudo que o cercava, fica um pouco de decepção. Mas ele é novo e pode dar a volta por cima.
Por conta disso, a desconfiança chegou em outro fenômeno do Japão: Munetaka Murakami. O primeira/terceira base quebrou os recordes da NPB em Home Runs. O que, para os locais e quem acompanha a liga de perto, é um feito enorme. Pois a liga japonesa não costuma ter grandes sluggers (os jogadores produtivos no ataque através de potência no bastão). As altas taxas de strikeouts (mais de 30%) também colaboraram para tal.
Diante deste cenário, o que parecia ser um contrato vantajoso para quem iria desembarcar na América como o mais novo rebatedor japonês de força, acabou se contentando com um acordo curto com o Chicago White Sox (2 anos, U$34 milhões). O time de South Side não vem de temporadas brilhantes e está em modo de reconstrução, o popular “rebuild”. Numa franquia com aspirações menores de imediato, era aceitar para mostrar o seu serviço.
Na estreia? Home Run em Milwaukee. Nos três jogos em Wisconsin? Home Run em todos. Ali já começava a chamar a atenção. Passado um mês de temporada regular, Murakami está empatado na liderança de Home Runs da MLB com o cubano Yordan Alvarez do Houston Astros (11).
Números de Murakami (em 25/4/26)
- 25,6% de aproveitamento no bastão (23-90)
- 39,8% de aproveitamento chegando em base (26 walks)
- 11 Home Runs
- 20 corridas impulsionadas (empatado em 12º)
- 1.020 OPS (3º)
- 183 OPS+ (3º)
Sua página no Statcast, voltado para estatísticas avançadas, mostram muitas marcas acima da média do jogador japonês. A questão dos strikeouts (36 – empatado em 6º) que fez com que os scouts e general managers em toda a MLB ficassem receosos a contar com os seus serviços, é justificável. Mas com uma produção ofensiva de primeiro mundo, as falhas ficam em segundo plano.
Seu time, o White Sox, está com campanha 11-15 e ocupa o quarto lugar da AL Central. É muito cedo para falar em trocas, afinal não chegamos nem aos 20% dos jogos disputados na temporada. Aos 26 anos, e voltando ao mercado quando tiver 28 e mantendo números “a la Kyle Schwarber”, não faltará candidatos dos times ditos de mercado grande para contar com a produção de Murakami.
O que nos ensina que, até que se prove o contrário, dê uma chance mesmo com todas as desconfianças. No caso do White Sox, pode ser encontrado ouro. E a MLB agradece.