World Baseball Classic Venezuela
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World Baseball Classic – Venezuela histórica

Um roteiro de cinema para a conclusão do World Baseball Classic. Em sua sexta edição, quis o destino que uma determinada e aplicada Venezuela derrubasse gigantes e grandes histórias para faturar o seu primeiro título da competição.

Para quem está começando a acompanhar o beisebol de forma recente, saiba que os venezuelanos tem como uma das suas paixões o beisebol. É do país que o primeiro Hall da Fama latino do beisebol foi eternizado (Luis Aparicio, 1984) e sempre foi um grande exportador de grandes nomes não só da história como da atualidade. Entre eles estão: Miguel Cabrera, Bobby Abreu, José Altuve, Johan Santana, Felix Hernandez, etc (Lista completa dos venezuelanos que jogaram na MLB aqui).

No World Baseball Classic, o sucesso nunca acontecia. Sua melhor campanha até então havia acontecido em 2009, quando chegou as semifinais (derrotando os Estados Unidos na campanha) e caiu para a Coreia do Sul. Na última edição em 2023, ficou nas quartas-de-final para os americanos.

Até que veio 2026, e diante de tudo o que país enfrentou nos últimos meses, havia um torneio a ser disputado. No grupo D junto da favorita República Dominicana, da perigosa Holanda e dos azarões Israel e Nicarágua, a vinho-tinto garantiu a vaga de forma de antecipada vencendo as três partidas e enfrentar os dominicanos valendo a primeira colocação da chave. A derrota, numa partida onde a atmosfera latina tomou conta de Miami com festas e danças das duas torcidas, preparou o palco para o duelo das quartas contra o tricampeão do WBC: Japão.

World Baseball Classic – Roteiro de cinema

Contra os japoneses, um jogo bastante disputado desde o início com Home Runs de Ronald Acuña Jr e Shohei Ohtani ainda na primeira entrada. Com uma desvantagem de 5-1, a Venezuela tinha que escalar uma montanha e fazer algo até então inédito: eliminar o Japão antes das semifinais. A missão foi cumprida com drama, com destaque para o Home Run da virada de Wilyer Abreu na sexta entrada para explodir o loanDepot Park e voltar as semifinais depois de 17 anos com a vitória por 8-5 e de quebra garantindo a vaga para as Olimpíadas de 2028.

Na semifinal, a “Cinderela” do torneio: Itália. Composta em sua grande maioria por ítalo americanos, a Azurra surpreendeu no grupo B ao passar em primeiro de forma invicta e de quebra salvando os EUA de um vexame histórico graças a um “mal-entendido” do manager Mark DeRosa que achou que seus comandados estavam classificados antes do jogo contra a Itália sem saber que em caso de derrota teria que torcer por uma combinação de resultados para avançar de fase.

Após eliminar Porto Rico, os italianos queriam fazer história e até abriram 2-0 na segunda entrada. Novamente indo atrás do resultado, os venezuelanos mostraram poder de reação com Home Run solo de Eugenio Suarez e corridas impulsionadas por Acuña e Maikel Garcia para concluir mais uma virada, que ainda teve Luis Arraez impulsionando outra corrida de segurança. A vitória por 4-2 colocava um país latino de volta a final depois de nove anos.

Na grande decisão, os Estados Unidos. Os americanos chegaram graças a uma série de acontecimentos que fizeram com que toda a percepção de “Dream Team” fosse ofuscada por eles mesmos. Além do papelão de DeRosa, o time ficou marcado pela falta de “cordialidade” do seu catcher, Cal Raleigh, ao não cumprimentar no plate seu colega de Seattle Mariners, Randy Arozarena, no jogo contra o México. A partida terminou em vitória dos estadunidenses e por comemorar demais, culminou numa preparação para uma partida onde poderia poupar visando a fase eliminatória. Não fosse por Vinnie Pasquantino, não teria sequer essa classificação.

Mesmo sem jogar um beisebol brilhante, não encontrou dificuldades para vencer o Canadá nas quartas. Na semifinal, o jogo contra os dominicanos se desenhava um embate entre duas seleções históricas. Num duelo tenso, os americanos venceram de virada por 2-1. Porém, com a última chamada do jogo sendo bastante controversa a favor dos Estados Unidos. Pela terceira vez seguida, os americanos chegavam a grande final.

Em campo, prevaleceu o jogo venezuelano que não precisou aplicar da sua força. Sempre com corredores em base e se aproveitando de uma noite apagadíssima dos Estados Unidos, abriu 1-0 com um sac fly de Garcia para impulsionar Salvador Perez na terceira entrada. Na quarta entrada, Home Run solo de Wilyer Abreu para aumentar a vantagem para duas corridas. Enquanto o ataque venezuelano mostrava suas garras, os americanos não tinham resposta para Eduardo Rodriguez, que lançou 4.1 entradas com muito brilhantismo, cedendo apenas uma rebatida e um walk e distribuindo quatro strikeouts.

Por estratégia e contagem de arremessos, o bullpen entrou cedo e de eliminação em eliminação colocava a Venezuela mais perto do inédito título. Mas na oitava entrada, como parecia ser um roteiro de filme, o adversário mostrava força. Com um em base e dois eliminados, Bryce Harper isolou a basebola para empatar o jogo em 2-2 e dar ânimo para um time que estava perdendo não só em campo como também na vibração.

Na parte alta da nona entrada, um leadoff walk de Arraez era tudo que a Venezuela precisava. Javier Sanoja entrou em seu lugar e num típico jogo de small ball cumpriu com o seu papel. Roubo da segunda base e Geno Suarez não iria desperdiçar. Com apenas três rebatidas em todo o WBC, sendo dois Home Runs, bastou apenas uma dupla para impulsionar a corrida mais importante de sua carreira. 3-2.

Daniel Palencia, closer do Chicago Cubs, tinha a tarefa de eliminar Kyle Schwarber, Gunnar Henderson e Roman Anthony. Em uma entrada limpa, Palencia escreveu um dos mais belos capítulos da história do esporte ao garantir a conquista do maior torneio de seleções do beisebol para um país que, apesar de tudo que se passou, mostra sua paixão pelo beisebol. Eles não precisam de badalações e holofotes, e por essas histórias que vale a pena desfrutar do esporte.