Do outro lado do planeta, uma liga se aproxima de seu capítulo final. Na MLS, restam apenas 90 minutos para o encerramento da temporada: a decisão dos playoffs acontece neste sábado (6), às 16h30 (horário de Brasília), entre o Inter Miami de Lionel Messi e o Vancouver Whitecaps de Thomas Muller. Enquanto o campeão não é conhecido, cresce a expectativa em torno de jovens promessas que podem movimentar o mercado de transferências nos próximos meses — já que grandes clubes europeus monitoram atentamente seus desempenhos.
Entre todos, o nome mais comentado é o do meio-campista Obed Vargas, de apenas 20 anos, peça fundamental do Seattle Sounders e líder do ranking 22 Under 22 de 2025 — sendo o primeiro mexicano a alcançar o topo desde que a lista adotou o recorte “Under 22”. Sua regularidade na armação e sua segurança defensiva, somadas ao protagonismo em um clube relevante da MLS, colocam-no em um momento ideal para uma mudança internacional de grande porte, que certamente já desperta interesse do futebol europeu.
Outro jovem em ascensão nesta temporada é o lateral-direito Alex Freeman, do Orlando City, vencedor do prêmio de Melhor Jogador Jovem da MLS em 2025, algo raro para um defensor. Sua versatilidade, força ofensiva e leitura de jogo o tornam um nome natural para uma transferência em breve — e até candidato a uma vaga na seleção dos Estados Unidos de Mauricio Pochettino para a Copa do Mundo de 2026, mas terá que enfrentar a concorrência de Sergiño Dest, que vem sendo titular absoluto.
A lista de possíveis viajantes rumo à Europa inclui ainda o venezuelano David Martínez, do Los Angeles FC. Quinto colocado entre os melhores “Under 22” da liga, combina técnica, visão e o fator mais valioso no mercado: margem de evolução. Soma-se a ele o meio-campista do Austin FC, Owen Wolff, que desponta como um dos mais promissores talentos da MLS em 2025 — seguindo a trajetória de jovens que historicamente migraram para o futebol europeu. Sua capacidade de adaptação e maturidade tática fazem dele uma aposta de longo prazo para clubes que buscam formação e desenvolvimento.
Completa o grupo o atacante Idan Toklomati, do Charlotte FC, presença constante no topo do ranking 22 Under 22 2025, o que naturalmente o coloca sob a atenção de observadores internacionais — ainda mais levando em conta a tradição europeia de apostar em atacantes jovens, dinâmicos e versáteis. Outros nomes que ganham força na MLS são Jack McGlynn do Houston Dynamo, Brian Gutiérrez, do Chicago Fire e Diego Luna, do Real Salt Lake, que também brilharam ao longo da temporada.
A combinação entre juventude, desempenho consistente e visibilidade global — com a MLS assumindo cada vez mais o papel de vitrine internacional — torna essa geração especialmente atraente. A janela de janeiro de 2026 pode ser um divisor de águas para muitos desses atletas, principalmente para Vargas e Freeman, que buscam consolidar seus nomes antes da Copa do Mundo organizada por Estados Unidos, Canadá e México, entre os meses de junho e julho.
MLS em ascensão: cinco jovens para observar na janela de janeiro
Com o campeonato americano ganhando repercussão mundial e os clubes europeus atentos, a lista de promessas elaborada pela Calciomercato destaca cinco talentos que podem protagonizar transferências já na próxima janela. Aqui estão os principais nomes:
Obed Vargas
O maestro do meio-campo. Um volante moderno que combina solidez defensiva, qualidade na saída de bola e capacidade de conduzir o ritmo da equipe. Iniciou o ano atuando no Mundial de Clubes — de onde o Seattle caiu na fase de grupos — e perdeu parte final da temporada regular devido à disputa do Mundial Sub-20 pelo México.
Com dupla nacionalidade (mexicana e americana), já soma convocações para a seleção principal mexicana, estreando justamente contra os Estados Unidos. Seu contrato se encerra em 31 de dezembro, e ele é representado pela agência El C1elo, sem jogadores em atividade na Itália.

Alex Freeman
Lateral-direito nascido em 2004, disputou cerca de 30 partidas na MLS e foi titular absoluto em quase todas — sendo substituído em apenas três. Peça indispensável do técnico Oscar Pareja, vive momento ideal para uma transferência, sobretudo porque seu contrato vai até dezembro de 2026.
Já atuou 13 vezes pelos Estados Unidos e é representado pela Wasserman, mesma agência de jogadores como Dumfries e Koopmeiners, que defendem as camisas de Internazionale e Juventus, respectivamente.

Jack McGlynn
Com cidadania americana e irlandesa, iniciou como meio-campista central, mas atuou principalmente pela ponta direita. Seu contrato termina no fim do mês, mas o Houston possui opção de renovação automática por dois anos.
Fez 26 partidas na MLS — todas como titular — somando 6 gols e 6 assistências. É agenciado pela Supra Soccer Agency e já despertou interesse de clubes como Udinese, Parma e Sassuolo.

Brian Gutiérrez
Um meia-atacante clássico, dotado de criatividade, drible e ótimo chute de direita. Serve o Chicago Fire com gols e assistências: 9 gols e 4 passes decisivos em 32 partidas da MLS.
Já atuou também como ponta-direita e tem contrato até dezembro de 2028. Com dupla nacionalidade (americana e mexicana), integra a mesma geração de Ricardo Pepi, do PSV, cujos representantes dialogaram com clubes italianos em janelas recentes.

Diego Luna
Formado na base do Barcelona — La Masia — entre 2018 e 2021, é um ponta canhoto que atua pela direita com o pé invertido, mas também pode jogar como meia-atacante ou até centroavante.
Com 1,70m, é ágil, técnico e já soma cerca de 20 jogos pela seleção dos Estados Unidos. Seu contrato termina em 31 de dezembro, porém o Real Salt Lake pode renová-lo automaticamente até 2028. É representado pela Supra Soccer Agency, a mesma de McGlynn.

Por que agora é o momento ideal para mirar a Europa
A MLS se consolida como uma “vitrine global”: clubes europeus já não veem a liga apenas como destino para veteranos, mas como terreno fértil para jovens talentos. Com o mercado aquecido, a janela de janeiro surge como oportunidade perfeita para que promessas transformem projeção em realidade.
Obed Vargas ou Alex Freeman: quem pode brilhar primeiro fora da MLS?
A disputa simbólica entre Vargas e Freeman representa o momento de efervescência da Major League Soccer. Ambos têm condições reais de se transferir para a Europa na próxima temporada — e também de conquistar espaço em suas seleções na corrida final para a Copa do Mundo de 2026.
Vargas, meio-campista do Seattle Sounders, talvez seja o projeto mais sólido da nova geração da MLS. Aos 20 anos, demonstra maturidade, inteligência tática e uma rara capacidade híbrida: marcar, criar e controlar o ritmo do jogo. Seu perfil se encaixa perfeitamente no modelo buscado por clubes europeus para o meio-campo moderno. Para o México, representa um reforço estratégico: a seleção carece de jovens meio-campistas prontos para competir internacionalmente, e uma ida à Europa pode acelerar sua evolução.
Freeman, por outro lado, é o protótipo do lateral-direito moderno: potência física, velocidade, profundidade e precisão nas ações ofensivas. No Orlando City, tornou-se peça essencial por sua capacidade de atacar espaços e recompor rapidamente. Para os Estados Unidos, posição tradicionalmente disputada, Freeman surge como opção de renovação — e a boa adaptação histórica de laterais americanos à Europa reforça suas chances.
A comparação entre os dois passa por necessidades específicas de cada seleção. Vargas oferece ao México liderança e controle de meio-campo; Freeman entrega aos Estados Unidos força, amplitude e explosão. Mas, quando o debate se resume a quem pode brilhar antes fora da MLS, Vargas tem leve vantagem: sua influência direta na construção de jogo e sua maturidade competitiva tornam sua transição mais imediata.
Ainda assim, ambos possuem potencial suficiente para se tornarem protagonistas além da MLS. O futuro dependerá da capacidade de converter desempenho local em consistência internacional — e, se isso ocorrer, México e Estados Unidos ganharão reforços valiosos rumo à Copa do Mundo de 2026.
(Foto: Getty Images)

