Gilberto Mora está dando mais um passo importante em uma carreira que vem chamando atenção no futebol mexicano. Aos 17 anos, o jovem meia deve assumir a camisa 10 da seleção do México, um número que carrega uma história enorme e que já pertenceu a alguns dos maiores jogadores da história do país.
A mudança acontece depois de Mora vestir a camisa 19 durante a Copa do Mundo de 2026. Agora, com o início de uma nova etapa sob o comando de Rafael Márquez, o jogador deve receber a camisa mais simbólica da seleção. A expectativa é que o número permaneça com ele durante o ciclo para a Copa do Mundo de 2030.
Não se trata apenas de uma troca de número. No México, a camisa 10 representa criatividade, liderança e responsabilidade. Jogadores como Tomás Boy, Luis García e, principalmente, Cuauhtémoc Blanco ajudaram a construir o peso dessa camisa ao longo das décadas.
Por isso, a escolha de Mora aos 17 anos mostra o tamanho da expectativa existente em torno do jovem.
Uma camisa que pertenceu a grandes nomes do México

A história da camisa 10 do México ajuda a entender por que a chegada de Mora ao número é tão significativa.
Tomás Balcázar foi o primeiro mexicano a vestir a camisa 10 em uma Copa do Mundo, em 1954. Décadas depois, Tomás Boy utilizou o número durante a Copa do Mundo de 1986, torneio em que o México alcançou seu melhor desempenho em Mundiais até a edição de 2026.
Luis García também vestiu a camisa durante os anos 1990. O atacante teve uma passagem marcante pelo futebol europeu e marcou 20 gols pelo Atlético de Madrid na temporada 1992/93, um número que ainda aparece como recorde compartilhado para um jogador mexicano em sua primeira temporada na Europa.
Mas nenhum nome está tão associado à camisa 10 quanto Cuauhtémoc Blanco.
O ídolo do Club América disputou três Copas do Mundo utilizando o número e marcou em todas elas. Blanco ficou conhecido por sua criatividade, habilidade e capacidade de decidir partidas, tornando a camisa 10 ainda mais ligada à figura de um jogador capaz de assumir protagonismo.
Agora, Mora terá a oportunidade de escrever seu próprio capítulo nessa história.
O jovem já possui marcas impressionantes para sua idade. Ele se tornou o jogador mais jovem da história do México em uma Copa do Mundo e também o jogador mais jovem da história do futebol a conquistar um título internacional pela seleção principal.
Esses números ajudam a explicar por que o México decidiu colocar tamanha responsabilidade sobre seus ombros.
Mora também começou a utilizar a camisa 10 no Tijuana, seu clube na Liga MX. A mudança aconteceu antes mesmo de receber o número na seleção, mostrando que o jogador já vinha assumindo um papel cada vez mais importante em nível profissional.
O desafio será lidar com a pressão

Receber a camisa 10 aos 17 anos também significa conviver com comparações.
O México já teve outros jovens tratados como futuros grandes jogadores que não conseguiram atingir tudo aquilo que era esperado. O principal exemplo citado nesse contexto é Giovani Dos Santos.
Campeão mundial Sub 17 e formado nas categorias de base do Barcelona, Giovani Dos Santos também foi visto como um dos grandes responsáveis pelo futuro do futebol mexicano. Ele recebeu a camisa 10 em 2010 e disputou duas Copas do Mundo com o número.
Apesar de momentos de grande talento, sua carreira não atingiu o nível que muitos imaginavam quando ele ainda era jovem. A expectativa criada em torno de Giovani Dos Santos acabou se transformando em uma cobrança constante.
Alexis Vega também representa outro exemplo. O atacante foi o camisa 10 do México em grandes competições recentes, mas encontrou dificuldades para reproduzir na seleção o futebol que apresentou pelo Toluca, onde foi protagonista em conquistas consecutivas da Liga MX.
Mora terá que evitar esse caminho.
A diferença é que o jovem chega à camisa 10 com uma trajetória que ainda está apenas começando. Aos 17 anos, ele ainda terá muito tempo para desenvolver aspectos técnicos, físicos e táticos do seu futebol.
A pressão, porém, será imediata.
A camisa 10 cria naturalmente uma expectativa de protagonismo. Torcedores esperam que o jogador participe das principais jogadas, crie oportunidades, marque gols e apareça nos momentos decisivos. No caso de Mora, essa cobrança será ainda maior porque o México já o enxerga como uma das principais esperanças para o futuro.
Javier Aguirre, que trabalhou com o jovem, também demonstrou confiança. O treinador chamou Mora de “craque” e afirmou que ele merece jogar em um grande clube europeu.
Essa possibilidade também faz parte do futuro do jogador. Se continuar evoluindo, uma transferência para a Europa pode se tornar o próximo grande passo de sua carreira.
Por enquanto, Mora precisa se concentrar em consolidar seu espaço no México.
A camisa 10 não garante protagonismo. Ela representa uma oportunidade e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. O jovem terá que provar dentro de campo que consegue lidar com a pressão e manter o crescimento apresentado até agora.
A escolha também mostra uma mudança de geração na seleção mexicana. O país está tentando construir um novo ciclo pensando na Copa do Mundo de 2030, e Mora aparece como uma das principais peças desse projeto.
Aos 17 anos, ele já carrega feitos que poucos jogadores conseguiram alcançar tão cedo. Agora, terá a missão de transformar esse potencial em uma carreira de alto nível.
O caminho ainda é longo, mas a camisa 10 coloca Gilberto Mora diante de uma oportunidade especial. Ele não precisa repetir Cuauhtémoc Blanco, Tomás Boy ou qualquer outro ídolo mexicano. Seu principal desafio será construir sua própria história com um número que, no México, sempre significou muito mais do que apenas um número nas costas.
(Foto de capa: Selecion Nacional)



