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Mourinho e seus grandes acertos: os 10 reforços que marcaram a carreira do português

José Mourinho está vivendo mais um verão movimentado. De volta ao comando do Real Madrid após duas temporadas sem títulos, o português ganhou respaldo da diretoria para reformular o elenco e já viu o clube investir pesado em nomes como Yan Diomande, Marc Cucurella e Denzel Dumfries. Bernardo Silva e Ibrahima Konaté também chegaram sem custos.

A ideia é clara: construir uma equipe capaz de voltar a competir pelo topo da Espanha e, principalmente, recuperar o protagonismo na Champions League. Para isso, Mourinho terá à disposição um elenco que combina as novas contratações com estrelas como Kylian Mbappé, Vini Jr., que renovou seu contrato, e Jude Bellingham.

Não é a primeira vez que o treinador recebe a missão de reconstruir um gigante europeu. Ao longo da carreira, Mourinho ficou conhecido não apenas pelos títulos, mas também pela capacidade de identificar jogadores que se encaixavam perfeitamente em seus projetos.

Algumas dessas contratações se transformaram em lendas. Outras foram apostas de mercado que renderam muito mais do que o esperado. Houve ainda jogadores que chegaram por valores relativamente baixos e acabaram sendo fundamentais para campanhas históricas.

Com base nesse histórico, confira os 10 maiores acertos de Mourinho no mercado de transferências.

10. Zlatan Ibrahimović

Quando Zlatan Ibrahimović chegou ao Manchester United em 2016, aos 34 anos, muitos questionavam se o sueco ainda conseguiria atuar em alto nível na Premier League. Afinal, ele vinha de uma temporada impressionante pelo Paris Saint-Germain, com 50 gols em 51 partidas.

Mourinho, que já havia trabalhado com o atacante na Inter de Milão, apostou na experiência do centroavante. E a resposta veio rapidamente: Ibrahimović marcou 28 gols em sua primeira temporada, incluindo dois na final da Copa da Liga Inglesa contra o Southampton, e foi importante na campanha que terminou com o título da Europa League.

Uma grave lesão atrapalhou sua segunda temporada em Old Trafford, mas isso não impediu que Zlatan deixasse o clube como um dos principais nomes da equipe naquele período.

9. Cesc Fàbregas

A chegada de Cesc Fàbregas ao Chelsea, em 2014, também representava uma aposta. Depois de três temporadas no Barcelona, o meio-campista retornava à Inglaterra em busca de recuperar o protagonismo.

Mourinho encontrou uma maneira de potencializar suas características. Mais recuado no meio-campo, Fàbregas virou o principal articulador do Chelsea e terminou sua primeira temporada com impressionantes 18 assistências.

A parceria com Diego Costa funcionou especialmente bem, e o espanhol foi fundamental para o título da Premier League de 2014/15. Mesmo depois da saída de Mourinho, Fàbregas continuou sendo importante e também participou da conquista do campeonato em 2016/17.

8. Michael Essien

Em 2005, o Chelsea pagou 24,4 milhões de libras ao Lyon por Michael Essien e transformou o ganês na contratação mais cara da história do clube naquele momento.

A aposta rapidamente se justificou. Essien era o típico meio-campista box-to-box, combinando força física, capacidade de marcação, leitura de jogo e qualidade para chegar ao ataque. Além disso, tinha um poderoso chute de longa distância, responsável por um dos gols mais marcantes da Premier League, contra o Arsenal, em 2006.

O ganês permaneceu nove anos em Stamford Bridge, conquistou títulos nacionais e também levantou a Champions League. Não por acaso, Mourinho o considerava um dos jogadores mais completos com quem havia trabalhado.

7. Benni McCarthy

Antes de se tornar uma das peças do Porto campeão europeu, Benni McCarthy já havia trabalhado com Mourinho durante um empréstimo ao clube português.

Naquela passagem, marcou 12 gols em apenas 11 partidas, mas o Porto não conseguiu contratá-lo em definitivo. O reencontro aconteceu em 2003, quando o clube pagou cerca de 3 milhões de libras ao Celta de Vigo.

Foi um investimento certeiro. McCarthy marcou 25 gols na temporada 2003/04 e teve papel importante na conquista da Champions, inclusive balançando as redes duas vezes no histórico confronto contra o Manchester United nas oitavas de final.

Não era o jogador mais técnico daquele Porto, mas entendia como poucos os espaços e a pressão exigida por Mourinho.

6. Diego Costa

Diego Costa foi outro jogador que pareceu feito sob medida para o futebol de Mourinho. Contratado pelo Chelsea por 32 milhões de libras em 2014, o atacante chegou depois de uma grande temporada pelo Atlético de Madrid e rapidamente mostrou que poderia dominar as defesas inglesas.

Foram 20 gols em 26 partidas na Premier League em sua primeira temporada, números fundamentais para o título dos Blues.

Costa combinava força física, agressividade e enorme eficiência dentro da área. Era o tipo de atacante que transformava qualquer disputa com os zagueiros em uma batalha — exatamente o perfil que Mourinho procurava. Ele ainda conquistaria outro título inglês com o Chelsea em 2016/17.

5. Diego Milito

A contratação de Diego Milito talvez seja uma das melhores demonstrações do faro de Mourinho. Aos 30 anos, o argentino chegou à Inter em 2009 sem ainda ter vivido uma grande experiência no mais alto nível europeu. Nos anos anteriores, havia construído bons números por Zaragoza e Genoa, mas ainda não era tratado como uma estrela mundial.

Com Mourinho, tudo mudou. Milito se tornou a referência ofensiva de uma Inter construída para explorar transições rápidas. E apareceu justamente quando o time mais precisava dele.

Marcou o gol do título da Copa da Itália contra a Roma, decidiu a partida que confirmou o Scudetto diante do Siena e fez os dois gols da final da Champions League contra o Bayern de Munique.

Também marcou em todas as fases eliminatórias da campanha europeia. Uma contratação que custou cerca de 22 milhões de libras e entregou alguns dos gols mais importantes da história recente da Inter.

4. Wesley Sneijder

Sneijder chegou à Inter em 2009 por apenas 13 milhões, depois de perder espaço no Real Madrid. Mourinho rapidamente percebeu que tinha nas mãos o jogador ideal para organizar seu sistema.

O holandês assumiu o papel de principal articulador e teve uma temporada extraordinária.

Na Champions, marcou e deu assistência na vitória por 3 a 1 sobre o Barcelona na semifinal e terminou a competição com seis passes para gol, o maior número do torneio.

Sneijder também foi importante na fase de grupos e formou, ao lado de Milito, Eto’o e outros nomes, uma das equipes mais competitivas da Europa naquele período. O auge veio com a Tríplice Coroa: Campeonato Italiano, Copa da Itália e Champions League.

3. Ricardo Carvalho

Mourinho não levou apenas jogadores do Porto para outros projetos. Em 2004, quando assumiu o Chelsea, também levou consigo um dos pilares da equipe campeã europeia.

Ricardo Carvalho custou cerca de 20 milhões de libras e imediatamente formou uma parceria histórica com John Terry.

A dupla foi fundamental para a transformação defensiva do Chelsea, que sofreu apenas 15 gols na Premier League na temporada 2004/05 — um recorde que ajudou o clube a conquistar seu primeiro título inglês em 50 anos.

Carvalho combinava velocidade, qualidade técnica e capacidade de antecipação. Para Mourinho, era praticamente o defensor ideal para seu sistema.

Os dois ainda voltariam a trabalhar juntos no Real Madrid, a partir de 2010.

2. Samuel Eto’o

Quando Zlatan Ibrahimović deixou a Inter para ir ao Barcelona, Mourinho perdeu um dos grandes atacantes do futebol europeu. Em troca, porém, recebeu Samuel Eto’o.

O negócio envolveu 40 milhões de libras e a inclusão do camaronês na operação. A princípio, poderia parecer que a Inter havia perdido poder de fogo. A realidade foi bem diferente.

Mourinho reposicionou Eto’o, utilizando-o em alguns momentos mais aberto pelo lado direito, e o atacante aceitou uma função muito mais disciplinada sem a bola. Além de marcar 16 gols naquela temporada, passou a ser importante na pressão e na recomposição defensiva.

Eto’o foi peça fundamental na campanha que terminou com a Tríplice Coroa e ainda teve um sabor especial ao eliminar o próprio Barcelona de Guardiola nas semifinais da Champions League.

Mourinho perdeu Ibrahimović, mas encontrou outra estrela perfeitamente adaptada ao seu projeto.

1. Didier Drogba

Se existe uma contratação que simboliza o melhor de Mourinho no mercado, é Didier Drogba. O Chelsea pagou cerca de 24 milhões ao Marseille em 2004, mas o atacante demorou um pouco para justificar o investimento. Em sua primeira temporada, marcou apenas 10 gols na Premier League e chegou a cogitar um retorno à França.

Mourinho, porém, não desistiu. O treinador sabia que havia ali um atacante capaz de se transformar em protagonista. Drogba ficou e, nas temporadas seguintes, passou a ser um dos maiores pesadelos dos defensores ingleses.

Força física, velocidade, capacidade de proteger a bola e, principalmente, uma enorme capacidade de aparecer nos grandes jogos fizeram do marfinense uma referência do Chelsea.

A parceria entre os dois ultrapassou os números. Drogba se tornou um dos maiores ídolos da história do clube e uma das principais armas dos times de Mourinho.

Os acertos de José Mourinho

No fim, talvez seja justamente isso que melhor explique o sucesso do português no mercado: Mourinho raramente procurou apenas os melhores jogadores disponíveis. Ele procurou os jogadores certos para o futebol que queria construir.

E é justamente essa habilidade que volta a ser colocada à prova no Real Madrid. Depois de mais de 200 milhões de euros investidos em uma nova geração de reforços, o português terá novamente a missão de transformar boas contratações em um time capaz de voltar ao topo da Europa.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Getty Images.