Uma investigação que sugere uma possível ligação entre pessoas próximas da direção do Corinthians e integrantes do PCC, foi aberta pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, e divulgada pela CNN Brasil, no começo desta terça-feira (13). A infiltração da maior facção criminosa paulista e considerada uma das maiores do país no clube é apontada como a etapa seguinte do caso VaideBet, no qual o clube é alvo desde o início de junho.
A hipótese de infiltração do Primeiro Comando da Capital no Corinthians surgiu com a identificação de que o carnaval poderia ter servido como uma porta de entrada para a facção criminosa. De acordo com promotores envolvidos no caso, esse modus operandi já foi utilizado pelo PCC em outras situações, permitindo o ingresso em setores estratégicos para a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Investigações revelam suposta lavagem de dinheiro da facção no Corinthians
Os promotores ouvidos pela CNN Brasil acreditam que o objetivo do PCC seja lavar dinheiro por meio de negócios lícitos, estratégia que já foi revelada em inquéritos anteriores, envolvendo a facção em atividades como o transporte público por ônibus em São Paulo, contratos de serviços com prefeituras da região metropolitana e interior do estado, e até mesmo em Organizações Sociais (OSs) que prestam serviços na área da saúde.
As informações que conectam o PCC ao Corinthians foram reforçadas por depoimentos de pessoas próximas à gestão do atual presidente, Augusto Melo, e de outros envolvidos na administração alvinegra. Embora ainda não existam provas concretas de uma ligação direta entre Melo e o crime organizado, as suspeitas se concentram em membros da cúpula do clube. O envolvimento desses indivíduos no processo de intermediação do patrocínio com a VaideBet, e possivelmente em outros setores, está sendo meticulosamente examinado pelos promotores do MPSP.
Nesta semana, o jornalista Wagner Vilaron, ex-Superintendente de Comunicação do Corinthians, será interrogado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Vilaron, que atuou no início da gestão de Augusto Melo, pode fornecer informações importantes para a investigação. Além dele, outras figuras-chave do clube também estão sendo ouvidas, com o objetivo de esclarecer o grau de influência da facção criminosa dentro do Timão.
Enquanto isso, a investigação do caso VaideBet avança, com a análise de dados bancários de pessoas e empresas envolvidas, obtidos por meio da quebra de sigilo autorizada pela Justiça. A Rede Social Media Design, empresa de Alex Cassundé, responsável por intermediar o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas, está sob forte investigação devido a irregularidades identificadas em sua atuação.
O contrato com a VaideBet, que tinha um valor total de R$370 milhões e duração prevista de três anos, foi abruptamente encerrado no primeiro semestre de 2024, após a casa de apostas alegar a violação de uma cláusula anticorrupção. O Corinthians, por sua vez, defende que todas as negociações de patrocínio foram realizadas dentro da legalidade e com empresas regularmente constituídas.
O inquérito do caso VaideBet tem previsão de conclusão para o final deste ano. Até lá, as autoridades continuarão a coletar e analisar provas que possam esclarecer o grau de envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) com o Corinthians. As informações reveladas até o momento indicam que a infiltração pode ter se dado por diferentes vias, incluindo não apenas o carnaval, mas também casas de apostas, torcidas organizadas e até mesmo seguranças que trabalham no clube.