Rio Open 2026
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Mudança de piso do Rio Open é necessária para parar de prejudicar os tenistas do Brasil

Há uma grande discussão sobre a mudança de piso no Rio Open. Com o saibro, o torneio acontece quando o resto do circuito está na quadra dura e muitos acreditam que a troca faria com que mais jogadores do top 20 viessem para a disputa. No entanto, o debate não pode ser apenas por esse lado.

É muito provável que, mesmo trocando para o piso duro, os melhores tenistas do mundo não venham para a América do Sul. Afinal, entra em conta o valor pago para a participação desses grandes nomes. O Brasil não é capaz de disputar com o Oriente Médio, Estados Unidos ou Europa nesse sentido.

Além disso, esse nem deve ser o real foco para o assunto, e sim o quanto essa gira sul-americana atrapalha os nossos atletas.

Tokyo Take-Off! Shapovalov Serves Past Johnson
Rio Open é disputado no saibro desde o início e há conversas para mudanças. Foto: Divulgação/Rio Open

Rio Open apenas prejudica tenistas

Há pouco tempo, o Brasil tinha uma boa quantidade de tenistas consolidados ao menos no top 200. Neste momento, apenas João Fonseca, campeão nas duplas, está garantido. Thiago Wild e Thiago Monteiro, que passaram os últimos anos sendo os grandes nomes do Brasil na ATP, estão em grande queda.

Nosso país já não tem mais os saibristas que brilham no circuito e o nosso futuro já não é de atletas que focam apenas na terra batida. Fonseca é excelente no piso duro e Gutão, grande promessa para os próximos anos, também. O Brasil já parou de forçar que os tenistas sejam apenas especialistas de saibro.

O que significa que nosso n.º 1 é forçado a vir para o país, jogar por uma semana no saibro e ir embora para se preparar para competir na dura. Não só isso, mas antes de chegar à América do Sul, também só teve competições em piso rápido. São mudanças significativas que o tenista precisa fazer, com necessidade de um período de adaptação para cada troca.

A gira do saibro sul-americana é prejudicial aos tenistas do topo. João poderia, nesse momento, ter feito mais dois torneios em quadras duras, continuando com o calendário do início do ano. E, assim, chegar ainda mais preparado para os dois primeiros Masters 1000 da temporada, Indian Wells e Miami Open.

Mas não, é forçado a jogar, dentro de sua casa, em um piso que só volta a competir no final do próximo mês. Esse tipo de situação atrapalha não apenas Fonseca, mas os outros tenistas sul-americanos. A questão para os argentinos, que se mostram contra a troca de piso, é que eles sabem que são saibristas e aproveitam bem o momento com torcida.

Só que não consideram que o saibro está perdendo cada vez mais espaço no circuito e vai diminuir ainda mais no futuro. O Masters 1000 na Arábia Saudita deve prejudicar ainda mais a gira na Argentina, Brasil e Chile. A mudança se faz mais do que necessária, principalmente para pensar nos nossos tenistas e seus calendários.

Tokyo Take-Off! Shapovalov Serves Past Johnson
Fonseca é um exemplo de tenista que tem seu calendário prejudicado pelo Rio Open. Foto: Divulgação/Rio Open

Calendário de saibro só começa no fim de março

A gira da América do Sul é uma exceção com o saibro, assim como acontece com alguns torneios na terra batida pós-Wimbledon. Nestas semanas de competição em Buenos Aires, Rio de Janeiro e Santiago, o circuito está com competições em quadra dura. Com o fim de Indian Wells e Miami Open, que ocorre durante março inteiro, veremos as disputas mudando de piso.

Todos os torneios de abril e maio serão no saibro, encerrando o período com a disputa em Roland Garros. Depois, voltamos para a grama e voltamos para a terra em julho, com algumas competições de ATP 250. Nesse momento, poucos tenistas do topo do ranking jogam, escolhendo descansar após um Grand Slam e começar a nova adaptação para o piso duro.

Foto: Divulgação/Rio Open