O Napoli desperdiçou uma oportunidade importante na Serie A. Em jogo atrasado da competição, disputado no estádio Diego Armando Maradona, a equipe comandada por Antonio Conte ficou no empate sem gols diante do Parma e deixou pontos decisivos pelo caminho. O 0 a 0 frustrou a torcida napolitana e impediu os Azzurri de encostar na líder Internazionale.
Com o resultado, o Napoli chegou aos 40 pontos e permanece na terceira colocação, três atrás da Inter, que ainda entra em campo e pode abrir uma vantagem ainda maior na liderança da Serie A. Mais do que o placar, o desempenho acende um sinal de alerta sobre a capacidade ofensiva da equipe em jogos contra adversários fechados.
O jogo
Desde o apito inicial, o roteiro da partida ficou claro. O Napoli assumiu a posse de bola, ocupou o campo ofensivo e tentou impor seu ritmo, enquanto o Parma se fechou com linhas baixas, compactas e focadas em proteger a própria área. O cenário favorecia um jogo de paciência e criatividade por parte dos donos da casa.
Logo no primeiro tempo, o lance que poderia ter mudado completamente a história da partida. Após confusão dentro da área, McTominay aproveitou a sobra e mandou para o fundo das redes. A comemoração, no entanto, durou pouco. O VAR entrou em ação e, após revisão, anulou o gol por impedimento, esfriando o estádio e aumentando a tensão.
Depois do lance, o Napoli teve dificuldades evidentes para manter a intensidade ofensiva. A equipe seguiu com a bola, mas sem agressividade. Faltaram infiltrações, movimentação sem bola e passes verticais. O Parma, confortável em seu plano defensivo, raramente foi ameaçado.
A única intervenção mais relevante do goleiro Rinaldi na primeira etapa veio em um chute de Hojlund da entrada da área. Foi pouco para um time que precisava vencer e jogava em casa diante de um adversário tecnicamente inferior.
Na segunda etapa, Antonio Conte tentou mudar o cenário. David Neres foi acionado para dar mais profundidade e velocidade ao ataque napolitano, buscando abrir a defesa do Parma pelos lados. A entrada do brasileiro aumentou o volume ofensivo, mas não resolveu o problema central da equipe: a falta de criatividade no último terço do campo.
O Napoli passou a rondar a área com mais frequência, mas sem clareza. Cruzamentos previsíveis, finalizações de média distância e pouca presença efetiva dentro da área facilitaram o trabalho defensivo do Parma. Quando o adversário conseguiu chegar mais perto do gol, Rinaldi respondeu bem, mantendo o placar zerado.
O tempo foi passando, a ansiedade aumentou e o jogo se tornou ainda mais travado. O Parma, cada vez mais confortável, cumpriu seu papel com disciplina tática, enquanto o Napoli parecia correr contra o relógio sem saber exatamente como furar o bloqueio.
Um tropeço que expõe os limites do Napoli
O empate sem gols vai além de um resultado isolado. Ele escancara uma dificuldade recorrente do Napoli nesta temporada: a incapacidade de ser incisivo contra equipes que se defendem com muitos jogadores atrás da linha da bola.
A proposta de Antonio Conte é conhecida por sua organização e intensidade, mas, neste jogo, o time mostrou pouca flexibilidade. A circulação de bola foi lenta, previsível e quase sempre horizontal. Sem movimentos coordenados entre meio-campo e ataque, o Napoli se tornou fácil de marcar.
A dependência de lances pontuais ficou evidente. O gol anulado de McTominay foi fruto de uma sobra e não de uma construção trabalhada. Tirando esse lance, o ataque praticamente não criou. Isso é preocupante para uma equipe que briga na parte de cima da tabela.
David Neres deu mais dinâmica, mas entrou em um contexto já engessado. Faltou apoio, aproximação e jogadores atacando o espaço com convicção. Hojlund, isolado em muitos momentos, recebeu poucas bolas em condição real de finalização.
Defensivamente, o Napoli pouco sofreu, o que mostra solidez, mas isso não compensa a falta de contundência ofensiva. Em jogos como este, especialmente em casa, a obrigação é transformar domínio territorial em chances claras e, principalmente, em gols.
No contexto da Serie A, o empate tem um peso grande. Deixar dois pontos para trás em casa, contra um adversário que briga na parte de baixo da tabela, pode custar caro em uma corrida pelo título ou até por uma vaga direta na próxima Liga dos Campeões.
A Inter, líder da competição, agradece. Com a possibilidade de abrir até seis pontos de vantagem, a Inter vê seus concorrentes diretos tropeçarem em jogos teoricamente acessíveis, algo que faz toda a diferença em um campeonato longo.
(Foto: Getty Images)