Natália Silva x Rose Namajunas UFC 324
UFC

Natália Silva prova novamente que merece title shot; brasileira pode complicar Shevchenko?

Natália Silva ampliou sua invencibilidade no peso-mosca do UFC ao derrotar Rose Namajunas, ex-campeã do peso-palha, em Las Vegas, neste sábado (24). Com sua oitava vitória consecutiva no Ultimate, a brasileira mostrou mais uma vez que merece disputar o cinturão contra Valentina Shevchenko. Diante de um nome consagrado e experiente como o de Rose, Natália não apenas venceu: convenceu. Controlou a distância, impôs ritmo e deixou claro que já não é apenas uma promessa, mas uma realidade na divisão até 57 kg.

Aos poucos, a mineira construiu um currículo que a coloca entre as principais postulantes ao título. Em uma categoria que passou por mudanças recentes e busca novas protagonistas, Natália Silva surge como uma atleta completa, confiante e cada vez mais madura dentro do octógono. O triunfo sobre Namajunas, ex-dona de cinturão e figura respeitada no elenco, funciona como uma espécie de chancela definitiva para a disputa do título.

As virtudes que colocam Natália Silva no topo da fila

Natália Silva se destaca por um conjunto de qualidades que a tornam uma adversária indigesta para qualquer peso-mosca. Dona de chutes potentes e rápidos, ela sabe explorar muito bem a média e longa distância, variando golpes e confundindo as adversárias. Sua movimentação é outro diferencial claro: com excelente jogo de pernas, a brasileira entra e sai do raio de ação com facilidade, dificultando contra-ataques e minimizando riscos desnecessários.

Além da técnica apurada, Natália mostra agressividade na medida certa. Ela pressiona, avança quando percebe fragilidades e não se intimida diante de nomes mais conhecidos. Essa postura competitiva vem acompanhada de boas estratégias, adaptadas a diferentes estilos de oponentes. Contra striker, usa volume e ângulos; diante de atletas mais físicas, aposta na velocidade e na inteligência tática.

Não por acaso, Natália desponta como uma das grandes sensações do peso-mosca. Sua sequência de vitórias não é fruto de decisões controversas ou lutas mornas, mas de atuações sólidas e consistentes. A busca pelo título, portanto, soa mais do que justa: é consequência natural de um trabalho bem executado e de resultados expressivos dentro do maior palco do MMA mundial.

Contra Shevchenko, um desafio de outro patamar

Se a trajetória de Natália Silva até aqui empolga, o próximo passo promete ser muito mais complicado. Caso o UFC confirme a luta da brasileira contra Valentina Shevchenko, atual campeã da categoria, o desafio será de altíssimo nível. Natália pode até incomodar, mas o favoritismo é todo da atleta do Quirguistão, uma verdadeira lenda do peso-mosca.

Shevchenko conquistou o cinturão pela primeira vez em 2018 e, desde então, construiu um reinado histórico, com sete vitórias consecutivas. Em março de 2023, em sua oitava defesa, acabou surpreendida por Alexa Grasso, que a derrotou e encerrou sua longa hegemonia. Um ano depois, porém, a campeã mostrou poder de reação ao reconquistar o título justamente contra a mexicana. Desde então, teve a mão erguida mais duas vezes em 2025, diante de Zhang Weilli e Manon Fiorot, reforçando seu status dominante.

Conhecida por seu muay thai, kickboxing e taekwondo de elite, Shevchenko é uma das strikers mais completas da história do MMA feminino. Sua luta em pé é refinada, precisa e perigosa, o que naturalmente complica a vida de Natália Silva em um eventual confronto direto. Por outro lado, nas últimas lutas, a campeã mostrou alguma vulnerabilidade no jogo de solo — foi assim, inclusive, que acabou finalizada por Alexa Grasso.

Este, entretanto, não é exatamente o ponto forte de Natália, que poderia aperfeiçoar seu wrestling e jogo de quedas pensando especificamente nessa luta. Pesa a favor da brasileira a diferença de idade, de quase dez anos. Mais jovem e com grande resistência física, a mineira pode tentar impor um ritmo alto e desgastar a veterana ao longo dos rounds.

Natália Silva deve encontrar muitas dificuldades diante de Shevchenko, mas seu momento, sua evolução e sua sequência de vitórias justificam plenamente a oportunidade. Mesmo como azarã, a brasileira já mostrou que pertence à elite — e que merece testar seus limites no topo da divisão.

(Foto: Ian Maule/Getty Images)