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Nate Diaz dispara contra Hall da Fama do UFC e mostra que continua sendo o mesmo caos ambulante de sempre

Nate Diaz nunca foi exatamente conhecido por medir palavras, e desta vez, o veterano resolveu mirar diretamente no Hall da Fama do UFC. Prestes a retornar ao MMA no card liderado por Ronda Rousey contra Gina Carano, em Los Angeles, o americano afirmou estar “ofendido” com algumas das escolhas recentes da organização para a galeria de lendas da empresa.

Durante entrevista ao jornalista Ariel Helwani, o ex-UFC afirmou que nunca sonhou em entrar no Hall da Fama, mas admitiu que começou a se incomodar vendo determinados nomes sendo homenageados antes dele. Na fala mais explosiva, chamou alguns integrantes da lista de “nerds”, deixando claro que ainda existe uma relação complicada entre ele e a organização presidida por Dana White.

Nate Diaz construiu algo maior do que cinturões

Existe uma curiosidade muito interessante sobre a trajetória de Nate Diaz: ele nunca precisou de um cinturão para se transformar em uma estrela gigantesca do MMA.

Enquanto muitos lutadores constroem legado acumulando defesas de título, o americano seguiu um caminho completamente diferente. Ele virou símbolo de autenticidade dentro do esporte. O cara que falava o que queria, brigava com qualquer um e parecia tratar coletiva de imprensa como extensão da luta.

Desde os tempos do TUF, Nate já chamava atenção pelo estilo agressivo, pelo boxe afiado e principalmente pela capacidade absurda de transformar qualquer luta em guerra. Só que sua popularidade explodiu de verdade quando enfrentou Conor McGregor pela primeira vez, em 2016. Ali nasceu um dos maiores fenômenos comerciais da história do UFC.

A rivalidade com McGregor ajudou Nate Diaz a atingir um patamar que poucos atletas conseguiram alcançar. Mesmo sem ser campeão linear, ele passou a protagonizar eventos gigantescos, movimentar milhões em pay-per-view e se tornar um dos rostos mais conhecidos da organização. E não era só marketing vazio.

Nate acumulou bônus de performance, entrou em guerras memoráveis contra nomes como Donald Cerrone e Tony Ferguson, além de participar diretamente da criação do cinturão BMF, talvez a ideia mais caótica e ao mesmo tempo mais genial que o UFC inventou nos últimos anos.

Porque sejamos honestos: aquele cinturão só funcionou porque Nate Diaz existia.

A crítica ao Hall da Fama abriu um debate antigo no UFC

As declarações de Nate acabaram levantando uma discussão que já aparece há anos entre fãs e analistas: quais são exatamente os critérios do Hall da Fama do UFC?

O debate ganhou ainda mais força recentemente após a entrada de Donald Cerrone antes de nomes históricos como Jon Jones e Demetrious Johnson.

Não se trata de desmerecer Cerrone, que possui números impressionantes dentro da organização. O problema é que o UFC nunca deixou totalmente claro o que pesa mais: títulos, longevidade, popularidade, impacto cultural ou contribuição para o crescimento do esporte.

E aí Nate Diaz acaba entrando forte na conversa. Porque, gostando dele ou não, existe um fato impossível de negar: poucos lutadores tiveram impacto tão grande na cultura do MMA moderno sem carregar um cinturão definitivo na cintura.

Nate virou personagem central da história recente do UFC. Seus trejeitos, entrevistas, brigas, provocações e até o jeito despreocupado de agir criaram uma identidade única. Ele parecia o completo oposto do atleta corporativo que normalmente domina grandes organizações esportivas. Talvez por isso tanta gente continue conectada ao nome dele até hoje.

Nate Diaz ainda sabe vender luta melhor do que quase todo mundo

Outro ponto importante dessa história é o momento em que tudo aconteceu. Nate fez essas declarações justamente na semana de seu retorno ao MMA, agora defendendo a Most Valuable Promotions, mais conhecido como MVP. Ou seja: além da polêmica, existe também uma movimentação inteligente de promoção.

E honestamente? Funciona perfeitamente.

Seu confronto contra Mike Perry já carrega naturalmente um clima de loucura. São dois lutadores conhecidos pelo caos dentro e fora do cage, daqueles que parecem capazes de transformar encarada em confusão policial em questão de segundos.

O público compra esse tipo de luta porque Nate Diaz vende sensação de imprevisibilidade. Mesmo anos depois de deixar o UFC, ele continua sendo um dos poucos atletas capazes de parar a internet apenas dando entrevista.

Além disso, a possibilidade de uma trilogia contra McGregor nunca desaparece completamente do radar. Sempre que Nate volta a lutar, o assunto reaparece automaticamente. E o UFC sabe muito bem o tamanho financeiro dessa rivalidade.

No fim das contas, talvez o Hall da Fama nem importe tanto para Nate Diaz quanto ele diz. Mas suas declarações servem para lembrar algo importante: o americano continua relevante num esporte que costuma esquecer rapidamente seus antigos protagonistas.

E isso, querendo ou não, já é um tipo de legado que poucos conseguem construir.

Foto: Ronald Martinez/Getty