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Nate Diaz não quer parar e já pensa em revanche com Mike Perry

Tem lutador que começa a pensar em aposentadoria depois de uma guerra sangrenta. Já Nate Diaz parece funcionar ao contrário. Quanto mais apanha, mais vontade tem de voltar. E foi exatamente esse o clima após sua derrota para Mike Perry no evento inaugural de MMA da MVP, realizado no Intuit Dome e transmitido pela Netflix.

Mesmo depois de sair completamente ensanguentado, com cortes severos no rosto e derrotado por interrupção médica, Diaz já falou em revanche imediata. Sem drama, sem papo de “avaliar o futuro” e muito menos discurso melancólico. Pelo contrário: o veterano deixou claro que ainda se vê longe do fim. Basta saber se vai ser interessante para o Netflix essa luta, que contava com mais expectativa do que foi entregue.

“Vou me recuperar e começar a correr na segunda-feira”, disse o norte-americano na coletiva pós-luta.

E sinceramente? Isso soa exatamente como Nate Diaz.

Nate Diaz continua sendo Nate Diaz para o bem e para o caos

A luta contra Mike Perry teve praticamente tudo aquilo que os fãs esperavam. Trocação franca, provocação, resistência e muito sangue. Talvez sangue até demais. Perry foi mais agressivo, conectou os golpes mais limpos e causou danos visíveis logo cedo. No segundo round, Diaz já apresentava cortes profundos, especialmente ao redor do olho, com o rosto completamente vermelho.

Ainda assim, o veterano seguiu andando para frente. Porque existe uma característica que acompanha Nate Diaz desde os tempos antigos: ele simplesmente não sabe lutar “tranquilo”. Cada combate parece uma briga de rua televisionada em alta definição e a guerra dele com Conor McGregor que diga sobre isso. O problema é que o corpo cobra a conta.

A enorme quantidade de cicatrizes acumuladas ao longo da carreira fez com que os cortes abrissem rapidamente. Não é novidade para quem acompanha sua trajetória. Diaz já sofreu outras derrotas por interrupção médica justamente pela facilidade com que sua pele rompe depois de tantos anos de guerra no octógono.

Dessa vez, o médico ao lado do cage decidiu que não havia condições para o terceiro round acontecer. E embora tenha ficado irritado, o próprio Nate admitiu que entendia a decisão.

Ele afirmou que estava praticamente cego do lado direito por causa do sangue e reconheceu que seria difícil reverter a situação naquele estado.

Ainda assim, a sensação deixada foi curiosa: em nenhum momento Diaz pareceu “acabado”. Muito pelo contrário. O gás competitivo continua ali. A disposição para trocar porrada também. O problema talvez seja outro: até onde o corpo conseguirá acompanhar essa mentalidade?

Mike Perry venceu, mas a história não terminou

É impossível ignorar o momento de Mike Perry. O ex-UFC encontrou uma segunda vida nos esportes de combate. Depois de virar praticamente o rei do bare knuckle em sua fase pós-UFC, Perry agora continua surfando nessa imagem de lutador caótico e extremamente violento, depois de ter evoluido absurdamente o seu boxe.

Contra Nate Diaz, ele fez exatamente o que precisava. Pressionou, acertou os melhores golpes e soube explorar os cortes do adversário. Perry não precisou de um nocaute brutal para vencer. O estrago acumulado falou por si. Só que existe um detalhe importante aqui: a luta foi divertida, pelo menos para um dos lados.

E no mundo atual do MMA, especialmente fora do UFC, isso vale ouro. Eventos vivem de entretenimento, rivalidade e personalidades fortes. Diaz e Perry entregaram exatamente isso. Não foi uma luta técnica impecável, mas foi uma guerra que prende atenção do início ao fim, aquele tipo de combate que domina redes sociais, gera meme, replay e pedido instantâneo de revanche.

Por isso, não surpreende ver Nate pedindo uma segunda luta imediatamente. Financeiramente faz sentido. Comercialmente também. E esportivamente, honestamente, existe material para vender mais um capítulo. Até porque o estilo dos dois praticamente garante caos novamente.

A aposentadoria definitivamente não faz parte do plano

A parte mais interessante da coletiva talvez tenha sido justamente o discurso de Nate Diaz sobre aposentadoria. Aos 41 anos e com 35 lutas profissionais no cartel, muita gente imaginava que ele pudesse começar a diminuir o ritmo. Mas Nate pensa diferente.

Seu comentário sobre não precisar fazer cerimônia para encerrar carreira combina perfeitamente com sua personalidade anti-establishment. Enquanto muitos atletas transformam aposentadoria em grande espetáculo emocional, Diaz praticamente debochou dessa ideia.

Segundo ele, quando chegar o momento de parar, simplesmente vai embora e viver sua vida. Sem colocar luva no centro do cage, sem lágrimas e sem anúncio cinematográfico.

É um pensamento que resume muito bem a carreira inteira do norte-americano. Nate Diaz nunca pareceu interessado em seguir o “manual” do esporte. Nem dentro e nem fora do octógono. E talvez seja exatamente isso que mantém sua relevância até hoje.

Mesmo sem disputar cinturões há muito tempo, Diaz continua sendo um dos nomes mais populares do MMA mundial. Sua imagem transcende vitórias e derrotas. Ele vende personalidade, autenticidade e caos, uma combinação extremamente rara num esporte cada vez mais controlado e roteirizado.

Claro, existe uma preocupação inevitável envolvendo saúde. O desgaste físico é evidente. Os cortes aparecem rápido, a recuperação demora mais e o acúmulo de guerras históricas pesa. Só que, pelo menos mentalmente, Nate continua agindo como aquele mesmo lutador irreverente de duas décadas atrás.

E pelo visto, Mike Perry pode se preparar. Porque, gostando ou não da ideia, Nate Diaz já deixou claro que quer voltar para outra guerra o mais rápido possível.

Foto: Sarah Stier, Getty Images For Netflix