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NBA: 4 times do Leste que estão a sombra do Knicks

A offseason da NBA de 2026 chegou com um sabor diferente para boa parte do Leste. Enquanto o New York Knicks celebra seu primeiro título em 53 anos, os rivais da conferência estão em meio a uma avalanche de perguntas, reconstruções e apostas arriscadas. Quem são, afinal, essas equipes que ficaram para trás? Um panorama honesto e, por vezes, impiedoso de quatro franquias que tentam, cada uma à sua maneira, encontrar o próximo passo.

Boston Celtics: O império se questionando

Por muito tempo, os Celtics pareciam ter decifrado o código da NBA moderna. Uma rotação onde todos podiam arremessar, defender e criar para os outros. Brad Stevens foi reverenciado como um gênio da construção de elencos, e a conquista do título, apenas o segundo da franquia desde a adolescência de Rick Brunson, parecia o início de uma nova dinastia.

Mas algo saiu dos trilhos. A franquia foi vendida logo após o título, um movimento que causou estranheza geral: times que acabaram de ganhar simplesmente não são vendidos assim. Os novos donos, sob a justificativa da lesão de Jayson Tatum no tendão de Aquiles, promoveram uma desmontagem silenciosa. Jrue Holiday e três pivôs que podiam arremessar, rebater e defender foram dispensados. A equipe remendada performou além do esperado na temporada regular, mas os playoffs expuseram a fragilidade do projeto: enquanto outras franquias se reforçavam, Boston apostou em Nikola Vučević como principal reforço do deadline, trazendo preocupações aos torcedores. 

Tatum voltou da lesão em tempo recorde para os playoffs, algo que pode não envelhecer tão bem quanto parece. A equipe ficou 2 rodadas atrás de um título em 2025, e nem passou da 1a rodada dos playoffs em 2026. Isso não é brigar pelo campeonato, é apenas existir no meio do mapa. Com Brown ou Derrick White potencialmente na saída, os Celtics estão mais próximos de uma encruzilhada do que seus fãs gostariam de admitir.

Detroit Pistons: A pressão de continuar crescendo

A ascensão dos Pistons é um dos fenômenos mais impressionantes da NBA recente: de 14 vitórias para 44, e depois para 60. Mas o terceiro salto é o mais difícil, e Detroit sabe disso. A franquia não é ingênua quanto aos seus problemas, mas reconhecer o problema e resolvê-lo são coisas bem diferentes. 

O time tem Cade Cunningham. Precisa de um segundo astro ofensivo de alto nível, alguém na linha de Kawhi Leonard, Tyler Herro ou Jaylen Brown. Isaiah Joe pode aliviar as dores no perímetro, mas está longe de ser a solução definitiva. Para piorar o cenário, Jalen Duren, pivô que acaba de receber honras de Terceiro Time All-NBA, sinalizou interesse em buscar uma troca após ficar descontente com as negociações. Tobias Harris é agente livre irrestrito. Isaiah Stewart foi para Memphis. Estamos falando de um time que pode perder peças importantes justamente quando mais precisa ganhar.

Miami Heat: Giannis é a solução definitiva?

A chegada de Giannis Antetokounmpo ao Heat é, ao mesmo tempo, compreensível e repleta de interrogações. Há uma lógica clara no movimento: Jayme Jaquez Jr. e Kel’el Ware são jogadores promissores, mas não são o tipo de figura que convence uma estrela a trocar de cidade. Giannis é. E em uma franquia que se orgulha de ser destino de escolha, recuperar esse status tem valor que vai além das estatísticas.

A analogia com a chegada de Amar’e Stoudemire ao Knicks em 2011 não é gratuita. Stoudemire não trouxe títulos imediatos, mas recolocou Nova York no radar e atraiu Carmelo Anthony, cujo legado se entrelaçou com a construção que culminou no título de 2026. Talvez o Heat pense de forma similar: Giannis não precisa ganhar o campeonato, ele precisa trazer de volta o glamour de South Beach.

O problema está nos detalhes. Giannis terá 32 anos na próxima temporada. Bam Adebayo ao seu lado não é uma combinação tão fluida quanto Karl-Anthony Towns e OG Anunoby foram para os Knicks. Antes da troca, Miami não chegava perto de bater os Knicks, os Celtics, os Pistons ou os Cavs. Depois dela, com um elenco preenchido de jogadores de segunda linha, o que muda concretamente? Talvez a resposta seja: não muito, ao menos não a primeiro momento.

Charlotte Hornets: Coragem ou antecipação?

Os Hornets fizeram algo ousado: abriram mão de LaMelo Ball, seu principal nome e jogador de franquia. A justificativa tem fundamento: nos últimos seis anos, Ball jogou uma quantidade de partidas comparável à de Mitchell Robinson, reconhecidamente um dos jogadores mais frágeis da liga. Para um atleta que receberá mais de 130 milhões de dólares nos próximos anos, disponibilidade não é um detalhe menor. É estrutural.

E a corrida de 28 vitórias e 10 derrotas para fechar a temporada mostrou que o time tem talento sem Ball. Coby White custará cerca de 20 milhões de dólares a menos por ano, uma economia significativa para redirecionar ao elenco. Mas há um dado inquietante: Kon Knueppel converteu mais de 40% dos seus arremessos de três pontos jogando ao lado de Ball, contra cerca de 37% sem ele. Isso não é coincidência, é criação de jogo.

A grande questão é se Charlotte está confundindo a competência de montar um elenco com o elenco em si fazendo o trabalho. Há algo especial no que estava sendo construído em torno de Ball, algo que talvez precisasse apenas de mais tempo. Com ele agora ao lado de Anthony Edwards em Minnesota, o torcedor dos Hornets pode se perguntar no futuro: e se?

Foto: Ross D. Franklin – AP