A temporada 2026/27 da NBA ainda nem começou, mas algumas das histórias mais interessantes já estão sendo construídas fora das quadras. Com boa parte da offseason encerrada, o mercado começa a prestar atenção nos veteranos que já podem negociar extensões contratuais e alguns nomes são grandes o suficiente para transformar qualquer conversa em assunto de liga inteira.
Entre eles estão Stephen Curry e Nikola Jokić. De um lado, o astro do Golden State Warriors se aproxima da reta final de uma carreira histórica e precisa definir como será seu próximo contrato. Do outro, o jogador do Denver Nuggets pode esperar até o próximo verão para negociar um acordo que pode se tornar o maior da história da NBA.
Mas eles não estão sozinhos. Outros veteranos importantes, como Karl-Anthony Towns e Pascal Siakam, também vivem situações contratuais que merecem atenção. Há ainda jogadores menos badalados, como Moussa Diabaté, que podem transformar uma boa temporada em uma oportunidade milionária.
Em outras palavras: enquanto a bola ainda está descansando, os telefones dos executivos da NBA já podem começar a esquentar.
Stephen Curry e a reta final de uma era na NBA
Poucos jogadores terão uma situação tão observada quanto Stephen Curry. O astro dos Warriors está entrando no último ano de seu contrato atual e se tornou elegível para uma extensão no fim de agosto.
Curry já deixou claro diversas vezes que deseja permanecer em Golden State e encerrar sua carreira com a franquia que mudou a história do basquete moderno. A questão, portanto, parece ser muito menos sobre onde ele quer jogar e muito mais sobre quando o novo acordo será assinado.
O problema é que o contexto esportivo dos Warriors não é exatamente o mais confortável.
Golden State perdeu os playoffs na temporada passada e não conseguiu realizar os grandes movimentos que muitos torcedores esperavam durante a offseason. A equipe também não conseguiu contratar nomes como LeBron James ou Giannis Antetokounmpo, que chegaram a ser associados ao time durante o período de negociações.
Curry, aos 38 anos, continua sendo o rosto da franquia, mas a pergunta inevitável é até onde os Warriors conseguem ir com o atual elenco.
É isso que torna sua extensão tão interessante para a NBA. Não parece haver uma grande dúvida sobre o desejo de Curry de continuar em San Francisco. O ponto é descobrir qual será o projeto esportivo ao redor dele nos últimos anos de sua carreira.
Jokić pode esperar e existe uma ótima razão
Se Curry representa a reta final de uma era, Nikola Jokić está no auge e simplesmente decidiu esperar.
O sérvio confirmou que pretende continuar no Denver Nuggets, mas indicou que deve assinar sua próxima extensão apenas no próximo verão. E a razão é bastante simples: dinheiro. Muito dinheiro.
Caso Jokić assine uma extensão agora, ele poderia chegar a um acordo de quatro anos e aproximadamente US$ 278 milhões. Se esperar até o próximo verão, porém, poderá assinar um contrato de cinco anos estimado em US$ 359,5 milhões.
A diferença é de aproximadamente US$ 81,5 milhões. Bom, nesse caso fica difícil usar o clássico “pense no futuro” contra o jogador.
Jokić já afirmou que deseja permanecer em Denver pelo restante da carreira, e não há atualmente indicação concreta de que esteja planejando deixar os Nuggets. A equipe também continua confiante de que o atraso na assinatura tem caráter financeiro, e não representa uma tentativa de abrir caminho para uma saída.
O que pode mudar tudo é o desempenho de Denver. Depois de vencer 50 partidas na temporada passada, os Nuggets foram eliminados na primeira rodada dos playoffs. Para uma equipe que possui um dos melhores jogadores do planeta, isso levantou dúvidas sobre a capacidade do elenco de voltar a brigar pelo título da NBA.
Jokić pode querer ficar. Mas, como acontece com qualquer astro desse tamanho, vencer ajuda bastante a transformar uma promessa de permanência em uma certeza.
Karl-Anthony Towns tem uma conta complicada pela frente
Outro nome importante nessa lista é Karl-Anthony Towns, que vive uma situação particularmente interessante com o New York Knicks.
O pivô possui uma opção de jogador de US$ 62,8 milhões para a temporada 2027/28. Caso exerça a opção, poderá posteriormente assinar uma extensão de três anos avaliada em aproximadamente US$ 208 milhões. Se abrir mão dela, poderá negociar um contrato de quatro anos que pode chegar a US$ 272 milhões.
Ou seja, existe muito dinheiro envolvido em praticamente qualquer caminho escolhido.
O problema para os Knicks é a idade. Towns completará 31 anos em novembro, e um novo contrato gigantesco começaria a avançar justamente para o período em que jogadores altos costumam enfrentar mais dificuldades físicas.
Ao mesmo tempo, Towns possui uma característica que pode ajudá-lo a envelhecer melhor: o arremesso de três pontos.
Um pivô capaz de espaçar a quadra e obrigar a defesa adversária a respeitar seu arremesso pode continuar sendo extremamente valioso mesmo quando já não possui a mesma mobilidade de seus melhores anos.
Os Knicks, portanto, terão de decidir quanto estão dispostos a pagar por esse tipo de jogador e por quanto tempo. Na NBA atual, esse tipo de escolha pode definir se uma equipe continua na briga pelo título ou fica presa a uma folha salarial pesada.
Pascal Siakam e o equilíbrio dos Pacers
Pascal Siakam também merece atenção nessa conversa.
O jogador do Indiana Pacers está em uma posição na qual seu próximo contrato precisará ser analisado não apenas pelo que ele entrega individualmente, mas também pelo impacto que terá na construção do restante do elenco.
Esse é um dos grandes desafios da NBA atual. Ter estrelas é essencial, mas pagar muito para várias delas pode deixar pouco espaço para completar o time.
Siakam representa justamente esse equilíbrio entre manter uma peça importante e evitar que a folha salarial fique pesada demais. Para Indiana, a decisão não será apenas “Siakam merece uma extensão?”. A pergunta será “qual contrato permite que os Pacers continuem competitivos?”.
É uma diferença pequena na frase, mas enorme na planilha.
Diabaté é o nome menos conhecido desta lista da NBA
Nem todo jogador interessante precisa ser uma superestrela.
Moussa Diabaté, do Charlotte Hornets, é um exemplo disso. O francês só poderá negociar uma extensão a partir de fevereiro de 2027, mas já aparece como um jogador que pode ganhar bastante dinheiro caso mantenha o nível apresentado na última temporada.
Diabaté teve médias de 7,9 pontos, 8,7 rebotes e 1,9 assistência, além de registrar 1,8 roubada de bola e toco somados por partida, em aproximadamente 26 minutos. Ele também foi peça importante na evolução dos Hornets na segunda metade da temporada.
O detalhe interessante é que Charlotte também reforçou o setor de garrafão. A franquia contratou Naz Reid, enquanto Ryan Kalkbrenner mostrou potencial em seus minutos como calouro e Hannes Steinbach foi escolhido na 14ª posição do Draft de 2026.
Isso significa que Diabaté terá concorrência pelo espaço e que os Hornets não necessariamente precisam entrar em uma disputa financeira sem limites para mantê-lo.
Ainda assim, uma boa temporada pode mudar completamente essa equação. E é justamente esse tipo de jogador que torna o mercado da NBA tão imprevisível.
Por que essas extensões importam tanto?
As extensões desses jogadores não representam apenas decisões individuais. Elas também podem ajudar a definir o mercado da NBA nos próximos anos.
Curry pode estabelecer o que Golden State considera justo para uma lenda da franquia já perto dos 40 anos. Jokić, por sua vez, pode se tornar o jogador dono do maior contrato da história da NBA. Towns pode mostrar até onde os Knicks estão dispostos a apostar em um pivô de elite ofensiva entrando nos 30.
Enquanto isso, jogadores como Siakam e Diabaté mostram outro lado do mercado: o desafio de manter bons titulares sem comprometer completamente a flexibilidade financeira. E existe ainda um detalhe importante: contratos desse tamanho na NBA não são facilmente desfeitos.
Quando uma franquia oferece centenas de milhões de dólares a um jogador, não está apenas pagando pelo desempenho atual. Está apostando em como aquele atleta será daqui a três, quatro ou cinco anos.
É por isso que as extensões de Curry, Jokić, Towns, Siakam e outros veteranos merecem atenção mesmo antes de qualquer negociação ser oficialmente concluída.
No caso de Curry e Jokić, há ainda uma camada emocional. Um representa o fim de uma das maiores dinastias da história recente da NBA; o outro está construindo uma carreira que já o colocou entre os maiores de sua geração.
Os dois dizem querer permanecer onde estão. Agora, resta saber quando vão colocar a assinatura no papel e quanto ela vai custar.



